terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

7 perguntas aos cantores Adventistas que cantam em IPBs


Quero colocar aqui alguns questionamentos aos cantores adventistas que vivem procurando igrejas protestantes para cantar, e que também são procurados por elas. Escrevo isso como presbiteriano, e por esse assunto noto como o presbiterianismo no Brasil está sem identidade. Um cantor adventista “ministrando louvor” em uma Igreja Cristã, é dar o espaço litúrgico a hereges, cujas vidas são instrumentos do inimigo da Igreja de Cristo. 

Esses dias fiquei sabendo que Leonardo Gonçalves iria cantar (já cantou...) em duas IPBs. Coisa abominável no arraial, fogo estranho, será ministrado aos que ali estiverem. Não estou dizendo isso do cantor adventista, mas ele não comunga a fé Protestante dessa IPB, (muito menos a Reformada, mas não é requesito). Ele será apenas instrumento do engano.

Se eu o encontrasse em uma IPB, pediria a oportunidade para fazer algumas perguntas a ele, as quais são:

1.      Você discorda de Ellen White que o Domingo será a marca da Besta, dia esse que essa Igreja que você ministrará ensina como DIA DO SENHOR?
2.      Você discorda de Ellen White que o ensino da imortalidade da alma e do inferno é diabólico, ensinos esses que essa igreja ensina como verdade Bíblica?
3.      Você discorda de Ellen White quando essa ensina que o diabo será punido pelos pecados do salvos, já que essa Igreja ensina que Cristo foi satisfatoriamente punidos pelos nossos pecados?
4.      Você discorda da IASD, quando essa diz que a Bíblia tem erros?
5.      Você passa a crer na doutrina da Trindade conforme definida biblicamente nos Credos históricos, que essa Igreja adota como definição da Divindade?
6.      Você nega a crença exclusivista em torno de Ellen White, que diz que essa é A manifestação do espírito de profecia no tempo do fim?
7.      Você vê essa Igreja que “ministrará louvor” como sendo a Igreja Verdadeira e Remanescente?


Se ele respondesse sim, ainda assim pediria a ele passar por uma classe de discipulado/catecúmeno, e recebesse o batismo cristão. Depois de seis meses daria a oportunidade a ele desenvolver seus dons. Caso negue alguma dessas proposições, aconselharia ele não ‘se sujar com Babilônia’, já que é isso que a sua profetisa Ellen White diz do Presbiterianismo!

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Evangelização de Muçulmanos

"Se você reside em uma área em que há muitos Muçulmanos , está envolvido em atividades evangelísticas ou simplesmente tem interesse em saber mais sobre como evangelizar Muçulmanos, esse texto é para você.

Eu, particularmente, não sou adepto a métodos de evangelismo. O problema com o método é, usualmente, esse destaca-se acima da Palavra em si. É necessário, fundamental, que o evangelizador tenha consciência que somente o testemunho da Palavra pode, de fato, levar os Eleitos ao conhecimento verdadeiro de Jesus, gerando no evangelizado aquela crença autêntica e sincera que trazem a salvação. Os mortos não podem compreender a mensagem do Evangelho se não forem, primeiramente, ressuscitados espiritualmente em Cristo, para que, somente assim, vivos, agarrem-se esperançosos no Evangelho (“Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”; 1 Coríntios 2:14 ).

Trocando em miúdos, o método NUNCA pode se tido como forma de “salvar” alguém. Infelizmente, alguns métodos evangelísticos, ou melhor, “proselitantes”, surgem prometendo verdadeiros milagres. Alguns chegam ao absurdo de levar seus entusiastas e dizer que antes do método não conheciam verdadeiramente a Jesus. Sendo assim, ao invés de um método para Evangelizar Muçulmanos, você precisa de esclarecimento sobre como o Muçulmano vê a fé Cristã e a fé Islâmica, bem como precisa entender como o Muçulmano provavelmente reagirá diante de cada argumentação sua.

Evangelizar um Muçulmano é diferente de “converter” um sujeito do Arminianismo para o Calvinismo. É muito diferente de se evangelizar um católico, por exemplo.

Tenha em mente um ponto muito importante o tempo inteiro em que estiver dialogando com um Muçulmano: seja paciente, não tente jogar na cara que seu amigo Muçulmano está errado (jamais) e dê bom testemunho. Convencer alguém sobre algo não é a coisa mais difícil do mundo, mas converter uma pessoa é algo que só o Espírito Santo pode fazer, e isso acontecerá por meio da Palavra, seja por ela verbalizada por seus lábios ou seja por ela convertida em ações por meio de seu corpo.

Você jamais deve ver o Muçulmano como um adversário intelectual que precisa ser vencido. Se você age assim, é melhor entrar em um fórum de discussões teológicas na internet e brigar à vontade. No entanto, se seu objetivo é apresentar Jesus ao Muçulmano, você deve auxiliá-lo, não derrotá-lo.

