segunda-feira, 23 de junho de 2014

O Desafio de Azenilto – Como Criticar as Testemunhas de Jeová e justificar a Igreja Adventista? - Parte 2

Azenilto Brito, mostra que a expectativa da volta de Cristo para certa época foi um aspecto febril em muitos por volta de 1840 (O Desafio da Torre, p.21). Mas Azenilto desconsidera um fato importante. Todos eles, e Guilherme Miller, evidentemente desconsideraram o que Jesus disse em Mateus 24.36. Não existe ali no livro Desafio da Torre, uma reflexão do obvio – aquele movimento, aquele alvoroço mundial, que surgiu no berço protestante, e em outros, era um contrassenso ao que Jesus normatizou em Mateus 24.36.

Sem dizer que as confissões das igrejas tradicionais estavam em total desacordo com essas especulações. Os Trinta e Nove Artigos da Igreja Anglicana já dizia apenas que a volta de Cristo seria no “último dia”(Art. IV). A Confissão de Fé de Westminster impediria qualquer Reformado legítimo a se envolver com aquela celeuma histérica: “ [...] assim quer também que esse dia não seja conhecido dos homens, a fim de que ele se despojem de toda confiança carnal, sejam sempre vigilantes, não sabendo a que hora virá o Senhor, e estejam prontos a dizer: “Vem logo Senhor Jesus!” Amém.” (Cap. 33). [Teologia Sistemática, W. Grudem].

A Profetisa Adventista considerava Miller seu “pai” espiritual e mentor da mensagem que teve uma formatação posterior.  Dos três grupos básicos decepcionados com a mensagem de Miller, apenas um teve um comportamento sadio e bíblico – mas para Azenilto não. Aqueles que como Miller, reconheceram o erro e se arrependeram são os que entendemos que foram realmente cristãos e não apóstatas. Os demais grupos – um que ‘reformatou’ a mensagem de Miller (que é hoje a Igreja Adventista do Sétimo Dia) e outro que saiu marcando mais datas para a volta de Cristo (que acabou influenciando o surgimento das Testemunhas de Jeová), foram os remanescentes da desobediência.

Daí, Azenilto diz que o grupo da ‘reformatação de 1844’ adotou algumas doutrinas

“não admitida pelas denominações religiosas tradicionais: a observância do sábado, o estado de inconsciência dos mortos até a ressurreição, o ministério sacerdotal de Cristo no santuário (que seria um ponto abordado em Daniel 8:14 – um santuário a ser purificado no Céu, não na Terra), etc. (p.22).

Legal isso não é? Não incluir que nesse tempo os fundadores da Igreja Adventista do Sétimo Dia não eram trinitarianos – posição herética que as Igrejas Tradicionais TAMBÉM rejeitavam – é realmente de interesse para um bom advogado. Omitir isso no contexto de crítica a um grupo antitrinitriano é estratégico. Creio junto a Azenilto que a Liderança TJ não é honesta com a comunidade TJ, ao filtrar informações. Mas não seria esse o caso? Já que o Azenilto está preparando uma revisão do livro poderia incluir essas informações. Ou será que em 1992 o próprio Azenilto não tinha total consciência de seus pais arianos? Isso é possível.

George Kenight, respeitado historiador adventista, diz:

“A maioria dos fundadores do adventismo do sétimo dia não poderia unir-se à igreja hoje se tivesse de concordar com as “27 Crenças Fundamentais” da denominação [...] Para ser mais específico, eles não poderiam aceitar a crença número 2, que trata da doutrina da trindade [...] Semelhantemente, a maioria dos fundadores do adventismo do sétimo dia teria dificuldade em aceitar e crença fundamental número 4, que afirma a eternidade e a divindade de Jesus [...] A maioria dos líderes adventistas também não endossaria a crença fundamental número 5, que trata da personalidade do Espírito Santo.” (Em Busca de Idnetidade, pp. 16,17).

Podemos então concluir que tudo que foi escrito no livro O Desafio da Torre, a respeito das Testemunhas de Jeová relativo à divindade, também se aplica a “maioria dos fundadores” da Igreja Adventista do Sétimo Dia. O mínimo de coerência exigiria isso. Mas o tema da postagem sugere que Azenilto não fará isso de maneira alguma. Esse é um desafio e tanto!!!

Quando é que o grupo ‘remanufaturado’ - a chamada Igreja Remanescente= Igreja Adventista do Sétimo Dia foi organizado como “igreja”? Azenilto diz que foi

Em 1863 organizaram-se para formar a igreja que recebe o nome de Igreja Adventista do Sétimo Dia.” (p.22).

Vamos ‘linkar’ alguns fatos interessantes. A falsa profecia de 1844, que nunca é dita que era uma falsa profecia, pois Ellen White dá o selo de aprovação ao movimento e sua mensagem, no geral é despachada, como não tendo nada com a Igreja Adventista do Sétimo Dia já que essa foi organizada apenas em 1863. Veja a resposta a respeito desse assunto que a IASD deu ao o ICP (Instituto Cristão de Pesquisa):

“Os Adventistas nunca marcaram uma data para a Volta de Jesus. Foram os Mileritas ( seguidores de Guilherme Miller, um pregador batista) que fizeram isto. Eles anunciaram que Jesus viria no ano de 1843; depois, deduziram que seria em 1844; como os Adventistas do 7º Dia iriam marcar uma data, se eles ainda não existiam? Surgimos como movimento organizado no ano de 1863 (declaração constante da carta em apreço). Pagina 12”( ICP - Série Apologética. 2001, p. 12. [grifo meu]).

Um outro teólogo e apologista Adventista muito conhecido, Francis Nichol, também estabeleceu essa linha de defesa:

“Os adventistas, ao longo de toda a sua história, não marcaram data para o advento.” (Respostas a Objeções, 2004, p. 234).

