segunda-feira, 31 de outubro de 2011

COSMOVISÃO parte 1

                                                                                                                  Por: Lucio A. de Oliveira (MCA)


Entendemos que os artigos anteriores (esta série) foram suficientes para exemplificar que a teorização está calcada em pressuposições. A proposta pressuposicionalista ainda precisa de alguns esclarecimentos. Portanto, dessa vez, estaremos esclarecendo o significado do termo 'cosmovisão'. O termo facilatará vários tipos de discussões, além da discussão pressuposicionalista. Por isso, é mister que os apologistas conheçam bem o conceito, e façam bom proveito.


O QUE É UMA COSMOVISÃO?


Cheung, um apologista pressuposicionalista (clarkiano) reivindica estar de posse de uma apologética capaz de defender toda uma cosmovisão bíblica. Várias vezes ele reivindica que “o cristianismo é a única cosmovisão verdadeira” (CHEUNG, 2009,p.44). Mas não podemos começar nosso estudo sem esclarecer o que, exatamente, significa o termo.
Aqui, podemos recorrer a vários autores para buscar uma definição mais precisa.
Cheung define assim:

“Uma cosmovisão consiste de uma rede de proposições inter-relacionadas, cuja soma representa ‘uma concepção ou percepção abrangente do mundo’. Ela pode ser chamada de ‘religião’ ou ‘filosofia’ em virtude do seu conteúdo específico, mas constitui, entretanto, uma cosmovisão. Assim, por cosmovisão nos referimos a qualquer religião, filosofia ou sistema de pensamento” (CHEUNG, 2009, p.37-38).

Primeiro, vamos destacar a parte final da citação. Qualquer religião ou sistema filosófico é uma cosmovisão. De fato, vários autores observam a estrita relação entre o que chamamos de cosmovisão e o que outros chamam de filosofia ou sistema filosófico. “Uma cosmovisão contém as respostas de uma dada pessoa às questões principais da vida, quase todas com significante conteúdo filosófico. É a infra-estrutura conceitual, padrões ou arranjos das crenças dessa pessoa” (NASH, 2008, p.13); Cheung também afirma “O estudo dessas questões últimas corresponderá a uma introdução à filosofia.” (CHEUNG, 2009, p. 59); e por fim, Crampton e Bacon: “A cosmovisão de uma pessoa é sua filosofia. ‘Cosmovisão’ e ‘filosofia’ são quase palavras sinônimas” (CRAMPTON; BACON; 2009, p.13).
Nash fa faz a seguinte observação:

Porque muitos elementos de uma cosmovisão são filosóficos na natureza, os cristãos precisam se tornar mais conscientes da importância da filosofia. Embora a filosofia e a religião [isto é, teologia] com frequência usem linguagem diferente e frequentemente [de maneira errônea] cheguem a conclusões diferentes, elas tratam com as mesmas questões, as quais incluem questões sobre o que existe (metafísica), como os humanos devem viver (ética), e como os seres humanos conhecem (epistemologia)... (NASH apud CRAMPTON; BACON; 2009, p.16).

Aqui, já entramos no quesito de quais ‘proposições inter-relacionadas’ Cheung se refere. A resposta a algumas questões particulares, dadas tento pelas religiões quanto pelas diversas (toda e qualquer) filosofias, são essas proposições. São as questões últimas, termo que já nos deparamos nas citações anteriores. É por esse caminho que encontramos definições de cosmovisões como as de Crampton e Bacon: “...uma cosmovisão ou filosofia é uma série de crenças concernentes às questões mais importantes da vida” (CRAMPTON; BACON; 2009, p.31); e de Nash: “A soma total das respostas de uma pessoa sobre as mais importantes questões sobre a vida” (NASH, 2008, p.426).
Embora uma citação acima tenha sugerido alguns elementos sobre quais são as questões últimas, precisamos dar uma palavra sobre isso. Na verdade, em nossas pesquisas não encontramos um consenso geral entre quais, exatamente, são as questões últimas.
Crampton e Bacon sugerem: “qualquer cosmovisão bem modelada deve ser capaz de tratar adequadamente com os elementos ou princípios mais básicos da filosofia: epistemologia, metafísica, ética e política” (CRAMPTON; BACON; 2009, p.31); Nash (que elabora uma lista de questões para cada tópico):

Cosmovisões contêm pelo menos cinco conjuntos de crenças, isto é, crenas sobre Deus, metafísica (realidade última), epistemologia (conhecimento, ética e antropologia [...] essas cinco [crenças] geralmente definem as difreneças mais importantes entre sistemas conceituais concorrentes (NASH, 2008, p.15);

 Vejam que Cheung segue Nash: “Entre outras coisas, as questões últimas incluem metafísica, epistemologia, teologia, antropologia e ética [Cheung deixa claro, em nota, que seguiu Nash]” (CHEUNG, 2009, p. 59), porém, quando vai expor as questões últimas, ele o faz apresentando o Logos joanino como a realidade primordial e em seguida disserta sobre metafísica, epistemologia, ética, e soteriologia (diferindo-se de Nash). Não podemos deixar de mencionar o mui versado no assunto, James W. Sire, que elabora sete questões que, segundo ele, mapeiam a estrutura das cosmovisões:

O que é a realidade primordial, qual seja, o que é realmente verdadeiro? [...] Qual a natureza da realidade externa, isto é, o mundo que nos rodeia? [...] O que o ser humano é? [...] O que acontece com uma pessoa quando ela morre? [...] Porque é possível conhecer alguma coisa? [...] Como sabemos o que é certo e errado? [...] Qual o significado da história humana [Ronald Nash também sugere que esse é um tópico importante, e, em nota, escreve: “Uma área importante do conhecimento humano que poderia ser acrescentada à nossa lista é a história” (NASH, 2008,p. 15)]? (SIRE, 2009, p.19-21).