Entenda que o Muçulmano está cegado por sua própria religião. O Islã é uma religião que surgiu após o Cristianismo (embora os Muçulmanos aleguem que o Islã é a primeira religião do mundo, tendo Adão como seu primeiro adepto), por isso o Cristianismo é mencionado frequentemente no Alcorão e na Hadith (escrituras sagradas do Islã). No entanto, a visão Islâmica do Cristianismo é de que os Cristãos deturparam o Evangelho, de que estão vivendo uma religião falsa. Eles não acreditam na Bíblia Sagrada que temos em mãos; acreditam que foi corrompida ao longo dos anos. Acreditam, sim, que Jesus (Isa’, conforme eles dizem) trouxe o Injil (Evangelho) ao mundo, mas que esse Evangelho não foi escrito; dessa forma os Evangelhos que possuímos são falsos, não o Evangelho verdadeiro de Jesus. Para eles, Jesus veio pregar o Islã e a vinda de Muhammad (Maomé).

Ao meu ver, há alguns mestres Muçulmanos bem instruídos e que defendem muito bem sua fé. No entanto, esses são a exceção, não a regra. A grande maioria dos Muçulmanos carece de conhecimento. Eles não entendem direito a fé Cristã ortodoxa, não sabem muito sobre a Bíblia e nem sobre o plano da salvação. Por essa razão, às vezes você pode estar conversando sobre um tema com um amigo Muçulmano, certo de que ele está entendendo tudo, mas que, na verdade, ele está entendendo tudo errado devido às ideias já incutidas em sua mente.

Dois dos melhores temas para se conversar com um Muçulmano são sobre a certeza de salvação e sobre o relacionamento com Deus. Raros Muçulmanos têm certeza de salvação. A garantia de salvação é uma doutrina estranha ao Islamismo. Ninguém pode estar certo de ser salvo. O Muçulmano precisa cumprir ritos e mais ritos para agradar Allah. Se você deixar de cumprir algum rito, você perde crédito. Espontaneidade e voluntariedade são coisas quase inexistentes no Islamismo. Allah não é um deus que está interessado em seu coração, mas está interessado em sua ritualidade, em feitos mecânicos diários. Por essa razão, o relacionamento com Allah é praticamente inexistente. O relacionamento de um Muçulmano com Allah é frio e de patrão para empregado, não de pai para filho. Nem mesmo há garantia de que as orações são ouvidas. 

Por essa razão, sempre que tiver a oportunidade de contar sobre como Deus é presente em sua vida, de como o amor de Cristo o enche até mesmo em momentos em que não há muito motivo para sorrir, sobre como ao orar você sente paz e tem certeza de ter sido ouvido. Isso, no mínimo, deixará o Muçulmano curioso. Talvez ele até busque, por conta própria, falar com Deus. Ele poderá invocar Allah, em busca de relacionamento, mas quem ouvirá será nosso Pai, o qual mudará seu coração. Lembre-se: seu testemunho é o método mais importante, forte e válido. Aquilo que você faz, mais do que você diz, é o que poderá levar o Muçulmano a imitá-lo. Suas ações incutirão a semente do Evangelho no coração do Muçulmano e caberá ao Espírito Santo fazê-la germinar e crescer.

Tendo disso isso, passemos a um método ilustrativo de como iniciar um diálogo com um Muçulmano.

1)      Aborde qualquer pessoa. Faça perguntas para criar uma conexão, como “qual é o seu nome?”, “Como vai?”. Procure pontos em comum e/ou interessantes para começar um diálogo natural. Seja amigável e aberto. Quando houver a oportunidade (veja, não force nada. Tenha paciência e espere pelo momento adequado para cada pergunta importante, para qualquer pergunta que crie uma transição no diálogo), pergunte “Você é Muçulmano, hindu ou é de qual religião?”.

2)      Após receber a confirmação de que seu novo amigo é Muçulmano (nos ateremos a ele, mas você poderia/deveria continuar independentemente da religião de seu amigo), você pode tocar no assunto da religião novamente, demonstrando interesse em ouvir sobre a religião de seu amigo. Use um gancho, diga, por exemplo “A maior parte das religiões são até que bem parecidas, não é? As pessoas, no fim, estão apenas tentando agradar a Deus para poder irem para o céu, para serem perdoadas de seus pecados.” Provavelmente isso suscitará alguns comentários de seu amigo. Quando for o momento, questione: “Em sua religião, o que as pessoas, inclusive você, fazem para terem seus pecados perdoados?”.

3)      Ouça atentamente as explicações de seu amigo Muçulmano às perguntas anteriores. Você não só pode como deve instigá-lo a falar mais, questioná-lo sobre alguns pontos que forem apresentados. Não tenha pressa. Deixe que ele diga tudo o que sabe sobre o tema, mesmo que o assunto dure várias conversas entre vocês. Não tenha pressa! Quando você julgar que é o momento propício, faça essas três perguntas: “Seus pecados já foram pagos ou ainda precisam ser pagos?”; “Quando você pensa que seus pecados serão pagos?”; “Você acha que no Dia do Julgamento seus pecados serão pagos?”. Claro que, conforme o diálogo, nem todas essas perguntas serão feitas. Seja sábio, saiba como perguntar e o que perguntar. Entenda o objetivo de cada pergunta e as reformule conforme a necessidade.