No livro A Conspiração Adventista eu mostro em dois capítulos que essa linha de defesa é inócua, pois Ellen White dá a mão e alma para o movimento de Miller o legitimando como o movimento divino. Mas, para efeitos de reflexão, vamos então ceder terreno para essa justificativa. Já que a organização em 1863 tira da IASD a culpa de 1844, como então tirar da dela a culpa de ter em seus burgos FUNDADORES/LÍDERES que era antitrinitarianos enquanto ‘igreja organizada’? Na postagem anterior já vimos que somente após 1940 é que esse tema deixou de ser um problema sério no contexto adventista.

E desconsiderando tudo isso, Azenilto então critica as Testemunhas de Jeová como organização não trinitariana. De fato, um desafio e tanto.


sexta-feira, 20 de junho de 2014

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Eleição do SC da IPB – o que revelará? Um recado aos delegados

Essa é a minha última postagem a respeito da IPB antes da reunião do Supremo Concílio. Estamos orando por isso... alguns já me perguntaram, por diversos meios, por qual motivo eu critico a IPB em meu blog, já que sou presbiteriano. O motivo é honestidade comigo mesmo, consciência. Tenho feito duras criticas, e recebido também, a outras religiões por causa de seus ensinos. Por qual motivo seria ‘conivente’ com os erros do meu arraial? Além disso, o clamor é correspondente com o sentimento atual de tantos que estão em silêncio.

Jamais apresentei uma critica contra minha fé presbiteriana – eu a a defendo como expressão exata da fé cristã – a IPB possui, indisputavelmente, o melhor sistema doutrinário bíblico. Geralmente minhas críticas estão mais na face que a IPB tem demonstrado; no abandono da identidade reformada, na indiferença para com os reais desafios presbiterianos, no esgoto político e interesseiro que muitos ratos sugam a IPB, na presença de assassinos da tradição reformada sejam eles comunidades, pentecostais e liberais  - esses últimos, indignos mesmo de serem chamados cristãos).

Também, no passado tivemos um livro escrito por um pastor presbiteriano muito conhecido por sua disposição evangelística, que inspira a todos nós, o Rev. Arival Casimiro Dias. O livro, não sei se ainda é editado, é o “Resistindo a Secularização – Reflexões sobre a luta contra a secularização da Igreja Presbiteriana do Brasil”. Quando leio esse livro, vejo que os muitos problemas continuam, outros foram resolvidos, outros surgiram. Não sei se o referido pastor sustentaria ainda suas criticas em nossos dias, mas fazer uma comparação ao que foi escrito em 2002 será interessante.