Mesmo com essas divergências, podemos notar um denominador comum entre os estudiosos. Podemos observar que todos entendem que o pensamento sobre a realidade primordial é essencial no estudo de cosmovisão; bem como questões sobre metafísica (aqui podemos pensar sobre a questão do propósito do universo e incluir o tópico da história propostos por Nash e Sire); sobre epistemologia; sobre ética (presumimos que o item ‘Política’ de Crampton e Bacon possa se encaixar aqui); e, por fim, sobre antropologia (a terceira e a quarta questão de Sire incluem-se aqui).
Portanto, uma cosmovisão consiste nas respostas que damos a essas perguntas. Todos tem algo a dizer sobre uma natureza primordial. Todos têm alguma posição sobre Deus (existe? Como é? Quantos? Etc); alguma opinião sobre a realidade (monismo, dualismo, determinismo, indeterminismo); sobre epistemologia (apreendemos conhecimento pelos sentidos? os sentidos são ou não confiáveis? Racionalismo ou empirismo? É possível conhecer algo?); ética (como é que definimos o que é certo e errado? Qual o padrão? Como devemos viver?); antropologia (o homem é corpo e alma? Um símio pelado?).
Cheung ainda faz uma importante observação: a de que as proposições estão inter-relacionadas. Ele mostra como:

...nossas pressuposições últimas sobre ética determinam nossas decisões no dia-a-dia. Porém se pretendemos saber como podemos saber alguma coisa, já estamos lidando com nossas pressuposições últimas sobre o conhecimento, ou epistemologia. E visto que o conhecimento tem a ver como o que há para saber, como podemos saber e o que pode ser conhecido, já estamos tratando das nossas pressuposições últimas obre a realidade, ou metafísica. De fato, se refletirmos o suficiente nos darmos conta de que toda proposição elementar que desenvolvemos ou ação que executamos pressupõe um conjunto de princípio últimos inter-relacionados pelos quais percebemos e agimos na realidade. Trata-se da nossa cosmovisão (CHEUNG, 2009, p.58-59).

Crampton e Bacon também observam algo semelhante:

Metafísica, ética e teoria política podem ser estabelecidas somente sobre uma base epistemológica. Sem um padrão uma base para crença (epistemologia), uma pessoa não pode saber o que uma verdadeira teoria da realidade é; nem pode saber como devemos determinar o que é certo e o que é errado; nem pode saber qual é a teoria política apropriada (CRAMPTON; BACON, , p.32-33).

Porém, essa observação já abre espaço para o que vamos discutir depois (a proeminência de pressuposições epistemológicas, os axiomas). Basta, por hora, observar que as proposições estão interligadas.

continua....

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BIBLIOGRAFIA


CHEUNG, Vincent. Questões Últimas. Tradução de Marcelo Herberts. Brasília: Monergismo, 2009. 143 p.
CRAMPTON, W. Gary; BACON, Richard E. Em direção a uma cosmovisão cristã. Tradução de Felipe Sabino de Araújo Neto. Brasília: Monergismo, 2009. 112 p.
NASH, Ronald H. Questões Últimas da vida: uma introdução à filosofia. Tradução de Wadislau Martins Gomes. São Paulo: Cultura Cristã, 2008. 448 p.
SIRE, James W. O universo ao lado: um catálogo básico sobre cosmovisão. Tradução de Fernando Cristófalo. 4. Ed. São Paulo: Hagnos, 2009. 384 p.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O BATISMO EM NOME DE JESUS

O Tabernáculo da Fé, seguidores de William Marrion Branham, a Congregação Cristão no Brasil, o Ministério ‘Voz da Verdade’, a igreja do Ricardo Nicotra, ex-adventista, entre outros, dizem que o Batismo para ser verdadeiro deve ser feito em Nome de Jesus. Os motivos são que, embora Mateus 28.19 ordene batizar em nome da Trindade, os apóstolos batizaram em nome de Jesus.

Irei comentar algo sobre esse assunto, e indico para informações históricas, exegéticas e teológicas o artigo do Dr Alderi AQUI.
OS CASOS EM ATOS:

Quero começar dizendo que não existe uniformidade na formula batismal em Atos. Veja:

“[...] em nome de Jesus Cristo [...]” Atos 2.38

“[...] em o nome do Senhor Jesus [...] Atos 8.16

“[...] em nome de Jesus Cristo [...]” Atos 10.48

“[...] em o nome do Senhor Jesus [...]” Atos 19.5

Duas expressões usadas. Qual destas? A seita Tabernáculo da Fé diz que o nome ‘Senhor Jesus Cristo’ corresponde aos títulos ‘Pai, Filho e Espírito Santo’. No entanto em Atos isso não foi usado. O profeta de tal seita é muito infantil e alegórico em suas interpretações. Essa é mais uma delas. A CCB faz uma salada, dizendo: ‘em nome de Jesus Cristo te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo’! O Ricardo Nicotra dúvida da autenticidade de Mateus 28.19*.

De qualquer forma temos a questão nevrálgica: Por que os Apóstolos não Batizaram em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo?

Antes de apresentar minha resposta quero dizer que rejeito a ideia, defendida por vários, que batizar em nome de Jesus seja sinônimo estético ou doutrinal de Mateus 28.19. Também concordo plenamente com o Dr Alderi que se o Batismo em Nome de Jesus fosse apenas um esforço de se aproximar de uma prática antiga, sem ligação com o modalismo, não teria problema algum.

Agora sim, apresento como resposta as seguintes proposições:

1) A data da composição de Mateus: Mateus escreveu seu evangelho por volta dos anos 60-70 A.D. Isto é, cerca de 30 a 10 dez anos após os acontecimentos de Atos. Talvez você me critique dizendo que de Mateus 28.19 para Atos 2 são dias, e não anos. Aceito a crítica, mas você também deve lembrar que Cristo disse que os Apóstolos deveriam ir para todas a nações e mesmo assim a igreja em Atos teve dificuldade em cumprir isso e precisou receber visões a posteriores, para cumprir essa comissão. Com a divulgação e distribuição do Evangelho de Mateus, que dizem ter sido redigido primeiro em Hebraico, alguns ensinos ficaram mais refinados e outras práticas foram observadas.