4)      Dê seu ponto de vista particular para as três últimas perguntas, mesmo que elas não tenham sido feitas (todas as três). Testemunhe que você crê de forma diferente, que seus pecados já foram todos perdoados, não porque você é uma pessoa perfeita, embora você tente melhorar mais e mais. Expresse que seus pecados foram todos perdoados porque Deus proporcionou um meio pelo qual nossos pecados podem ser perdoados.

5)      Faça um paralelismo entre o pecado entrando no mundo por meio de um só homem (Adão) e saindo do mundo por meio de outro único homem (Jesus). Nesse ponto, apresente o meio de salvação: se nós entregarmos nossa vida a Jesus, recebendo-o como nosso Salvador e crendo que Ele, na cruz, pagou nossos pecados, tendo ressuscitado dos mortos, nossos pecados estarão perdoados.

6)      Conduza a conversa para um momento decisivo. Expresse: “Isso que estou te falando faz sentido, não faz? Nós somos pecadores por natureza. Um pé de maçã não produz uva. Da mesma forma, humanos pecadores não podem gerar um humano sem pecado. Por isso Deus permitiu que por meio de Jesus, que foi puro e jamais pecou, nossos pecados fossem perdoados. Assim, eu procuro ser bom não para ser salvo, mas porque minha natureza é nova, transformada, de modo que sinto prazer em fazer o que é certo porque o pecado não me agrada mais. Você acredita no que estou te dizendo, que Jesus morreu por nossos pecados e que ressuscitou?”.

Todos esses pontos apresentados podem apresentar dificuldades, por isso é importante conhecer mais e mais o que os Muçulmanos creem. Por exemplo, um Muçulmano não vê necessidade em sacrifícios para perdão de pecados. Para ele, Allah pode simplesmente perdoar os pecados quando quiser. Além disso, o Muçulmano não se vê como pecador. Ele não acredita no pecado hereditário. Ele crê que necessita apenas da ajuda de Allah para evitar pecar. O que fazer? Testemunhar, apenas isso. Apenas o Espírito Santo poderá convencer do pecado.

Há diversos outros problemas que podem surgir. Se você não conhece bem o Islã, será importante procurar conhecer mais, para estar preparado para responder (não atacar) sob o ponto de vista do Evangelho. Por essa razão, estude, leia livros sobre o tema. O tamanho de sua dedicação revelará o tamanho de seu desejo para que ouçam o Evangelho.


Por fim, confie apenas no Espírito Santo, jamais em argumentos. Seu dever é testemunhar usando a verdade, apenas a verdade. Seja paciente, ame aquele que estará tendo o privilégio de ouvir o Evangelho e trate-o como um bebê que ainda não teve coragem de aprender a dar os primeiros passos.


nEle."

- Wesley Nazeazeno, para o Blog MCA.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Antony Hoekema e o fim dos Dons

Por que não encontramos mais os dons do Espírito Santo, segundo o modelo Bíblico

O Cessacionismo não é uma opção, é a única resposta!



sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Como "Aos Hebreus" destrói a doutrina Adventista do Juízo Investigativo?


A Bíblia nos revela que Deus ordenou, para o período mosaico, um tabernáculo, um templo, um santuário para adoração, onde o seu povo ofereceria sacrifícios e ofertas, e seria conduzido pelos sacerdotes neste projeto de reconciliação permanente (Ex 26; I Rs 6). O templo não era muito grande, e tinha utensílios e uma câmara interna. O físico total desse templo era chamado de Santo e o recôndito interno, atrás da cortina era chamado de Santo dos Santos. A Bíblia nos mostra, na carta aos Hebreus, que tal templo era símbolo do próprio céu e do supremo serviço sacerdotal de Cristo quando subiu ao céu após a sua ressurreição.

Após uma década incomodando as igrejas cristãs, anunciando a volta de Cristo para 1843/1844, um grupo de imaturos cristãos, desviados e de hereges arianos, colheram os frutos de sua falsa profecia e desobediência ao Senhor Jesus (Mt 24.36).

O orgulho de Satanás continuou dominando partes do grupo, que recalculou outras datas. Outros, tentaram dar ‘um jeitinho’ na vergonha da falsa profecia. E difundiram mais uma interpretação para a data vexatória, 22 de outubro de 1844. Agora, sob orientações místicas de profetas sem limites, especialmente de uma jovem que sofria de moléstias mentais (alucinações que ela chamava de visões), de nome Ellen White, produziram uma reinterpretação que teorizam da seguinte forma – em 22 de outubro de 1844 Jesus entrou no Santo dos santos no céu.

Antes de mostrar como o desconhecido autor da carta aos Hebreus, divinamente inspirado, antecipou a destruição da mais importante doutrina Adventista, que na verdade é uma doutrina remanufaturada de uma dass maiores decepções profética que o mundo já viu, é necessário provar e verificar suas afirmações sobre essa entrada de Jesus Cristo no santíssimo em 1844.