No Capítulo 1 o autor disse que o processo de secularização já havia iniciado, de ‘cima para baixo’. Em muitos seminários existiam professores que não tinham compromisso com a inerrância da Escritura. Podemos dizer que esse problema diminuiu bem desde então, Graças a Deus! Apesar de andarem como ratos, a peste está controlada na maioria dos seminários – mas não em todos. Esse processo deve continuar e ‘despedaçar os Agagues’ (I Sm 15.32,33).
No Capítulo 2 ressalta a “Vocação ou profissão?”. Infelizmente, isso não mudou. Ainda falta pastores, evangelistas, anjos, doutor (Como intitulados são pela CI, Art. 30), que sintam o cheiro do rebanho e saibam qual é os dilemas dos ímpios. O ditado em muitos casos ainda é aplicável a muitos pastores, pois estão em uma “Torre de Marfim”.
A meu ver algo se juntou ao processo de secularização da Vocação pastoral hoje na IPB - os programas de mestrados e doutoramentos que bem pouco tem servido a causa do Mestre em Sua seara, sendo que em muitos casos são anões ministeriais em busca de títulos...  Se o camarada consegue aplicar algo no suor do dia a dia no rebanho de Cristo, de fato ele é mestre mesmo. Esse processo de “academização” estragou o faro pastoral de muitos pastores. Já ouvi de vários presbíteros: “Queremos pastores que se doam, não acadêmico$.” Acho, apenas acho, que Jesus é contra essa vaidade... O livro Resistindo a Secularização  dizia que esse problema valoriza “títulos e diplomas em detrimento da consagração espiritual.” E desfigurou uma dura crítica que dificilmente pode-se rejeitar para os dias de hoje: “Não existe nada mais esquisito como um programa de doutoramento em ministério, cursado em dois anos. Sem maldade, o que significa ser doutor em ministério? E se o sujeito for doutor em ministério e não conseguir pastorear uma igreja local?”(p. 15). O que dizer do camarada que é doutor em evangelização e não evangeliza? Doutor em aconselhamento e não aconselha o rebanho e ímpios?
No Capítulo 3 falou-se da politicagem na Igreja. Parece que isso não fica tão escondido quanto deveria. Isso pode ser bom, se um indivíduo tem capacidade, mas a Igreja é um corpo vivo, holístico, a mesa precisa girar. Nesse capítulo, foi mostrado que uma das maneiras de evitar isso é barrar as reeleições da Mesa Executiva do SC. Ali foi dito: “A reeleição, a experiência prova, cria na pessoa reeleita o complexo de narciso...”(p.14).  O mostrou uma resolução sábia do Supremo Concílio: “SC-62-171- Quanto ao Doc. 146 – Comissões Permanentes – o SC resolve encaminhar à Comissão de Indicações sugestão no sentido de evitar tanto quanto possível a indicação de nomes para a reeleições a fim de assegurar-se a rotatividade na composição das mesmas [...]”(p. 15).
Capítulo 4 sobre Boçalidade Teológica. Nesse capítulo, foi chamado a atenção para falta de unidade teológica na IPB e em seus seminários e cursos. Isso parece também que melhorou um pouco, já que existe um esforço para padronizar os ensinos teológicos que estejam alinhados com a Confessionalidade da IPB. Por um lado revela que o perigo era iminente, mas estão agindo. Continuemos assim, se possível no primeiro ano nos seminários da IPB ensinar apenas os padrões Reformados e um documento assinado como compromisso legal que o tal seminarista continuará fiel a esses postulados, ou sair do ministério, devolvendo o dinheiro a igreja local que o manteve no seminário.
Capítulo 5 falou em poucas páginas a respeito da história da IPB, e um dos principais Elias que a IPB já teve – Boanerges Ribeiro. Esse pastor agiu com braço de ferro, é verdade. Mas a situação que enfrentou foi em um período muito duro. A lição geral ali é que quando a liderança nacional e local é apática, só tomam decisões olhando seus interesses, e não da IPB, a esperança é ofuscada.
Capítulos 6 e 7 mostrou o grande perigo de reformar a Constituição da Igreja. É impossível, como mostrou. Não existe hoje grandes rumores que podem ameaçar a CI da IPB, portanto, não é um perigo de fato hoje em dia, pelo menos em minha esfera de informações. Vamos cumpri-la antes de tudo. Ali mostrou que existe um número alto de Seminários na IPB. Isso precisava ser repensado, segundo o autor Dias. 
Capítulo 8 “Redescobrindo o Ministério dos Presbíteros”. O livro fez alerta, a ainda hoje é uma grande necessidade, que os presbíteros agarrem com força o seu chamado (At 20.28). Muitas coisas na IPB seriam diferentes se os tais realmente pastoreassem o rebanho se interessassem nos debates Nacionais de interesse da denominação. Aqui, a meu ver, a culpa é mais da IPB nacional e local, do que do presbíteros. A IPB não faz nada para ensinar teologicamente os presbíteros e diáconos. Aliás, nem a Editora da IPB distribui os Símbolos de Fé para os membros, vamos esperar mais o que? Nenhum programa de ensino existe de fato. No livro Resistindo a Secularização, (p. 44), mostra que houve em 1970 um interesse nessa direção. Compartilho da ideia do rev. Casimiro, que deve-se promover encontro regionais para esse fim(p.44). Mas infelizmente o que vemos hoje é o super, mega, aparelhamento acadêmico dos pastores, enquanto os demais oficiais são “deixados para trás”.
Capítulo 9 fala a respeito do exibicionismo que vivia-se dentro da Igreja, o que hoje diminuiu bem, louvado seja Deus!!! Mas especialmente na aplicação das disciplinas aos Ministros, isto, pelo jeito, não mudou desde 2002. Um ditado safado, bem digno das corrupções Brasília é dito ali livro, que o autor ouviu de um amigo: “Na igreja, para os amigos tudo, para os inimigos a lei.”(p. 47). Citarei um caso nessa postagem em “minhas observações”...
Capítulos 10 e 13 desfere seu golpe contra o pluralismo. 
Continua do mesmo jeitinho, mas com outros problemas... a IPB está sendo dilacerada. Dizem que “há paz”, mas não há! Por um lado as Comunidades Presbiterianas – que não tem compromisso algum com identidade da IPB, mas os pastores de tais gostam dos salários da mesma – proliferam no Brasil. Por outro, continuam os pentecostais querendo ‘avivar’ a IPB, ao invés de irem para as denominações pentecostais. Em número pequeno os liberais, mas sempre um rato sai do esgoto com seu liberalismo teológico. Por fim os que tem legitimidade, os Reformados. A paz do “pano quente” é o modelo de governo. 
O que foi escrito em 2002 pode ser escrito em 2014. A diferença é que hoje apareceu outro tipo de pluralismo e fingi-se que isso não está acontecendo...
[Capítulo 11 nesse capítulo algo é dito sobre a estrutura política e de ensino no Mackenzie e Jumper. Como não tenho em mãos informações a respeito, de interesse polítco de Andrew Jumper estar ou não no Mackenzie, não tenho o que dizer. Mas parece que a situação foi resolvida. Alguma queda de braço antiga que desconheço, sobre professores retornarem ao JMC para o ensino do sagrado ministério.]
Capítulo 12 lembrou da disciplina, nesse caso a todos os crentes. Esse é um problema local, as doutrinas bíblicas estão expostas e os processos na CI para que todo Conselho aplique sabiamente as disciplinas. O pecado destrói a Igreja. Esse é um problema espiritual e não administrativo. Os Conselhos Locais quando são omissos, fazem um grande serviço ao diabo, acabam tratando a Noiva de Cristo como prostitua de Satanás.
Capítulo 14 e 15 sobre missão e plantação de Igrejas. O sonho desse pastor, infelizmente, não foi realizado. A IPB, pelos dados oficiais da Tesouraria, tem investido bem em missões nacionais e no preparo teológico. Mas o que mais percebemos é falta de unidade nesse propósito. Igrejas ricas deveriam adotar trabalhos missionário e trabalhar na plantação de igrejas. Um esforço nacional deveria ser aplicado. Isso, continua, desde quando Resistindo fez esse apelo. Mas de uma coisa é certa, o pastor que escreveu isso, tem dado exemplo nessa área.
Capítulo 16, final. Destaca-se o PRESBITISMO, que um problema de visão. Ali adverte-nos a respeito disso. Um jogo de palavras para fazer um apelo aos presbíteros. Ele demonstra que os presbíteros podem mudar a história da IPB nas eleições do SC. E termina: “Presbíteros: vamos combater a doença PRESBITISMO! Abra os olhos e não negligencie o dom que lhe foi dado”(p.76)

Então, vamos às minhas observações a respeito da nossa realidade atual:

1.      Não podemos mais por pano quente nos problemas. A IPB acabou aprendendo a conviver com diferenças em seu seio a resolver isso, o que revelou ser uma gangrena – a pluralidade na Igreja Presbiteriana. A política do “pano quente” para manter a aparência de que está tudo bem. Se essa política está agradando a todos, a unanimidade é falsa. Temos princípios internos simples, e diversidade não é identidade – conviver com quem nos bancos da Igreja pensa diferente, faz parte da tolerância reformada presbiteriana brasileira, mas Pastores que juram fidelidade aos postulados da IPB e depois abandonam é um grande mal. Eles destroem a identidade da IPB. Os tais são:

A)    As Comunidades Presbiterianas continuam crescendo, mesmo sob a decisão do SC. B) Pentecostais continuam ditando a marcha em muitos lugares com o discurso de “avivar a IPB”. C) Na região do RJ a problemática continua. O Bispo de uma seita já até pregou na Catedral. D) Adventistas cantando em cultos da IPB. E) Muitas Igrejas não enviam o dízimo ao Supremo Concílio, dificultando o trabalho missionário realizado pela APECOM, JMN, PMC e APMT – cadê a Executiva para colocar em ordem a CI?. F) Regiões que presbitérios desconsideram as decisões do SC e ordenam pastores sem identidade Reformada.