O Didaqué em 110 A.D. cita Mateus 28.19, mas também diz do batismo em ‘Nome do Senhor’. Isto é: Parece que a prática de Atos cedeu lugar ao registro de Mateus.

2) Atos um período de nascimento e amadurecimento: Em Atos vemos os cristãos circuncidando-se, cumprindo algumas cerimônias, ao mesmo tempo que começavam a sentir a nova religião cristã amadurecendo. Sendo assim, poderia ser que a preocupação em usar as palavras de Mateus 28.19 fosse substituída por questões circunstanciais?

3) As variações dos evangelhos sinópticos: É reconhecido que existem variações na maneira de registrar de cada Evangelista. Mateus, Marcos e Lucas diferem-se em estilo e ênfase. Se compararmos a Grande Comissão nos três evangelhos podemos encontrar pistas interessantes para o assunto da postagem:

Marcos registra Jesus dizendo apenas ‘quem crer e for batizado’ (16.16). Lucas por sua vez diz ‘que em Seu nome pregasse o arrependimento para perdão dos pecados’(24.47) e Mateus inclui uma ordem de batizar, ‘em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo’(28.19).

Imaginemos, quais destas perspectivas estariam norteando a prática apostólica em Atos? Em última instância, eles acoplaram a perspectiva lucana. ‘Mas Mateus era apóstolo e estava presente, e Lucas não!’ Sim, no entanto Lucas notificou exatamente a perspectiva dominante entre os cristãos primitivos (Lc 1.1-3).

Creio que esses aspectos ‘explicam’ as discrepâncias nas fórmulas batismais.

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* Mateus 28.19 é autêntico? Para Ricardo Nicotra a passagem trinitária de Mt 28.19 foi incluída por alguns após o Concílio de Nicéia. Da página 42 até 55 de seu livro, ele concentra energias para pelo menos colocar em dúvida a autenticidade das palavras de Mt 28.19. Nicotra diz que existe “evidência histórica de que a versão original muito provavelmente tenha sido adulterada.” (EPSU, p. 53). (Nicotra teria descoberto isso e Deus não foi poderoso em preservar a Palavra Dele...?)


1) Ele mostra que citações de Eusébio de Mt 28.19 não incluem as palavras ‘em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo’, juntamente com a versão de George Howard. 2) Ele apresenta as referências de fazermos o uso do Nome do Senhor Jesus. 3) Todos os batismos realizados em Atos foram feitos em Nome de Jesus. 4) Nenhum outro uso do Nome do Pai do Filho e do Espírito Santo foi usado na Bíblia. 5) Várias autoridades históricas são invocadas para indicar o Batismo em nome de Cristo, ao passo que o batismo, conforme Mt 28.19, seria um desvio.


Analisemos as objeções


1) Sobre Eusébio, Nicotra diz: “Na maioria das vezes suas citações de Mateus 28:19 eram muito semelhantes a esta: “Ide e fazei discípulos de todas as nações em meu nome, ensinando os a observar todas as coisas que eu vos tenho ordenado [...] Temos plena convicção de que se os manuscritos que Eusébio tinha diante de seus olhos dissessem “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” ele jamais teria citado como citou “em meu nome” apenas.” (EPSU, p. 53). Mas depois ele acrescenta duas informações que deixam essa ‘prova’ em suspense:


A) “Segundo a Enciclopédia de Religião e Ética, volume 2, pág. 380, Eusébio citou 21 vezes a comissão de Mateus 28, ou omitindo tudo entre “nações” e “ensinando-os” ou, na forma mais frequente, “fazei discípulos de todas as nações em meu nome”.


B) “É interessante notar que no final de sua vida, após o Concílio de Nicéia, Eusébio incluiu em obras como “Contra Marcelo de Ancira” e “Sobre a Teologia da Igreja” citações de Mateus 28:19 incluindo o batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”


Conclusão: Ricardo Nicotra gira em torno de ‘evidências’ subjetivas. As provas são inconstantes, pois Eusébio não foi textualmente fiel em suas citações, como ele mesmo atestou. Mas mesmo assim, citou o batismo trinitário! Nicotra dificilmente aceitaria 1 João 5.7 por causa da citação de Cipriano, que disse em 250 AD as palavras trinitárias! A ‘prova’ apresentada em torno de Eusébio não é confirmada por nenhum manuscrito. E mesmo que fosse, tais ainda seriam contados e/ou pesados!


Sobre George Howard: Esse mesmo estudioso incluiu o tetragrama no NT para alegria das Testemunhas de Jeová. Um tempo depois rejeitou, ele mesmo, a teoria que apresentou.


Sobre a versão que ele exibe, sem nenhuma prova de um MSS sequer, é impossível agradar até mesmo Nicotra:


““18 Jesus, aproximando-se deles, disse-lhes: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. 19 Ide 20 e ensinai-os a observar todas as coisas que vos ordenei para sempre.” - Mateus 28:18-20. (Na Tradução de George Howard em Hebraico). Por essa versão de Howard nem mesmo o batismo Jesus teria ordenado.


2) 36 textos que ensinam usar o nome de Jesus: Não temos o que dizer aqui. Pois não se trata nenhuma objeção ao ensino de Mt 28.19.


3) Correto. Com isso discordo quando ministros evangélicos celebram casamentos ou oram em Nome do Pai do Filho e do Espírito Santo. Mas não posso discordar de Mt 28.19.


4) Autoridades históricas citadas na página 50: O batismo foi mudado pela igreja católica no segundo século? A fonte não tem a concepção protestante de igreja católica, pois todos sabemos que a Igreja Romano surgiu bem depois. O DIDAQUÊ um documento do fim do primeiro século início do segundo (cerca de 110 AD) já fazia menção do batismo no nome da trindade! Além também de dizer que o ‘batismo era feito no nome do Senhor’...