Deixemos seus documentos oficiais decifrarem a ‘entrada de Jesus no santíssimo em 1844’:

Crença Fundamental 24: “O Ministério de Cristo no Santuário Celestial
Há um santuário no Céu. Nele Cristo ministra em nosso favor, tornando acessíveis aos crentes os benefícios de Seu sacrifício expiatório oferecido uma vez por todas, na cruz. Ele foi empossado como nosso grande Sumo Sacerdote e começou Seu ministério intercessório por ocasião de Sua ascensão. Em 1844, no fim do período profético dos 2.300 dias, Ele iniciou a segunda e última etapa de Seu ministério expiatório. O juízo investigativo revela aos seres celestiais quem dentre os mortos será digno de ter parte na primeira ressurreição. Também torna manifesto quem, dentre os vivos, está preparado para a trasladação ao Seu reino eterno. A terminação do ministério de Cristo assinalará o fim do tempo da graça para os seres humanos, antes do Segundo advento.”

Note bem, que o Adventismo crê que Jesus foi empossado Sumo Sacerdote na sua ascensão ao céu, isto é por volta de 31 d.C. Obviamente, muita coisa não foi dita aí neste trecho. Precisamos verificar outras fontes para entendermos o que está nas entrelinhas da seguinte afirmação: ‘Em 1844, no fim do período profético dos 2.300 dias, Ele iniciou a segunda e última etapa de Seu ministério expiatório’.

A profetisa adventista Ellen White, escreveu a respeito, ‘explicando’ até parcialmente o texto de Hb 6.19,20;9.12, ao falar da doutrina do juízo Investigativo do seguinte modo:

Durante dezoito séculos este ministério continuou no primeiro compartimento do santuário. O sangue de Cristo, oferecido em favor dos crentes arrependidos, assegurava-lhes perdão e aceitação perante o Pai; contudo, ainda permaneciam seus pecados nos livros de registro. Como no serviço típico havia uma expiação ao fim do ano, semelhantemente antes que se complete a obra de Cristo para a redenção do homem, há também uma expiação para tirar o pecado do santuário. Este é o serviço iniciado quando terminarem os 2.300 dias. Naquela ocasião, conforme predito pelo profeta Daniel, nosso Sumo Sacerdote entrou no lugar santíssimo para efetuar a última parte de Sua solene obra – purifica o santuário... em 1844, os 23000 dias, entrou Ele então no lugar santíssimo do santuário celeste, a fim de levar a efeito a obra final da expiação, preparatória à Sua vinda.” (O Grande Conflito, p.420,421).

Em seu livro Primeiros Escritos, afirmou: Esta porta não foi aberta até que a mediação de Jesus no lugar santo do santuário terminou em 1844. Então Jesus Se levantou e fechou a porta do lugar santo e abriu a porta que dá para o santíssimo, e passou para dentro do segundo véu, onde permanece agora junto da arca e onde agora chega a fé de Israel.”

“ ... o tempo profético terminou em 1844, e Jesus entrou no lugar santíssimo para purificar o santuário no fim dos dias”

“Assim como o sacerdote entrava no lugar santíssimo uma vez ao ano, para purificar o santuário terrestre, entrou Jesus no lugar santíssimo do celestial, no fim dos 2.300 dias de Daniel 8, em 1844, para fazer uma expiação final por todos os que pudessem ser beneficiados por Sua mediação, e assim purificar o santuário.” (páginas - 63, 247, 255)

Ou seja, Jesus era Sumo Sacerdote, mas não entrou no Santíssimo Celestial antes de 1844 para realizar essa ‘segunda fazer’ de sua obra.

O grande problema é que o escritor inspirado da carta aos Hebreus, de forma clara, argumenta que Jesus entrou no Santíssimo, no Santo dos Santos, ‘no dia’ de sua ascensão. E nada, nada é argumentado no sentido de que ele esperaria para dar continuidade a um suposto segundo estágio de sua obra, depois de um tempo de espera. Veja:

A qual temos como âncora da alma, segura e firme, e que penetra até ao interior do véu, Onde Jesus, nosso precursor, entrou por nós, feito eternamente sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque. 

Mas depois do segundo véu estava o tabernáculo que se chama o santo dos santos, Que tinha o incensário de ouro, e a arca da aliança, coberta de ouro toda em redor; em que estava um vaso de ouro, que continha o maná, e a vara de Arão, que tinha florescido, e as tábuas da aliança; E sobre a arca os querubins da glória, que faziam sombra no propiciatório; das quais coisas não falaremos agora particularmente. Ora, estando estas coisas assim preparadas, a todo o tempo entravam os sacerdotes no primeiro tabernáculo, cumprindo os serviços; Mas, no segundo, só o sumo sacerdote, uma vez no ano, não sem sangue, que oferecia por si mesmo e pelas culpas do povo; Dando nisto a entender o Espírito Santo que ainda o caminho do santuário não estava descoberto enquanto se conservava em pé o primeiro tabernáculo, Que é uma alegoria para o tempo presente, em que se oferecem dons e sacrifícios que, quanto à consciência, não podem aperfeiçoar aquele que faz o serviço; Consistindo somente em comidas, e bebidas, e várias abluções e justificações da carne, impostas até ao tempo da correção. Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação, Nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção. Porque, se o sangue dos touros e bodes, e a cinza de uma novilha esparzida sobre os imundos, os santifica, quanto à purificação da carne, Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?