2.      O caso Rev. Marcos Amaral. Esse caso provará mesmo se o SC vai levar sério a disciplina eclesiástica ou se isso é apenas ‘repartição pública do alto da compadecida’. Não estou pensando na cabeça do rev. Amaral, se ele se retradar e pedir desculpas de tudo que disse. Mas o seu Sínodo não recebeu a denúncia de um presbitério. Um fato curioso é que na Bahia, existe uma igreja presbiteriana que restaurou a liturgia aos moldes Reformados de Genebra – mesmo que achemos que isso não é mais aplicável, eles não fizeram nada de mal. O SC da IPB rapidamente, sob o pulso forte de teólogos  que não tem interesse nisso, emitiu um  parecer a respeito impedindo aquilo e dizendo que tal atitude tirou a paz da IPB. Estranho que a CE desse Concílio, não viu o tormento que o rev. Amaral causou aos presbiterianos e ainda assim aprovou 100.000,00 R$ para a marcha da IPB para ONU em Copacabana. Hoje já virou lei municipal a “caminhada presbiteriana”. E ainda tenho que ler críticas à “marcha para Jesus” vindo de pastores reformados... 

3.  Escândalo Mackenzie. A notícia recente que o Instituto usou indevidamente sua identidade filantrópica, sem aplicar o ‘mínimo’ necessário para ter essa chancela, me deixou realmente indignado. Uma dívida de 240.000.000,00 R$ ao Estado é um ótimo exemplo que um Instituto PRESBITERIANO dá para o mundo. E nas redes sociais percebi que os presbiterianos da IPB estão cegos com o um calvinismo que presta apenas para criticar arminianos. Quando a grande Meca Acadêmica vira alvo de denúncia, você não vê a ferocidade calvinista que se vê contra o PT, contra neopentecostais, etc. Desejaria muito mesmo ver um artigo assim: “Copa sem culpa e Mackenzie sem vergonha”. Mas o velho ditado cai bem agora; ‘pimenta nos olhos dos outros é refresco.’

Espero que Deus mude a IPB nesses, e em outros aspectos. Como já publiquei aqui no Blog – especialmente na distribuição dos Símbolos de Fé aos Presbiterianos e Preparo teológico de qualidade para os Presbíteros, Diáconos e Sociedades – não Congressos para ricos em Águas de Lindóia. Aliás, um plano nacional de treinamento evangelístico e plantio de igreja deveria estar a cargo de quem tem experiência no assunto, não de 'palestrantes' que apenas sabem encher papel de verborréias.



Problemas sempre existirão. Defeitos na Igreja é algo real - Apocalipse 2 e 3 prova-nos isso. Mas o grande problema é não lutarmos, pelo menos lutarmos, para resolvê-los. Não termos coragem de tratá-los com seriedade, amor, verdade e legalidade. Acredito que qualquer homem de Deus, mesmo os que podem ser alvos de criticas –afinal, muitos leais também podem ser vítimas das tramas do inimigo do Reino que lança-nos "joio" - , perceberá que é por amor ao Noivo da Igreja que postei isso.  No fundo, todos estão cientes dessas coisas, sabem que não podemos ficar assim... 

A maneira que está, não deve continuar!

Continuemos com as orientações de Neemias 4.9: “Porém nós oramos ao nosso Deus e, como proteção, pusemos guarda contra eles, de dia e de noite.”

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Libertação da mentira - “Adventista”

Eu já disse aqui a todos os adventistas que, se de fato o tema sábado é a pedra de decisão a serem adventistas, então que se afiliem ao grupo de cristãos genuínos da Igreja Batista do Sétimo Dia. Embora discorde eu da abordagem do sétimo dia, não posso desconsiderar o peso bíblico em favor do sábado – especialmente no que está no Antigo Testamento. Vejo isso como um descompasso com algumas coisas do NT, mas ainda sim, desde que seja para a guarda de um preceito livre de interpolações místicas e legalistas (=salvíficas), temos que proceder com sabedoria e amor. Caso fossem para a IBSD não acolheriam heresias como 1844, Ellen White e a Igreja Remanescente, entre outras coisas - (mais informações documentadas que provam que a IASD é uma seita, você poderá obter no livro A Conspiração Adventista).

Como mais uma prova que essa é minha disposição, não em declinar a minha tradição – tenho convicção que o dia do Senhor é o Domingo (Ap 1.10), apresento aqui um breve testemunho de um ex-adventista que o Senhor Jesus libertou das trevas para a bendita luz, e hoje está entre nossos irmãos batistas do sétimo dia:

“Congrego na Igreja Adventista há alguns anos; antes disso, era católico romano (embora já fosse mais protestante que católico, uma vez que não cria na autoridade do papa e da intercessão de Maria e dos santos). Conheci a IASD em uma daquelas conferências evangelísticas, e que foi realizada em meu bairro (onde eles começam apresentando temas sobre saúde, relacionamento, e vão passando gradualmente a apresentar suas doutrinas). 