A citação de Justino é ainda mais problemática. Pois ele estava aqui nesse mundo por volta de 165 AD!!! Se o Didaquê e Justino afirmam o batismo trinitário (com base em Mt) o argumento de Nicotra que o trinitarismo surgiu por volta do sec. IV, vai por água abaixo.






Mateus 28.19 é um forte testemunho em favor da Trindade, mas claro que não é o único. Ricardo Nicotra serviu na verdade, a causa do diabo, quando atacou a confiabilidade bíblica, para atacar a doutrina Trinitariana.


Concluo com uma parte da Teologia Sistemática Trinitariana:


“Na grande comissão missionária para a evangelização das nações como testemunho de Jesus Cristo, pelo poder do Espírito Santo que fora enviado pelo Pai:


“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.” (Mt 28:19). Esse versículo do fim do evangelho de Mateus, certamente é o mais conhecido quando se menciona a doutrina trinitariana. Fica mais do que evidente a existência das três pessoas da Divindade e que são o mesmo Deus, pois Deus não compartilharia essa glória de batizar discípulos Seus de todas as nações com mais ninguém que não "participasse" da natureza divina, ou melhor, que fosse Deus. Cristo disse "em nome" e não "nos nomes". Portanto, Pai, Filho e Espírito Santo representam o nome de Deus.” (p.139).

sábado, 22 de outubro de 2011

O Dom de Línguas cessou

Nas igrejas pentecostais (ou ‘glossolalianas’), não existem línguas bíblicas de maneira alguma. Nem no modo de Atos 2, nem de 1 Coríntios 14. O primeiro caso foi definitivamente o sinal de Deus para universalidade da Igreja, e como tal de caráter evangelístico. O segundo caso é normativo. ‘Quem cuida ser profeta’, dizia Paulo, ‘reconheça que o que vos escrevo, são mandamentos do Senhor’. No primeiro caso foi irresistível, milagroso. No segundo caso é controlável. No primeiro caso, diversos falaram para as audiências especificas. No segundo precisava de interpretes. Esses são alguns resumos da natureza do dom línguas na Bíblia. Ainda que exista alguma diferença funcional, a natureza era a mesma.

Antes de prosseguir, devemos dizer que 1 Co 14.27, 28 nunca foi respeitado nas igrejas glossalianas, se fosse o caso. Nunca um profeta se levantou e sensibilizou o povo, se fosse o caso, a obedecerem a Palavra de Deus. Parece-me que a Palavra de Deus não tem muita importância quando se disputa esse assunto no ‘pentecostalismo tradicional e moderno’. Porém, pra mim, eles não podem obedecer 1 Co 14.27,28 por ser exatamente o ponto nevrálgico do assunto...

AS PROVAS DE QUE O DOM DE LÍNGUA CESSOU:

1) Falta de qualquer conformidade com os padrões bíblicos: A prova que temos para mostrar que algo não existe, é simplesmente mostrando que não existe evidências para aquilo que se procura! No caso em apreço, é simples. O que está na Bíblia não é seguido nem obedecido e nem demonstrado nas igrejas pentecostais. Pode ser uma experiência real de genuína emoção religiosa, honesta e pura? A sim... pode e creio que o é na maioria dos casos. Mas daqui dizer que é o que está na Bíblia, é outra história.

Conheço um grupo glossolaliano que certa vez uma mulher interpretou essas repetidas línguas como dizendo que o Espírito Santo afirmou que ‘iria fazer uma obra’. Então isso significa que por mais de décadas que aquela pessoa falava em línguas ela estava repetindo: ‘Deus vai fazer uma obra, Deus vai fazer uma obra, Deus vai fazer uma obra’?

2) Sem utilidade doutrinária: Aos meus queridos irmãos pentecostais (‘glossolalianos’), como se edifica uma igreja onde centenas de pessoas falando em sons repetitivos, e na maioria iguais? Ex: Bala-bala-bala-isturicantas-néveas? Muitos dizem que isso edifica as pessoas internamente. Mas como? Da mesma maneira que me edifica chorar ao ouvir uma mensagem bíblica? Uma música cristã? Ler um salmo no momento oportuno? Receber uma visita de um irmão em tempo de provação? Pelo jeito é a carga emocional, que eles se sujeitam, ou são de fato submersos (quem não é!?), que os glossolalianos experimentam. Essa edificação do espírito que eles tentam contrabandear de 1 Co 14.2 na verdade pode ser experimentado em qualquer outra descarga emocional.

A Bíblia diz que a proposta das Línguas é evangelística: “De sorte que as línguas constituem sinal não para os crentes, mas para os incrédulos [...]” 1 Co 14.22. Por isso TODA MANIFESTAÇÃO DE LÍNGUAS DEVERIA SER INTERPRETADA, pelo menos era assim para Paulo (1 Co 14.28).

3) 1 Coríntios 13.8 ‘havendo línguas cessarão’: Esse texto é foco de atenção no debate da cessação dos dons. Os ‘glossolalianos’ dizem que é uma prova que as Línguas cessarão apenas quando vier o que é ‘perfeito’, que pelo jeito Paulo pensa em algo escatológico.

Primeiro que a Palavra não diz que eles ‘falavam línguas em parte’. A vinda do que é ‘perfeito’ eliminaria o que era ‘em parte’, a saber: Conhecimento e Profecia. Exatamente pela natureza da Vinda do Reino Escatológico. Quando estivermos lá, veremos aquilo que especulávamos (‘em parte conhecemos’) e também experimentaremos o cumprimento do que fora predito (‘em parte profetizamos’). Mas onde foi dito que ‘em parte falamos em línguas’?