De sorte que era bem necessário que as figuras das coisas que estão no céu assim se purificassem; mas as próprias coisas celestiais com sacrifícios melhores do que estes. Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus; Nem também para a si mesmo se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no santuário com sangue alheio; De outra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo. Mas agora na consumação dos séculos uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo. E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo, Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação.
Hebreus 9:23-28

Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus,
Pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne,
Hebreus 10:19-20

Na argumentação Adventista, esses textos não podem ser aplicados no todo como aparecem nas traduções. Os eruditos adventistas dizem:

O livro de Hebreus revela a existência de um santuário real no Céu. Em Heb. 8:2 a palavra “santuário” é tradução do grego ta hagia, forma plural de lugar santo (coisa). Usos adicionais deste termo no plural podem ser encontrados, por exemplo, em Heb. 9:8, 12, 24, 25; 10:19; 13:11. Ás varias traduções deixam a impressão de que Cristo ministra apenas no lugar santíssimo ou no lugar santo, não no santuário. Isto ocorre porque os tradutores consideram ta hagia como plural intensivo, traduzível como singular. Mas o estudo da Septuaginta e de Josefo mostra que o termo ta hagia se refere invariavelmente a “coisas sagradas” ou aos “lugares santos” – isto é, ao próprio santuário. E o termo geral utilizado em referência ao santuário inteiro, com seus lugares santo e santíssimo. Que o livro de Hebreus utiliza ta hagia para se referir ao santuário inteiro, é algo que possui forte apoio exegético na própria epístola. O primeiro uso de ta hagia em Hebreus, ocorre em 8:2, em aposição a “verdadeiro tabernáculo”. Uma vez que é claro a partir do verso 5 do mesmo capítulo, que “tabernáculo” (skene) indica o santuário inteiro, em Hebreus 8:2 ta hagia do mesmo modo deve designar todo o santuário celestial. Não existe razão para traduzir o plural ta hagia camo lugar santíssimo em Hebreus. Na maioria dos casos, o contexto favorece a tradução de ta hagia como “o santuário” (Nisto Cremos, p.427- nota 1).

Isto é, as referências do autor aos Hebreus não seriam, necessariamente, ‘dentro do compartimento interno’, ou seja, no Santíssimo Lugar. Desta forma, tais argumentos servindo à causa de Ellen White, salva a doutrina de que Jesus entraria ali em 1844, e golpeia na mente de qualquer adventista a leitura simples e obvia da carta aos Hebreus.

Na verdade existe uma pressuposição teológica para essa ausência constante da especificação do uso ‘O santo lugar’, em Hebreus. Jesus quando morreu a Bíblia diz que o véu rasgou por inteiro. Portanto, a Bíblia mostra que no céu, após a morte de Cristo, não existe mais separação de compartimentos: ““o santuário” (não há compartimento separado no santuário antitípico e celestial), no qual os crentes têm “ousadia para entrar” pela fé.” (Dicionário Vine, p. 972).


Além disso, e determinante, o contexto dos versículos citados, está perceptivelmente indicando a parte mais sagrada do templo, para mostrar que o templo celestial está aberto a todos, desde quando Jesus entrou ali na presença do Pai, tipificado pelo Santíssimo.

Obviamente, o Adventismo prefere Ellen White do que a Bíblia. 

E na prática, a conclusão teológica dessa doutrina exclusiva Adventista, deve levar essa gente enganada e escrava de Ellen White, a olhar para boa parte do livro aos Hebreus como tendo utilidade até 22 de outubro de 1844... o que negarão, obviamente.




sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A Secularização e o Academicismo – corroem a vocação Pastoral da IPB

Estamos nos aproximando de mais uma reunião ordinária do Supremo Concílio da IPB. Estamos orando por esse evento importante para a Igreja Presbiteriana do Brasil, que não raro traça alguns rumos para o próximo quadriênio.

Quanto a eleição do presidente, surgem rumores que o ilustre Reverendo Roberto Brasileiro se candidatará mais uma vez. Como membro da IPB, acho que isso não é bom para o desenvolvimento da igreja, qual corpo vivo. A IPB precisa ter a oportunidade de revelar outros Moderadores. Se ele continuar, continuará fazendo seu bom trabalho e dando exemplo de humildade, como tem feito até hoje. Mas tem muita gente interessada na reeleição do Reverendo Roberto, talvez mais que ele mesmo.  Seja qual for o resultado desse aspecto da reunião, encomendaremos a Deus em nossas orações, e continuaremos apoiar quem quer que seja.

Uma de minhas esperanças é que uma visão mais compenetrada da vocação ministerial na IPB seja repensada. Os dois grandes problemas da vocação ministerial da IPB são: 1. Secularização, 2. Academincismo.

1. Secularização: Quando os pastores olham para as igrejas como oportunidade de emprego, ele trata a Igreja de Cristo, a Noiva de Cristo, como uma prostituta de Satanás. Quando alguns se formam nos seminários ou institutos da IPB, o conforto, beneficio$, são mais visados que o chamado ardente de Deus em sua alma. Não sei como, não sei mesmo, mas algo precisa ser feito

Chegam nos seminários e institutos dizendo: “Eis-me aqui Senhor, envia-me a mim”! No fim do período de estudo, isso muda... a paixão ardente pelas almas, fica de lado, a glória de Deus não é mais visada. As Juntas Missionárias da IPB não podem “cobrir” as ofertas das Igrejas locais, e sempre ouvimos a respeito das necessidades em campos missionários, [Vários fatores podem envolver uma decisão. Isso é verdade] ... Deus sabe quando E$$E é o fator preponderante!