Ao assistir as palestras, criei um amor ainda maior pela Bíblia, e entendi certas coisas que antes não entendia, como a doutrina da segunda vinda de Cristo e o Dia do Senhor [o sábado]. Algumas coisas foram mais difíceis de aceitar para mim, mas com o tempo (e esforço para tentar me encaixar à igreja) acabei acatando (como proibição de carnes imundas, negação da existência da alma e do inferno, que as demais igrejas eram Babilônia, etc.). Porém, houve duas doutrinas que nunca me fizeram muito bem: o 'dom profético' da senhora White e um juízo investigativo começando em 1844. Mas eu decidi não me aprofundar muito nesses assuntos, e quem sabe um dia no futuro pensar a respeito deles (acho que tinha um certo medo de descobrir que realmente isso tudo era uma mentira). 

Depois de alguns anos, decidi pesquisar na internet sobre outras igrejas guardadoras do Sábado, e fiquei sabendo da existência dos Batistas do 7º Dia. Lendo sobre eles, me identifiquei muito, e acabei concluindo de vez que Ellen White não foi uma profeta de Deus, e que a Bíblia era uma regra de fé suficiente para todo o cristão. Mas como não há uma Igreja Batista do 7º Dia na minha cidade, acabei ficando na IASD. Mesmo sabendo de todos os erros, não conseguia ver o perigo espiritual em que estava metido. Via a IASD apenas como mais uma denominação, com alguns problemas teológicos.

Recentemente alguns amigos adventistas, queriam me convencer sobre o dom profético de Ellen White, e ao estudarem a questão, eles mesmos acabaram se convencendo de todo o engano por trás da denominação. Eles saíram da IASD e agora congregam em uma Igreja Presbiteriana do Brasil. Acabamos nos convencendo da questão da alma e do inferno (os únicos pontos do Adventismo que eu ainda estava relutante em descartar). Eles eram adventistas muito sérios, levavam todos os pontos à risca, sendo inclusive vegetarianos. E me convenceram que estar na IASD representa um grande risco espiritual. Eles sofreram muito com essa saída, sofrendo preconceito e ostracismo de muitos que antes eram 'amigos' muito chegados deles.

Percebi, pela graça de Deus, que estava sendo conivente com uma obra de engano, e escondendo a verdade de Deus das pessoas. Por isso, decidi para ainda esse ano, pedir minha exclusão da IASD e declarar-me um Batista do 7º Dia. Quero ser fiel ao que Deus nos mostrou.

Um grande abraço, que Deus continue abençoando o seu ministério apologético a favor de Seu reino.”


Enviado por e-mail ao Blog MCA.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Por que as profecias da Liderança TJ NUNCA se cumpriram?


A religião que mais se aventurou em predizer acontecimentos para datas especificas é a religião das Testemunhas de Jeová. Os que conhecem a natureza dessa organização, sabem que não foi a comunidade de Testemunhas em si, mas única e exclusivamente a sua liderança totalitária. Mesmo tendo em mãos Mateus 24.36, no histórico dessa religião um número de 12 datas e/ou períodos, ou mais que isso, formam um atestado indiscutível que estamos diante de uma organização de falsos profetas.

A Liderança TJ sempre afirmou ser o canal de comunicação entre Deus e o Seu povo nesse tempo final, como podemos ver:

Os fatos mostram que Jeová Deus usa a Sociedade Torre de Vigia para tornar conhecidos os fatos a respeito da vindicação de seu nome, concernente ao Armagedom e sobre o seu reino estabelecido [...]” (A Sentinela 15/01/59, p. 55).

“O espírito santo de Deus, quando derramando sobre o restante do Israel espiritual [isto é , os Ungidos- Corpo Governante], só pode causar ou induzi-lo a profetizar ou pregar a verdade, a verdade do próprio Deus. [...] O espírito de Deus não permitiria ninguém profetizar falsamente, pregar mentiras e erros sob o disfarce da religião.” (A Sentinela, encadernado p. 212).

Seria bom perguntar: quem humilhou tanto a Liderança TJ, já que eles sempre atribuíram à Bíblia suas predições? Uma publicação deles mesmos, nos ajuda a entender isso e encontrar a resposta:

“EXPOSTA A HIPOCRISIA RELIGIOSA: Jeová, o Deus dos verdadeiros profetas, envergonhará todos os falsos profetas quer por não cumprir a predição falsa de tais pretensos profetas, quer por cumprir Suas próprias profecias de modo oposto ao que os falsos profetas predisseram. Os falsos profetas procurarão ocultar seus motivos de sentir vergonha por negar quem realmente são.” (O Paraíso Restabelecido, p. 354,355).

Devemos concordar que essa assertiva acima, revela o que o verdadeiro Jeová fez com a Torre de Vigia.



terça-feira, 10 de junho de 2014

Gordon Clark e Van Til: A lógica – divinizada e diabolizada

Podemos dizer que tendo em vista a definição linguística de Lógica, ela é a conclusão necessária e a base de toda proposição. Sem a lógica não existiria relacionamentos humanos, nem ordem, já que nada podia ser tudo – se é que existiria algo como nada e/ou tudo. A lógica é o que mantém o mundo tal como é. Por isso, a lógica é necessária. Até mesmo para aceitar o que não é lógico, precisa-se da lógica. De fato, a lógica é uma ferramenta de vida para todos nós. Pode então a lógica ser instrumento para a divulgação e principalmente, na defesa do evangelho?

No escopo apologético Reformado a escola apologética conhecida como Pressuposicionalista, segundo muitos, é a que mais tem legitimidade com os pressupostos Reformados. A apologética Evidencialista e Clássica, não logra muito êxito no bojo reformado, mas parece que não é uma escola totalmente rejeitada. R. C. Sproul é um reconhecido autor reformado que não é pressuposicionalista – aliás, é contra a escola Pressuposicionalista.