Segundo que foram as instruções de Paulo que indicaram quando é que cessaria o dom de línguas. Ele indispõe do uso das línguas caso haja ‘revelação, profecia, ciência ou doutrina!’, ainda que ele tivesse o Dom, ele diz que a Igreja deve progredir (1 Co 14.6,12,18,19). Note que ele ordena o silêncio para a Língua sem interpretação, mas não apresenta tal proibição para ‘profecia, revelação e/ou doutrina’. Isto é penoso quando se tratando de um dom miraculoso. Com qual autoridade Paulo colocaria as Línguas em tal classificação inferior (1 Co 14.19)? Exatamente por que ele havia dito que as línguas cessariam! Ele incentiva a busca do dom de profetizar mas não o faz com o dom de línguas, a não ser que este fosse interpretado (1 Co 14.5).

Quando ele diz que a Igreja deveria buscar os melhores dons, isto significa que alguns seriam suplantados (1 Co 14.24,39)! Pensemos: A Igreja cristã Primitiva obedeceu a essa orientação, buscaram os melhores dons que edificaria a Igreja, a profecia e a revelação foi sobreposta aos dons de línguas que não era para a igreja. A medida que novas comunidades cristãs formavam-se em territórios estrangeiros a objetividade do Dom de línguas perdia-se.

É assim que se cumpriu o que Paulo dissera, ‘quer haja línguas cessará’!

Crisostomo e Agostinho (uns 300 anos depois de Apocalipse) disseram que as línguas cessaram nos dias Apostólicos.

A NATUREZA DAS LÍNGUAS EM ATOS É DIFERENTE DA DE CORÍNTIOS?

Vejo uma celeuma muito grande em torno da etimologia das palavras em grego que traduz o termo ‘língua’. Depois comentaristas (muitos até mesmo de procedência Calvinista) insistindo que a natureza das línguas em Atos 2 é diferente de 1 Coríntios 14. Mas esse é o tipo de falácia que seduz muito os amantes de dicionários bíblicos e léxicos. Observemos que no nosso uso diário da língua fazemos usos de diversos termos que não são com a sua etimologia e/ou filologia que construímos um discurso. Na verdade é o contexto que determina o uso de certo vocábulo, e não a etimologia que determina o texto.

No contexto geral bíblico não existem dois tipos de línguas, mas um só. Tanto que as línguas são cumprimento de profecias (1 Co 14.21 compare com Isaias 28.11). Não existem ‘línguas angélicas’, nem um tipo de ‘língua inexistente’ na terra, sendo do domínio do Espírito. Jesus disse em Marcos 16.17 que seus discípulos falariam ‘novas’ línguas. E o que vemos em Atos 2 é que essas novas línguas eram novas para quem falava. Se existe nuanças na denotação no uso da palavra ‘línguas’, ela não foi pretendida em todos os textos bíblicos.

Aquele argumento também é destruído pela seguinte realidade: Os autores bíblicos eram diferentes, e o arcabouço linguístico e perceptivo eram distintos. Marcos, Lucas e Paulo tinham formações diferentes.

Já está provado que a experiência de falar em línguas, sob descarga religiosa, é uma experiência não só entre as igrejas pentecostais, mas em seitas, religiões antigas, etc. Já li alguns partirem para essa direção ao estudarem os dons de línguas nas Escrituras. Mas definitivamente este não é o caso. Na Bíblia as pessoas falavam em outros idiomas coisas inteligíveis (At 2.4,5,6). O fenômeno religioso da ‘glossolalia’ não tem nada em comum com isso. A variedade de línguas como dom ( 1 Co 12.10) era produto do Espírito Santo, como Pedro explicou (At 2.16,17).

Os três outros casos em Atos

Atos 10.46: Lucas nos diz que os gentios falaram em línguas. Não haveria outro meio mais claro para os cristãos judeus ali presentes, que os gentios receberam o Espírito Santo. O milagre de falar em línguas estava bem fresco na memória deles. Julgar que a turma de Cornélio tenha falado como os ‘gloassalianos’ da atualidade é no mínimo um contra senso. Pedro concluiu que foi ‘assim como nós recebemos’, isto é, a experiência era semelhante do que aconteceu no pentecostes de Atos 2. Eles falaram em outros idiomas.

Atos 8.17: De alguma maneira ficou evidente que os Samaritanos receberam o Espírito Santo. Julgo que eles tenham falado em línguas, mas em todos os casos que acontecia ‘o milagre dos idiomas’, Lucas registrava. Seria essa a única exceção? Não sei.

Atos 19.6: O último caso envolve os discípulos que estavam ainda estavam na transição teológica. Eram batizados apenas no batismo de João e nunca ouviram falar que existia o Espírito Santo! Meus Deus! Em última análise nem cristãos eles eram, embora fossem chamados de discípulos. Esses quando recebem o Espírito falaram em línguas. O que está acontecendo desde Atos 2 em casos cruciais.

Muitos procuram distorcer as evidências bíblicas ao dizerem que o Batismo no Espírito Santo deve sempre ser seguido pelo dom de línguas, por causa desses casos registrados em Atos. Como resposta, apresento o seguinte:

1) Os tais casos estão mais ligados com a presença apostólica e/ou imposição de mãos dos mesmos do que com o fato de crerem. Ou seja, a identificação da Igreja com os Apóstolos era o foco.

2) Na verdade os casos são poucos em comparação com o que Lucas registra. Quantas conversões estão registradas em Atos sem ao menos o fato das línguas serem mencionadas?

Alguns exemplos: 2.41,47;4.4;5.14;6.1;8.36-38;9.31;11.20-26;13.12,48;14.1;16.5, 14, 15, 33;17.4,11,34;19.18. Não podemos ser dogmáticos. Porém a quantidade excede incomparavelmente, sem evidências que o dom de línguas seria necessário para provar que esses cristãos recebiam o Espírito Santo.

CALVINISTAS FALAM EM LÍNGUAS? SIM... REFORMADOS NÃO!