Que bom seria se a prioridade de ordenação levasse em conta as necessidades missionárias da IPB!

Você Seminarista que está lendo essa postagem, não engrosse o caldo dos mercenários na Igreja. Cuide de seu coração, jejue, ore, leia a Bíblia. Se você perceber que quer ficar no ministério por causa do dinheiro, saia dele! Você poderá ir para o inferno com essa disposição. Deus não quer esse tipo de pessoa na Igreja, elas existem para cumprir o que Jesus disse do “joio”. Não seja você!

2. Academicismo: É triste dizer que a ânsia academicista destruiu o faro pastoral e missionário de muitos Reverendos da IPB. Já que hoje na IPB os famosos são os doutores, esse status vira objeto de busca de muitos. Não somos mais atraídos por exemplos missionários como de Ronaldo Lidório e Marcos Severo. Isso exige suor e lágrimas, enfrentamento com hostes demoníacas, discipulados, ensino, visitas, gastos, decepção, tristezas, sofrimento, dependência do poder de Deus e não da capacidade pessoal... essa é a bancada examinadora!

Lamento mesmo dizer que a região Andrew Jumper e Makenzie viraram uma “Meca” Acadêmica para muitos Reverendos na IPB, e para outros benefícios pessoais.

Aqui, fica claro o ponto anterior. Já que muitos tratam a Igreja como Prostituta do Diabo, um acadêmico é bem mais caro para uma Igreja! Infelizmente já ouvi isso... um carnal com títulos pode olhar a si mesmo como tendo o “Passe” mais caro que os demais colegas. Daqui a alguns anos, os Pastores na IPB que não tiverem Mestrados e Doutorados serão tratados como sendo inferiores, se já não o são.

A IPB cometeu, a meu ver, um engano. Quem precisa de ensino bíblico e teológico são nossos irmãos nas igrejas locais, não os pastores que tiveram de 4 a 5 anos de ensino de qualidade bíblica e confessional nos seminários - E como isso é bom para o púlpito da IPB!

Precisamos de um programa de ensino que deve visar os Presbíteros e Diáconos, Oficiais segundo a CI e os irmãos que de fato constituem a IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL. Somos mais de 1 milhão de crentes, não de Reverendos! São esses irmãos que deixam a marca na sociedade, um tal de sacerdócio universal dos crentes deveria existir mesmo, pelo menos na identidade doutrinária e evangelística.

(Já disse que uma das maneiras de fazer isso seria tornar os Símbolos de Fé disponíveis a todos os crentes, e existir um programa periódico de estudo desses Símbolos, acompanhado pelos Presbitérios. Mas quem vai convencer a IPB e a Editora Cultura Cristã disso? Vou dizer uma experiência pessoal a respeito disso: Certa vez no IBEL um professor disse que ficou impressionado com o crescimento dos Mórmons. Eu disse a ele, que os Mórmons distribuem gratuitamente o Livro de Mórmons aos interessados, ao passo que nós nem os Símbolos de Fé distribuímos aos crentes da nossa Igreja! Na verdade, eles fazem mais pela mentira do que nós fazemos pela verdade.)

  • Não adianta fazer Congressos que não terá utilidade prática e abrangente, como é o caso dos Congressos (caros) em Águas de Lidóia. Muitos sairão de lá admirados com que ouviu do fulano e beltrano, que foi um avivamento (aprendi que não existe agenda para isso!), mas e os meus irmãos pobres das Congregações? A minha Bíblia diz que os tais assentarão com o Cordeiro em Tronos Celestiais para Reinar, mas não poderão entrar nesse congresso de Evangelização e Avivamento da IPB, caso não tenham dinheiro...!?


Conclusão


Que os delegados do Supremo Concílio da IPB, tenham temor, e olhem para os interesses do Reino de Cristo, a Igreja. E que a Fé Reformada, continue sendo o norte de nossa Igreja. Que Deus derrame um avivamento e perdoe os que tratam a Igreja como ponto acadêmico ou secular, que os tais se arrependam, amem a glória de Deus e as almas da Noiva, e que tenham uma consciência evangelística (IPe 2.9,10). Que o discipulado da  mensagem da Cruz - isto é, a renúncia - faça parte de sua vocação!

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

“Questões sobre Doutrina”: como o adventismo enganou Walter Martin?

Em 2008, a editora adventista CPB lançou uma obra intitulada Questões sobre Doutrina (QSD). O livro mais polêmico da história da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Esse livro é o resultado de uma entrevista entre dois escritores evangélicos, um deles especialista em seitas, Walter Martin, com alguns líderes adventistas, em meados da década de 50. Martin queria saber dos próprios adventistas a posição deles em relação a algumas acusações que eram lançadas contra a IASD, e chegar a uma conclusão se o Adventismo deveria ser ou não classificado na mesma categoria das seitas Testemunhas de Jeová e Mórmons, por exemplo.