Mas no arraial pressuposicional unanimidade também não é vista, infelizmente. Por um lado existe os chamados “clarkianos” – que prescrevem o modelo do teólogo e filósofo Gordon Clark, por outro, os “vantilianos” – que estão com a abordagem substancial de Cornelius Van Til. Uma questão problemática, que dividiu esse ramo apologético, é o uso da lógica. Gostaria de mostrar como ambos mentores apologéticos classificam a lógica de duas maneiras excludentes. Lembrando, sou apenas um leitor interessado nesse assunto. E como tal, tenho percebido que a diferença de ambos é pouca em comparação ao que estão em acordo.  

A lógica para Gordon Clark:

“Por que alguém acharia sacrilégio chamar Cristo de Lógica que chamá-lo de Verbo – uma marca de tinta escrita em um papel ou um som pronunciado no ar? [...] Sem a Lógica  que ilumina todo o homem que vem ao mundo, não poderia haver boas novas. Para que as palavras de Cristo façam sentido, para que sejam informado do plano de salvação de Deus, para escapar da falha absoluta de sentido, a Bíblia tem de ser lógica.”(Em Defesa da Teologia, p. 77,82).

A lógica para Van Til:

“O catolicismo romano [e vários evangélicos] pressupõe que Deus e o homem possuem exatamente o mesmo tipo de relação com a lei da não contradição. Pressupõe que a fim de pensarem e conhecerem verdadeiramente, tanto o homem quanto Deus devem ter seu pensamento conformado a esta lei, como um abstração da natureza de ambos. As consequências desse raciocínio são novamente fatais, tanto para a teologia sistemática quanto para a apologética. Para a teologia sistemática significa que a verdade não consiste, em última instância, na correspondência com a natureza internamente completa em de Deus e com o conhecimento que el tem de si mesmo e toda realidade criada [...] de acordo com essa pressuposição mais básica, o ponto final de referência de toda predicação é o homem, e não Deus [...] O argumento de Satanás [para Eva] é que os fatos e a verdade acerca dessa relação entre um fato temporal e outros podem ser conhecidos pelo homem, sem que seja necessária qualquer informação sobre eles da parte de Deus,seu criador e controlador [...] Portanto, o homem tinha que assumir que os poderes da lógica poderiam legislar quanto ao que é possível na realidade que o cercava.” (Apologética Cristã, p.30,31).
 
Os extremos podem ser perigosos... se levarmos em conta o que está escrito nesses trechos, a situação fica complicada mesmo. No entanto, pode ser que a enfase dada isso pode piorar, mais que o conteúdo desejou.

Na avaliação desse debate cheguei a uma conclusão curiosa: Van Til precisou da lógica para mostrar que é ilógico o uso da lógica para Deus que está acima da lógica! Além disso, todo o sistema da cosmovisão cristã defendida por Van Til está logicamente arquitetado a ponto de nem sequer um tijolo sair daquela construção: “Para defender o teísmo cristão como uma unidade é necessário mostrar que suas partes estão verdadeiramente relacionadas entre si.” (Apologética Cristã, p. 20) . E Gordon Clark precisa deixar a lógica para sustentar que a Escritura é a autoridade final, e não a lógica. Embora ele usa a lógica como sinônimo da verdade divina, sabia muito bem que não poderia chegar logicamente até as últimas consequências de seu pressuposto com a lógica se essa não fosse modelada pela Escritura. Ele mesmo chega a ser bem próximo daquilo que Van Til defendeu, embora para outro contexto (a causa do mal): “As leis que Deus impõe aos homens não se aplicam à natureza divina”.(Deus e o mal, p. 82). As leis da lógica nesse caso não se aplicaria, pelo modelo clarkiano. Por um simples fato – para Clark a lógica é derivada de Deus.

Acho que as duas vertentes são legítimas. Van Til nos ajuda a encarar doutrinas bíblicas com lucidez e submissão de coração e mente [Gordon Clark também faz isso!]. Afinal, algumas doutrinas bíblicas não passam mesmo por nenhum crivo lógico. Acho que a grande predominância em Van Til é a Autoridade acima da razão. Clark nos ensina [Van Til também faz isso!] que pesar logicamente as cosmovisões mundanas pode ser destrutivo a elas, comprovando assim a irracionalidade da vida incrédula. Após isso, pensando logicamente Clark nos leva então à Escritura, encontrando logicamente as respostas para os anseios racionais conforme estão eles revelados na Escritura; já Van Til convida o indivíduo, depois de pego em sua lógica, a abandonar tudo e entrar na rede interligada de doutrinas cristãs dando coesão para a existência humana, por aceitar a existência de Deus.

Penso que de maneira bem simples, sempre precisamos começar com a Escritura e terminar com ela – (ela mostra que o testemunho da criação é um argumento válido para o não crente). A Escritura é o axioma para o cristão. Os Profetas, Jesus e os Apóstolos nunca apelaram para a lógica, mas para a Palavra de Deus, Seus oráculos –lembrando que tais oráculos apontaram o feito do Criador. A Escritura era a resposta a todos. A única maneira legítima de dizer que algum conceito é “lógico” teologicamente, é saber se esse conceito é bíblico. Essa é a lógica divina. Temos apenas um pressuposto autorizado – mas ele está fora de nós e do mundo – O Deus da Escritura ‘pois os judeus pedem sinais, os gregos sabedoria’ – os ateus pedem provas, os humanistas soluções dos problemas – ‘mas nós pregamos a Cristo crucificado, loucura [o que não é lógico!!!] para os gentios.’

O que realmente importa ?

Portanto, nem ao céu nem ao inferno com a lógica – deixemos ela na terra mesmo... pois sabemos que com evidências, ou sem elas, com argumentos lógicos, ou mesmo com entrega à autoridade divina, apenas o Espírito Santo é o Grande Apologeta vitorioso (Jo 16.8-14). Como nos mostra o Catecismo Maior de Westminster na sua pergunta e resposta 2:

 “Donde se conclui que há um Deus? R: A própria luz da natureza no espírito do homem e as obras de Deus claramente manifestam que existe um Deus; porém, só a sua Palavra e o seu Espírito o revelam de um modo suficientemente e eficazmente aos homens, para a sua salvação.” 