Conhecemos primorosos irmãos que são ‘continuistas e/ou pentecostais’ e ao mesmo tempo são calvinistas. Isto é possível, pois o Calvinismo, de modo genérico, comporta apenas 5 pontos. Mas o REFORMADO, VERDADEIRO PRESBITERIANO, não pode compartilhar desta prática. Mais ou menos acontece com os Batistas. Eles podem ser até Calvinistas, mas é impróprio dizer que é REFORMADO, a não ser que use o termo como sinônimo de CALVINISTA.

O REFORMADO crê que a Escritura não apóia a prática atual das línguas. A não ser que a mesma seja norteada pelas Escrituras. O que, nem de longe, tem acontecido.

CONCLUSÃO

Nenhum cristão tem o direito de duvidar da genuinidade emocional dos cristãos ‘glossolalianos’. Mas temos o direito de duvidar da utilidade desta prática. E mais importante, temos o direito de negar que esta seja uma orientação bíblica para vida cristã ou para liturgia da Igreja. Eu não posso dizer exegéticamente que todos os dons cessaram, mas como PRESBITERIANO, REFORMADO E BÍBLICO, não vejo que as línguas da atualidade são estritamente bíblicas, nem que as línguas conforme delineadas nas Escrituras continuaram após o fechamento do cânon.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Para a IPB: Se a IURD e IMPD são seitas e a Igreja do R. R. Soares?

Sabemos que a decisão do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana foi a favor de identificar a Igreja Universal e a Mundial do Poder de Deus como seitas. As razões, claras, estão no misticismo e o comércio da fé que essas seitas praticam. Mas uma coisa ficou no ar, vários presbiterianos estão se perguntando: A Igreja Internacional, também é seita?


Talvez três fatores podem ter contribuído para o assunto não ser tratado:


1) O Concílio não foi consultado sobre a igreja de R. R. Soares, mas a respeito das outras  ‘empresas da fé’ de Edir Macedo e Valdemiro Santiago. Esse é o motivo principal e o mais evidente.


2) As pregações de R. R. Soares estão livres do misticismo que vemos em suas igrejas. Tendo essa falta de uniformidade entre o que ele prega e as práticas espíritas-evangélicas de seus pastores espalhados no Brasil, vai  dificultar a conclusão.


3)  O fato de alguns Reverendos Presbiterianos ficarem passeando lá no programa ‘Vejam Só’, pode dar a impressão que a IPB teria alguma simpatia pela Igreja de R. R. Soares, dona da emissora. Ou isso poderia ter produzindo ‘um rabo preso’. 


O que fazer ao receber na IPB membros da Igreja da Graça? O Conselho local pode usar a decisão destinada a IURD e IMPD? Esse é um assunto que pode ser tratado dentro de suas limitações conciliares, mas o que vejo é que as igrejas de R. R. Soares  é a mesma dos concorrentes. O dono, R. R. Soares tem pregado de uma maneira mais branda, e parece que, pelo menos na TV,  ele não vai até onde anda seus pastores. Mas ele não faz nada para impedir. Eu já vi campanha da Igreja da Graça usando ‘sabonete milagroso’, ‘unção de bala para criança desobediente’ e ‘unção da fronha’.


Mas surge outro problema: Várias igrejas pentecostais estão seguindo para o mesmo caminho. O que irá sobrar nesse desvio coletivo da fé evangélica? Os pastores Presbiterianos (e os Calvinistas de tradição Batista) precisam firmar suas convicções bíblicas. Se apegarem fielmente aos Símbolos de Fé para uma unidade mais perceptível, bem como trabalhar pelas resoluções do Supremo Concílio. 


Um monte de pessoas está abandonando as empresas da fé dos Três Cavaleiros Templários da Prosperidade. Muitos não sabem, nem o que é salvação pela graça, nunca ouviram um ensino sobre a Trindade, batizaram para receber mais bênçãos, pagam o dízimo para serem salvos, tomam ceia para que o mal saiam de dentro si mesmos... como achar que estou diante de um cristão de fé e prática???

domingo, 9 de outubro de 2011

Poderia o ministério de Ellen White ser uma ‘operação do erro’ de Satanás?

Essa postagem não é uma ofensa, nem mesmo uma ‘bravata irresponsável’. Gostaria que observasse os dados bíblicos e comparasse com o que resultou no que é classificado como ‘ministério profético de Ellen White’. Se errarmos, é com base naquilo que julgamos a partir dos frutos revelados. Então...

(LEU A POSTAGEM DO LEANDRO QUADROS SOBRE ESSE TEMA? VEJA A MINHA RESPOSTA AQUI.)

Considerando que... Ellen White se desviou de uma igreja cristã! (Hb 6.1-5; 1 Jo 2.19)

Considerando que... Ellen White não se importou com advertência de Jesus em Mt 24.36! (Lc 21.8)

Considerando que... Ellen White conviveu e comungou com arianos que blasfemaram contra a doutrina da Trindade... (Jd 4)

Considerando que... Ellen White disse absurdos que hoje são omitidos de seus livros.
Considerando que... Ellen White plagiou muitos de seus livros e disse que era revelação. (Ex 20.16)

Considerando que... Ellen White foi umas das pessoas que mais chamaram O Dia do Senhor de marca da Besta demoníaca... (Ap 1.10)

Considerando que... Ellen White aceitou ser considerada uma mensageira inspirada para o tempo do fim! (Jr 23.16)

Considerando que... Ellen White canonizou uma doutrina que ensina que o Senhor Jesus entrou no Santíssimo apenas em 1844. (Hb 9.24,25)

Considerando que... Ellen White ensina que satanás levará por fim a punição dos pecados dos salvos. (Is 53.5)

Considerando que... Ellen White chamou as falsas profecias dos adventistas de acontecimentos Bíblicos.

Considerando que... Ellen White ensinou que a porta da salvação ficou fechada de 1844 até 1851.