O resultado foi que W. Martin e seu companheiro chegaram à conclusão que o Adventismo é um genuíno movimento Cristão, Protestante, que deveria ser acolhido pelas denominações ortodoxas como Igreja e não Seita. O resultado foi drástico e positivo para os dois lados. Muitos recusaram a definição de Martin, que teve sua popularidade diminuída, por outro lado muitos abriram as portas aos adventistas – que como parasitas, passaram a fazer seu proselitismo sem restrições! Do lado Adventista, aconteceu resistência interna, alguns pensaram que os representantes adventistas traíram a Igreja Remanescente. Ao mesmo tempo fez com que muitos repensassem suas doutrinas de uma maneira mais ecumênica.

O livro foi publicado em inglês em 1957, mas em português apenas em 2008 com notas de um historiador adventista, George R. Knight. Esse historiador é muito honesto em sua exposição, o que infelizmente não norteia o julgamento que ele desfere nos fatos sobre a mística Igreja Remanescente. Em alguns momentos ele chega até dizer que os representantes adventistas não foram tão transparentes com os representantes evangélicos. Em outros momentos, confere o crédito da dúvida, supondo que os tais talvez não sabiam de todos os detalhes. Como é o caso sobre a “natureza pecaminosa de Jesus” e a doutrina da Trindade.

Muitos trechos do conteúdo do livro QSD é dissimulado, omisso, parcial e forja algumas coisas da história adventista. O grande apologista J. K. Van Baalen, afirmou sabiamente, décadas antes das notas de Knight surgirem: “Este livro de 720 páginas contém grande quantidade de conversa dobre, concedendo com uma mão e tomando de novo com a outra.

O livro é unilateralmente dinâmico, não existiu interação entre as respostas dadas e os questionadores. Além disso, Walter Martin e Donald Barnhouse erram em fazer perguntas de importância secundária – como interpretação profética que não tem posição majoritária. Isso foi uma falha infantil deles, pois revelaram em suas perguntas que não tinham conhecimento de pontos divergentes entre os cristãos em assuntos secundários, os quais eram mais explorados pelos adventistas. Formou um impasse de julgamento.

Uma falhar menor foi fazerem perguntas sem mostrarem as provas na literatura adventista que geraram tais perguntas. Por último, a fraqueza dos questionamentos também é vista na falta de confrontação real com os pontos cardeais da fé. Por exemplo, não houve uma confrontação mais especifica com a identidade exclusiva de Ellen White qual profetisa do tempo do fim. D. Barnhouse e W. Martin, não atinaram para as implicações da doutrina da Crença de Número 18.

Foi o maior desfavor que Martin fez pela Igreja de Cristo foi dizer que a Igreja Adventista do Sétimo Dia não é uma seita. O que não tira sua grande contribuição em tantas outras áreas que atuou. Isso prova que o espírito por detrás das seitas é mais poderoso que argumentos, são ciladas no pleno sentido. Graças a Deus, a boa mão de Deus manteve firmes outros como Hoekema, Baalen, e aqui no Brasil Natanael Rinald, Paulo Romeiro, entre outros.

O livro QSD é constantemente indicado como ‘esclarecedor’ para os que não são adventistas. Seu maior divulgador talvez seja o apresentador da TV Novo Tempo, o Jornalista Leandro Quadros.

Tome como exemplo um caso de fuga dissimulada na resposta no polêmico assunto “do Azazel”. Martin perguntou:

“Não são os adventistas do sétimo dia os únicos a ensinar que o bode emissário, ou Azazel, representa Satanás?” (p. 284).

A começar pela pergunta, ela foi inconsistente – como que se fosse provado que se outros ensinassem o mesmo erro, convalidaria a interpretação!

Os representantes adventistas responderam, primeiro questionando a tradução “bode emissário”, defendido por muitas traduções e eruditos fieis. Depois disso, os tais representantes informaram 6 autores cristãos, mostrando suas citações, e indicou mais 11, “dentre tantos outros”, que defendiam um ponto de vista semelhante a dos adventistas.

Como eu disse, não houve interação dos questionadores com as respostas. As citações transcritas no QSD de J. R. Howden, S. M. Zwemer, E. W. Hengstenberg, J. B. Rotherham, G. Jenks, e Abingdon Bible Commentary, dizem que o Azazel é um símbolo do diabo, porém isso não é exatamente o que precisamos para ter a resposta correta – eles não disseram que o bode vivo era o Azazel. E essa é postura de Ellen White, o bode que era enviado para Azazel, tornou-se na tipologia Adventista o próprio Azazel1 !!!

Evidentemente quando QSD termina dizendo que ‘os adventista estão de acordo com os tais eminentes teólogos’, não está dizendo com exatidão o que demonstrou. Não sabemos se na conversa Martin tenha apontado isso, mas tudo indica que não olhou seriamente para o esquivo da resposta. De modo bem claro, apenas como título de informação:“Não são os adventistas os únicos que ensinam que o bode vivo era o Azazel?” 2 Pelo que li até HOJE, a resposta é SIM... somente eles ensinam isso.

Pretendo em postagens futuras, fazer outras ponderações desse livro.


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1. Continua o fato – se o segundo bode é o diabo, e ele leva os pecados dos salvos, finalizando a tipologia do dia da expiação, os adventistas, engolindo Ellen White, ainda terão que amargar a acusação de muitos cristãos que isso é fazer do diabo um co-redentor.