Percebo que o mais importante não é vencer ou se armar contra irmãos que estão no fronte de batalha, na evangelização propriamente dita. Se o teu sistema apologético até agora só te levou a debater com irmãos, e nunca na evangelização dos perdidos, possuindo em sua lista apenas debates vencidos com irmãos, mas nenhuma conversão, provavelmente existe algo errado com a sua maneira de ver a defesa da sua fé.

Com plena consciência bíblica das verdades centrais da fé cristã, todas as escolas apologéticas – inclusive as que não são pressuposicionalistas reformadas -  devem servir a causa de toda apologética:

Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas; Destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo; E estando prontos para vingar toda a desobediência, quando for cumprida a vossa obediência.” 2 Coríntios 10.4-6.

Sim, a apologética é evangelização. Quanto mais dirimirmos as tensões periféricas, mais aproveitaremos a seiva de todos os sistemas apologéticos disponíveis, para glória de Deus, ao alcançar os perdidos a se curvarem diante do Cristo que é Maravilhosamente Deus e Homem.


sexta-feira, 6 de junho de 2014

O Desafio de Azenilto – como criticar as Testemunhas de Jeová e justificar a Igreja Adventista? – Parte 1

Azenilto Brito é um adventista bem conhecido, especialmente por sua disposição apologética em adentrar em debates com tudo e com todos que não pensam em conformidade com as Crenças Adventistas. Nas redes sociais sua atuação é ardente. Ele fez muito pelo Adventismo antes do advento da internet e da TV Novo Tempo. Azenilto ainda continua trabalhando em defesa da IASD como um cavaleiro templário – ‘não existe argumentos contra a Igreja Remanescente’, é o espírito que podemos perceber facilmente na sua força argumentativa.

Em 1992 ele escreveu um livro sobre as Testemunhas de Jeová intitulado O Desafio da Torre de Vigia, onde apresenta um estudo detalhado a respeito das crenças da comunidade TJ. O livro é substancial, e ganhou apreciação de vários. O prefácio foi escrito na época por Caio Fábio, e até mesmo o especialista em assuntos TJ, o pastor Esequias Soares, escreveu um elogio ao trabalho de Azenilto, recomendando o livro. O livro está esgotado e terá uma segunda edição.

O que farei é uma reflexão de sua abordagem a respeito das crenças TJs tendo em vista uma realidade que ele não atinou, ou desconsiderou, a história e as crenças do próprio adventismo em comparação ao que ele criticou do jeovismo. Por isso o tema da postagem, que terá várias partes, permitindo Deus. Meu objeticvo só será um: mostrar que Azenilto, que garante ter gabarito suficiente, usou dois pesos e duas medidas no livro O Desafio da Torre. Isso, entendo, ele fez por ser também escravo de um sistema que afirma ser a única igreja verdadeira, tanto como a Torre de Vigia. Espero que Deus o liberte dessa mentira.

Boa leitura!

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Capítulo inicial do livro: INTRODUÇÃO

O Desafio, p.9 diz a respeito das Testemunhas: “Tornaram-se presa de um sistema doutrinário de incrível falsificação, originado de especulações humanas e interpretações arbitrárias das Escrituras...” O argumento é válido, mas os fatos revelam que esse também é o caso dos adventistas. Afinal, todo o império doutrinário da seita IASD está construída em interpretações e visões da profetisa Ellen White. O que irei novamente provar em outras postagens, mas que posso adiantar algo:

Os adventistas do sétimo dia creem que Ellen G. White foi uma verdadeira profetisa de Deus, enviada para guiar e aconselhar a Igreja nestes últimos dias. Um dos princípios fundamentais mantidos pela igreja é o de que “o dom do Espírito de Profecia é um dos sinais distintivos da igreja remanescente”, e “este dom foi manifestado na vida e no ministério de Ellen G. White” (SDA Church Manual, Revised 1976, p. 37).” http://centrowhite.org.br/pesquisa/artigos/o-uso-de-fontes-nao-inspiradas-por-ellen-white/

“Muitos de nosso povo”, escreveu Ellen White em 1904, “não reconhecem quão firmemente foram lançados os alicerces de nossa fé. Meu esposo, o Pastor José Bates, o Pai Pierce, o Pastor Hirã Edson, e outros que eram inteligentes, nobres e verdadeiros achavam-se entre os que... buscavam a verdade como tesouros escondidos. Reunia-me com eles, e estudávamos e orávamos fervorosamente. Muitas vezes ficávamos reunidos até alta noite, e às vezes a noite toda, pedindo luz e estudando a Palavra. Repetidas vezes esses irmãos se reuniram para estudar a Bíblia, a fim de que conhecessem seu sentido e estivessem preparados para ensiná-la com poder.” O próprio papel de Ellen White era limitado, mas valioso. “Quando chegavam ao ponto em seu em que diziam: ‘Nada mais podemos fazer’, o Espírito do Senhor vinha sobre mim”, ela recorda, “eu era tomada em visão, e uma clara explanação das passagens que tínhamos estado estudando me era dada, com instrução de como devíamos trabalhar e ensinar eficazmente.”( C. M. Maxwell. História do Adventismo, p. 98,99.)

Como estratégia para evangelizar as Testemunhas de Jeová, o nosso cavaleiro Azenilto escreveu que vale a pena investir na investigação crítica, junto a Testemunha, a respeito de 1914 (p.14). É curioso ler isso. Ele garante que se você destruir o ensino sobre 1914 terá grande êxito, pois

“O assunto do Segundo Advento, ligado à revelação de fatos comprometedores da história denominacional da seita (que teve origem exatamente com o estudo especulativo do tema, com as distorções de uma interpretação fantasiosa deste), [...]”.

Para os que conhecem um pouco do livro Grande Conflito, da História profética de 1844 e suas subsequentes formatações, sabe que o que Brito escreveu aplica-se perfeitamente ao seu movimento também – os fatos de 1844 não são comprometedores para a IASD?