Considerando que... Ellen White considerou ALGUMAS RAÇAS de pessoas, que são imagem de Deus, sendo resultado de cruzamentos de animais com pessoas.

Considerando que... Ellen White ensinou que a salvação na ‘angústia final’ ou grande tribulação, será pela guarda do sábado.

Considerando que... Ellen White estava suscetível ao espiritismo, visto que tinha ‘alucinações’(visões e sonhos) intermináveis.

Considerando o que a Bíblia diz “A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira, E com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira [...]” 2 Tessalonicenses 2:9-11


CONCLUSÃO

Poderíamos propor que esse ministério profético/místico que surgiu em torno dessa senhora iludida, pode ser sim, uma operação do erro que Deus enviaria para as pessoas que não aceitam Sua Palavra, Sua Verdade. A operação que Satanás teria liberdade de fazer de caráter religioso.

Acredito que meus amigos adventistas não se sentirão ofendidos com essa possibilidade, na verdade probabilidade. Pois é por amor, que temos postado isso. Aos irmãos ‘adventistas’, salvos por Cristo, que estão libertos desse ‘espírito’, mas ainda estão na IASD. Que sejam corajosos em ajudar outros a se libertarem de Ellen White.

Deus nos ajude!

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

William Marrion Branham sob escrutínio – Parte 1

WMB, foi bem sucedido em suas campanhas evangelísticas. Tipo os ‘apóstolos’ da atualidade, e temos visto várias pessoas de alguma maneira são beneficiadas com as curas por eles efetuadas. Eu mesmo conheci uma pessoa que foi curada por um desses apóstolos. Existem igrejas que giram em torno de milagres e revelações, como é o caso da Congregação Cristã no Brasil.

Os milagres de WMB são invocados como prova de seu ministério profético. Mas isso não confirmaria necessariamente os apóstolos da atualidade. Podemos até encontrar comprovação dos milagres exibidos, mas entre isso ser verdade e a autenticação da mensagem vir a partir disso, pode haver um abismo. WMB mesmo disse que os sinais não são determinantes sem a palavra.

Por isso, e após receber alguns livros de WMB, de um apologista dele, (VEJA O SITE DELE AQUI) passarei a postar algumas coisas a respeito de WMB. Gostaria de salientar que WMB deu um bom exemplo de humildade financeira.

1) Em seu principal livro, Sete Eras da Igreja, percebe-se que ele não sabia interpretar a Bíblia. Suas interpretações são fracas e estão bem próximas das imaginações gratuitas dos intérpretes alegóricos, ou das pessoas da Congregação Cristã. Iremos demonstrar isso em postagens posteriores com base no livro citado.

2) Ele foi um forte opositor da doutrina da Trindade. E este é o ponto nevrálgico de seu erro. Ele insiste em não apresentar corretamente a definição trinitária. Ele faz o jogo do marketing distorcido, ou constrói o monstro de palha, dizendo que a crença em três deuses é a crença na Trindade (pg 7).

3) Já discutimos muito aqui no blog sobre o que ele disse de 1977, e parece que WMB estava bem convencido disso. Embora não teve visões sobre essa data, no livro ele demonstra que o fim estava bem próximo de seus dias. Ele disse (‘semelhante’ ao que disse Ellen White) que surgiu sinais no céu como prova que Jesus estaria para voltar:

“Aqui está o sinal. O último eclipse da lua foi um eclipse total. Ela minguou até uma total escuridão, em sete estágios. No sétimo estágio, a escuridão total chegou quando o Papa de Roma (Paulo VI) foi à Palestina para fazer um passeio santo em Jerusalém. O papa chama-se Paulo VI. Paulo foi o primeiro mensageiro e este homem usa esse nome. Note que é o sexto, ou número do homem. Isto é o fim. Não passará esta geração até que tudo aconteça.” (pg 324, negrito meu). Esse evento ocorreu em seus dias. Esses acontecimentos, sete sinais, apontavam para 1977, pelo menos ele achava assim. No livro Sete Eras ele não deu advertências de cautela de que poderia estar errado como deu em outras ocasiões. E isso, tato os apologistas protestantes bem como os apologistas de WMB deveriam pesar.

4) Embora ele não tenha dito que ele era o mensageiro da era de Laodicéia (umas das interpretações mais infantis dos dispensacionalistas, medíocres por sinal, quem quer que tenha defendido isso...) ele coloca a disposição do mensageiro para ser interpretado como sendo ele. Não sei por que alguns defensores negam que ele se sentia o mensageiro da era de Laodicéia (pg 291 a 298, 306)

5) Diz que Deus vomitou os Batistas por causa de seus credos, os Metodistas por causa do batismo por aspersão e os pentecostais por causa dos sentimentos, dizendo que todos estes deixaram a Bíblia, A Palavra... (305).

6) Outra afirmação estranha foi ele insinuar que as mulheres não deveriam trabalhar fora de casa! Bem diferente da mulher de Provérbios 31. Não sei se a turma do Tabernáculo da Fé leva isso a sério... (310)

7) Ainda tem o carro bolha de plástico, que era um dos sinais que aconteceria antes de Cristo voltar... parece que isso não ‘vingou’ muito!



SOBRE A DOUTRINA DA TRINDADE

Irei usar o que WMB algumas coisas que ele escreveu sobre a Trindade em seu principal livro, Sete Eras da Igreja.

1) WMB comete o marketing do monstro de palha. Isto é, dá a conclusão errada. Ele diz que crer em três deuses é errado, portanto, diz ele, não se deve crer na doutrina da Trindade (pg 7, 14). Visto que são pessoas distintas, e cada uma sendo Deus, logo deveria ser três Deuses, diz ele.

RESPOSTA: Isso é ser intelectualmente desonesto! A Teologia Cristã jamais usou o termo desta maneira. Ele deveria ao menos trabalhar em cima da definição ortodoxa e não causar a impressão que propagou. WMB age como que a definição ‘Um Deus em essência e três pessoas distintas’ seja o mesmo que TRÊS DEUSES!