2. A BKJ traduz assim Lv 16.10: “Entretanto, o bode sobre o qual caiu a sorte ‘para Azazel’, será apresentado vivo ao SENHOR, para se fazer com ele o rito de expiação, a fim de ser condenado a ir para a Azazel, no deserto.” Em uma nota admite que Azazel “pode ser um dos nomes de Satanás [...]”(p. 248). Observe aí o destino do bode, e não sua identidade! Se fosse esse o caso, quando diz: “[...] Em seguida enviará o bode para o deserto [...]”. Reafirmamos a posição tradicional de que a tradução “para ser enviado”, é a ideia do texto, e deve ser traduzida: “Bode Emissário”. Isso está em harmonia com a doutrina bíblica da expiação.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Como entendo o Milênio de Apocalipse 20?

Para falar disso, sempre é necessário dizer que tipo de interpretação adotamos. Em linhas gerais eu me identificaria muito com a escola idealista1 por causa da aplicabilidade do texto bíblico para a edificação prática da fé, que estimula a confiança em Deus hoje, em qualquer situação, dando a garantia que Ele sempre está no controle de todas as coisas, até mesmo em situações de perseguições e escassez.

O Paralelismo Progressivo de William Hendriksen2, apresenta uma boa direção para a escola idealista, ainda que estritamente falando, não vejo 7 blocos no Apocalipse como ele defende. Ainda assim, Hendriksen influenciou muito os Reformados em ver o Apocalipse como ele é de fato.

O Amilenismo também ganhou força esmagadora entre os Presbiterianos Brasileiros, por meio da sistemática L. Berkof, livro texto de teologia da maioria dos seminários presbiterianos e institutos. Tendo em vista que ele segue uma linha Amilenista e até recomenda W. Hendriksen, o resultado não foi outro.

O Milênio: Creio que os acontecimentos de Apocalipse 19.11 ao 20.15, são sequenciais. Esse é o Último Dia, predito por Jesus. O último dia não é um dia de 24 horas, e se lembrarmos da tribulação final, do arrebatamento, confronto de Cristo com os ímpios, ressurreição e juízo, pensar em um curto período é complicado demais, não por causa de Deus, é claro, mas por causa dos seres limitados, envolvidos, nós.

É só comparar Mateus 25.31 a 46 com esse trecho do Apocalipse  -19.11-20.15, e você não terá dúvidas disso. Nesse “dia” terá a ressurreição dos justos e dos ímpios. Os cristãos ressuscitarão primeiro, claro, mas no mesmo “dia”, por isso em Apocalipse 20 diz a “primeira ressurreição”.  Até hoje só encontrei uma referência a respeito de um autor, Robert Wall, que entende que Apocalipse 19.11 – 20.15 é um único evento3.

O maior problema para os Amilenistas e Pós-milenistas4, é definirem o que querem dizer com ressurreição. Uns dizem que é o estado intermediário- posição de Calvino, Hoekema e Hendriksen, etc - que pelo que percebemos jamais na Bíblia é chamado de ‘ressurreição’. Outros – Agostinho, Schwertley, etc - dizem que é a regeneração, o que discordo também, já que é um contra senso ao fluxo do texto, visto que eles morrem por serem Cristãos, isto é, regenerados, para então serem ressuscitados, nesse caso, ‘regenerados de novo’?

A Bíblia diz que os santos reinarão com Cristo, esse reinado recebe sua informação em Apocalipse 20. Afirma que esse período durará “mil anos”, que pelo que sabemos no simbolismo dos números do Apocalipse, é um tempo marcado, mas longo. Ou seja, creio que o milênio é a parte que cabe aos santos NESSE ÚLTIMO DIA, sem mais detalhes, nada é dado além do que temos - os santos reinarão e julgarão com Cristo.

Algumas coisas que os pré-milenistas dizem em relação ao milênio, a respeito da terra, creio como crê Hoekema, são promessas para a Nova Terra, e não para o Milênio: “Haverá um cumprimento futuro dessas profecias, não no milênio, mas sim na nova terra” (A Bíblia e o Futuro, p. 325).

Portanto, o milênio é uma expressão que enfoca a faceta no último dia que cabe aos santos, ao julgarem e reinarem com Cristo.
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1. As Interpreções do Apocalipse. Editora Vida.
2. Mais que Vencedores. Editora Cultura Cristã.
3. O Milênio – 3 pontos de vista, p. 188.
4. Os Amilenistas são na verdade Pós-Milenistas pessimistas, pois tanto os Pós como os Amilenistas, creem que Cristo virá depois do Milênio. Acontece que com as guerras mundiais o Pós sofreu decréscimo considerável, desde seu último baluarte Charles Hodge. Portanto, B. Warfield [?], Berkof e Hendriksem introduziram, pelo que parece, o pessimismo – de que o milênio não será uma era de expansão e domínio da Igreja e de benção de Deus aos habitantes da Terra. Se o pós-milenarismo da atualidade acoplasse ao seu sistema uma ideia mais de evangelização e não de reconstrucionismo teonomista, acho que essa posição seria melhor e mais bíblica do que o Amilenismo.