Embora o adventismo tem usado a mensagem do movimento milerita a respeito de 22 de outubro de 1844 para seus interesses, e descartado-o para sua honra – dizendo que “foi o batista Miller que predisse a volta de Cristo, não a Igreja Adventista”(Mostro essa incongruência nos capítulos 3 e 4 do livro A Conspiração Adventista), Ellen White, de maneira contrária, jamais descarta o valor profético de Miller. A única coisa que ela diz é que o seu campeão apenas errou “no que esperava”. Se o Adventismo atual não quer sentir vergonha com a falsa mensagem de 1844, deveria antes de tudo rejeitar o vinculo que Ellen White. Ela chega a dizer que uma parábola profética bíblica foi cumprida no evento decepcionante de 1844:

“A proclamação: ‘Aí vem o Esposo!’[Mt 25.6] foi feita no verão de 1844.” (O Grande Conflito, p. 425).

Azenilto continua com a sua boa sugestão de explorar a doutrina de 1914 das Testemunhas de Jeová:

“passando-se, se houver oportunidade, a um estudo da sua cronologia irreal para justificar o raciocínio que conduz a data básica de 1914 (básico para sua hermenêutica) terá um efeito devastador sobre a estruturas fundamentais da teologia jeovista. Toda a tese do “Reino instalado em 1914” desmoronará ante um detalhado estudo [...]”

Mais uma vez, existe semelhança entre o que ele está propondo como estratégia evangelística aos TJs e uma realidade Adventista envolvendo 1844. Especialmente usando o o argumento de Goldstein:

“ [...] se 1844 não for uma data bíblica, nossa mensagem é falsa: somos uma igreja falsa ensinando uma falsa mensagem, e levando as pessoas por um caminho enganoso. Ou a data de 1844 é verdadeira e temos a verdade, ou é falsa e nós herdamos uma mentira e a temos propagado.” (1844 – uma explicação simples das principais profecias de Daniel, p. 12,13).

A opinião desse escritor Adventista não é inútil, e corresponde aos fatos, pois o Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia diz:

“A doutrina do sacerdócio de Cristo, em conjunto com a interpretação profética de Daniel 8.14, fornece uma identidade histórica à Igreja Adventista do Sétimo Dia. Para os adventistas, seu movimento não é acidente histórico, mas resultado da especial intervenção de Deus nos empreendimentos humanos. O cumprimento de Daniel 8:14 em 1844 valida a presença dos adventistas do sétimo dia no mundo e, principalmente, na comunidade cristã. Assim como o início do ministério celestial de Cristo coincidiu com o derramamento do Espírito Santo (At 2:33), assim o começo do antítipo dia da expiação [22/10/1844] coincidiu com o nascimento da Igreja Adventista do Sétimo Dia.”(p. 454).

Interessante que Azenilto recomenda a não aceitar o desvio do assunto a um tema como a Trindade (p. 14), que é preferido entre os seguidores da Torre. Interessante, ele diz que o tema da Volta de Cristo é muito importante e que você pode explorar isso na evangelização aos TJs (p. 15). Já pude ver algo nessa direção também no caso dos adventistas, quando você vai conversar com eles sobre 1844 e Ellen White, e logo eles mudam para o assunto “sábado”.

No tema “adventismo e arianismo” existe um bloqueio diabólico. Não conseguem acessar o “link” da igreja remanescente no momento que tratam desse assunto... 

Azenilto também fala da importância de possuir obras antigas da seita (p. 16). Que bom, Ellen White também recomendou os antigos marcos que o pioneiros adventistas arianos deixaram:

Quando o homem vier mover um alfinete do nosso fundamento o qual Deus estabeleceu pelo seu Santo Espírito, deixem os homens de idade que foram os pioneiros no nosso trabalho falar abertamente, e os que estiverem mortos falem também, reimprimindo os seus artigos das nossas revistas. Juntemos os raios da divina luz que Deus tem dado, e como Ele guiou seu povo, passo a passo no caminho da verdade. Esta verdade permanecerá pelo teste do tempo e da experiência.”(http://www.adventistas.com/dezembro2005/diagnostico_iasd.htm (24 de Maio de 1905 - Manuscript Release Vol. 1 pág. 55.).

“Dentre os líderes mais preeminentes que saíram do movimento milerita e ajudaram a fundar a Igreja Adventista do Sétimo Dia se destacam José Bates, Tiago White e Ellen White.” (Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia, p. 5.)

Agradecemos a indicação, ela será útil em postagens futuras - o que ele sugere no caso das Testemunhas de Jeová, será um problema para ele, tendo em vista a orientação da Papisa Ellen White. E isso é tanto problema, que os autores do polêmico livro Questões sobre Doutrina, disseram a respeito da posição ariana dos pais da Igreja Remanescente e livros antigos:

“Alguns continuam a reunir citações extraídas de nossas publicações mais antigas, há muito obsoletas, e que não mais são impressas.”(Questões sobre Doutrina, p. 56).

Sobre o arianismo adventista nas primeiras décadas, o historiador George Knight diz:

“Essas posições nem mesmo começariam a mudar até os anos de 1890, e as perspectivas trinitarianas seriam um ponto de conflito até a década de 1940.” (Questões sobre Doutrina,  nota 1, p. 56).

Conclusão

As recomendações iniciais do livro O Desafio da Torre de Vigia, aplicam-se perfeitamente ao Adventismo, assim como para as Testemunhas de Jeová. Resta saber se assim como o TJ rejeita os argumentos de Azenilto Brito, os adventistas também rejeitarão os argumentos que a eles forem aplicados!


Próxima postagem sobre o tema tratarei do Capítulo 1. A Teologia das “Testemunhas de Jeová” Numa Perspectiva Histórica – do livro do Azenilto Brito O Desafio da Torre de Vigia.