2) Um Deus e três pessoas é irracional, Deus é uma pessoa com três ofícios! Ele zomba quando chamamos isso de mistério. Dizendo até que a linguagem perde sentido...

RESPOSTA: Mas vamos usar o próprio argumento dele. Ele disse que Deus tem três ofícios, e além disso, não nega que isso também seja um mistério (pg 9)! Ele, e qualquer um sabe muito bem, que três ofícios em uma mesma pessoa não se comunicam, não comungam realmente e nem podem relacionar-se pessoalmente. Para o modalista seria uma comunicação misteriosa Deus falar consigo mesmo.

WMB que comete o erro que acusa!

Agora irei mostrar UMA PESSOA E TRÊS OFÍCIOS DE FATO (e como é impossível biblicamente ser modalista):

Cristo, Ele tem três ofícios relacionado com seu povo e é uma ÚNICA Pessoa.(WMB usa Profeta, Cordeiro e Filho. Ele não usa a definição conhecida do protestantismo, pg 10). Então uma objeção ao que WMB considera sendo a natureza de Deus é: COM ESSES OFÍCIOS, NUNCA VEMOS NA ESCRITURA, O PROFETA CRISTO CONVERSANDO COM O CRISTO CORDEIRO, NEM O CORDEIRO FALANDO COM O FILHO CRISTO!

Deus Pai, é uma pessoa... Por isso ele fala com o Filho... O Espírito glorifica o Filho!

3) Pai, Filho e Espírito Santo são títulos e não nomes. WMB deixou de entender que isso é um anacronismo, e não se aplica o que é coloquial hoje na Escritura. Vamos ler Is 9.6: “Um filho se nos deu, e o seu NOME será [...]”. Depois o profeta DE DEUS diz que Deus, Pai, Príncipe, Conselheiro, eram nomes na perspectiva bíblica. Ex 34.14: “meu NOME é ciumento”. Não existe títulos na Bíblia, mas sim nomes (pg 9)!

4) A trindade introduzida no Concílio de Nicéia. Em 325 d.C o tal concílio debateu sobre a divindade do Filho, e não necessariamente sobre a doutrina da Trindade. Isso que WMB diz é inexato (pg 8). O Credo Niceno nem mesmo cita a palavra Trindade. E ele sabia disso.

No momento é uma visão geral do que percebi na leitura do livro Sete Eras da Igreja de Willian Marrion Branham. Mas tenho dois compromissos com o assunto: Mostrar suas infantilidades hermenêuticas sobre Apocalipse e tratar do assunto prometido: O batismo em Nome de Jesus Cristo.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Sobre ciência e fé... 5

5 Razão


Ainda podemos mencionar que acreditar na própria razão como  valorosa exige um passo de fé. Aqui, não é necessário que a discussão seja apenas sobre ciência e fé, mas epistemologia em geral. Vale observar que todos pressupõe ser a razão, a lógica, algo de um caráter ontológico ‘simbiótico’ à realidade. Assim, “porque elas são também leis do ser, podemos usá-las para apreender a estrutura lógica do mundo” (NASH, 2008, p.210).
De fato, vários pensadores apresentam argumentos observando que devemos presumir a lógica para raciocinar.
Nash observa que, apesar de a lei da não-contradição (“A não pode ser B e não-B, ao mesmo tempo e no mesmo sentido” NASH, 2008, p.210) não poder ser provada diretamente (pois todo argumento pressupõe a lógica, de modo que o raciocínio seria circular, ou seja, o que se quer provar já está admitido nas premissas), ela é indiretamente provada se observarmos que a eliminação dela impossibilita a existência do pensamento significante, da conduta humana significante, e da comunicação significante (o que impossibilitaria um argumento para refutar a própria lógica). Isso porque a distinção entre as coisas é eliminada.  Se B é essencialmente algo, e ao mesmo tempo é essencialmente algo diferente, B é tudo. Gordon H. Clark explana: “Se declarações contraditórias são verdadeiras em relação ao mesmo objeto e ao mesmo tempo, evidentemente todas as coisas serão a mesma coisa. [...] Todas as diferenças entre as coisas se desvanecerão e tudo será um” (CLARK apud NASH, 2008, p. 211).
Chesterton observa de maneira muito semelhante: “A própria razão é uma questão de fé. É um ato de fé afirmar que nossos pensamentos têm alguma relação com a realidade por mínima que seja” (CHESTERTON, 2008, p.56); e que [apesar do viés tomista do pensamento] “ambas [religião e razão] têm a mesma natureza primária e autoritária. Ambas são métodos de comprovação que não podem elas mesmas ser comprovadas” (CHESTERTON, 2008, p.58).
 Budziszewski também comenta: "O mote 'apenas a razão!' é completamente sem sentido. A própria razão pressupõe fé. Por quê? Porque uma defesa da razão pela razão é circular e, portanto, sem valor” (BUDZISZEWSKI apud GEISLER; TUREK, 2006, p. 133).
A questão é que o mundo pode ser totalmente caótico, e a lógica, que presumimos corresponder à ele, não o fazer. Estaríamos caminhando, ao lado de Nietzsche, rumo à loucura, e isso não seria nada, paradoxalmente falando, ilógico. É uma possibilidade lógica o fato de a lógica não corresponder à realidade.
Assim, de fato, presumimos a lógica, e que ela corresponde ao mundo, ao ser.




Continua...




 Bibliografia

CHESTERTON, Gilbert K. Ortodoxia. Tradução de Almiro Pisetta. São Paulo: Mundo Cristão, 2008. 264 p.

GEISLER, Norman; TUREK, Frank. Não tenho fé suficiente para ser ateu. 2006, 420 p.

NASH, Ronald H. Questões Últimas da vida: uma introdução à filosofia. Tradução de Wadislau Martins Gomes. São Paulo: Cultura Cristã, 2008. 448 p.