quinta-feira, 28 de abril de 2016

O Corpo Governante e o Nome de Deus

Sob o comando mental, absoluto e totalitário do Corpo Governante, as Testemunhas de Jeová afirmam que sua organização é a única religião verdadeira, pois, dentre algumas coisas, apenas eles defendem o uso do nome de Deus. E segundo eles, deve ser pronunciado JEOVÁ (todos os grifos em negritos são meus).

“O nome impar de Deus, Jeová, serve para diferenciá-lo de todos os outros deuses [...] o nome Jeová tem um rico significado. Invocar a Jeová como seu Deus e Libertador pode conduzi-lo a infindável felicidade.” (Conhecimento que conduz a vida eterna, pp. 25,27).

“A verdade é que o nome de Deus aparece milhares de vezes nos manuscritos bíblicos antigos. Portanto, Jeová deseja que você saiba qual é o nome dele e que o use.” (Bíblia Ensina, pp. 13,14).

Quem, então, atualmente trata o nome de Deus como santo e o torna conhecido em toda a terra? As religiões em geral evitam o uso do nome Jeová. Algumas até mesmo o tiraram de suas traduções da Bíblia. [...] Existe apenas um povo que realmente segue o exemplo de Jesus neste respeito. [...] de modo que adotaram o nome bíblico “Testemunhas de Jeová”. (Poderá Viver para sempre, p. 185).

“O que está errado é deixar de usar o nome. Por quê? Porque os que não o usam não poderiam ser identificados com os que Deus toma como “povo para seu nome”.” (A Verdade que conduz a vida eterna, p.18).

Já admitiram que a pronúncia Jeová é errônea e produto da tradição católica romana, que veio a ser adotada pela tradição protestante antiga:

 “Na Bíblia Hebraica o nome de Deus é representado pelas quatro letras ... correspondendo a YHWH. Séculos antes da rebelião protestante contra a autoridade religiosa dos papa de Roma no século dezesseis, os clérigos católicos romanos pronunciavam Ieová a combinação sagrada das quatro letras... Todas as evidencias disponíveis indicam que foram os clérigos católicos romanos que introduziram a pronúncia. Dizia a Enciclopédia Americana no Volume 16, páginas 8,9 (edição de 1929):  A tradução de “Jeová” remonta aos princípios da Idade Média e até recentemente se dizia que ela foi inventada ´por Peter Gallantin (1518), confessor do papa Leão X. Escritos modernos, entretanto, atribuem-na a uma data mais antiga, segundo se acha no “Pugeo Fidei” de Raymond Martin (1270). Isto se deu porque hebraístas cristãos consideravam superstição substituir o nome divino por qualquer outra palavra... – Raimundo Martim (ou Raymundus Martini) foi um monge espanhol da Ordem Dominiciana.” (Santificado Seja teu Nome, pp. 18,19).

Hoje em dia não admitem isso tão claramente, como ilustra a revisão de um livro abaixo. Perceba como a revisão tenta enfraquecer a admissão de que a pronúncia Javé é a mais provável:

“Toda a Escritura é Inspirada por Deus e proveitosa”, de 1966, Capítulo “As Vantagens da Tradução do Novo Mundo”, p. 318.
“Toda a Escritura é Inspirada por Deus e proveitosa”, revisão de 1990, Capítulo “As vantagens da Tradução do Novo Mundo”, p. 327.
“A pronuncia Iavé talvez seja a mais correta, mas a forma latinizada Jeová continua a ser usada porque é a forma mais comumente aceita de tradução em português do Tetragrama...”
“A forma Iavé é geralmente preferida pelos hebraístas, mas não é possível saber atualmente a pronuncia correta. Assim a forma latinizada Jeová continua a ser empregada por estar em uso a séculos e por ser a forma mais comumente aceita da tradução em português do Tratragrama...”


Um carro chefe do proselitismo dos praticantes da religião da Torre de Vigia, é confrontar as pessoas com o Salmo 83.18 e dizer que devemos usar o nome de Deus - Jeová. Segundo a Liderança TJ, o nome Jeová deve ser usado porque é comum, e já está bem firmada a sua tradição! Assim, não é por pela exatidão, já que Javé seria a forma mais provável. Mesmo sabendo que o nome Jeová é um nome híbrido, e não tem apoio nos hebraístas mais conceituados, eles argumentam da seguinte maneira::

“Então, por que esta tradução usa a forma “Jeová” do nome divino? Porque essa forma tem uma longa história em português.” (Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada – Apêndice 4, p. 1798).

 “O ponto vital não é de que maneira deve pronunciar o Nome Divino, que “Javé”, “Jeová”, quer de outra forma, desde que a pronúncia seja comum no seu idioma.” (A Verdade que conduz a vida eterna, p.18).

Curiosamente, em uma anterior edição da TNM, com Referencias, falam da seguinte maneira:

“Por usarmos o nome “Jeová”, apegamo-nos de perto aos textos da língua original e não seguimos a prática de substituir o nome divino o Tetragrama, por títulos tais como “Senhor”, “o Senhor”, “Adonai” ou “Deus”. (TNM – com Referencias, apêndice 1, p. 1501).

Se eles admitem que a versão Javé é mais provável, é incongruente ao mesmo tempo dizer que usar uma forma hibrida estaria aproximando a TNM dos originais. Interessante, que a prática de substituir o tetragrama por Senhor, foi feito elos autores inspirados do NT.

Quando falamos com uma Testemunha de Jeová que o nome de Deus é DEUS ou PAI, eles rapidamente respondem: “Deus e Pai, não são nomes, mas títulos!” (veja Poderá Viver para Sempre, p. 41) Argumento esse ditado pelo Corpo Governante. Mas interessante, que esse argumento já foi usado pelos líderes das Testemunhas de Jeová no passado!!! Veja algumas evidencias disso:

“A Bíblia demonstra que o nome de Quem exerce poder supremo na criação e em todas as coisa é Deus. Ele tem outros nomes... (Criação, p.10).

“O Criador o Imortal, de eternidade a eternidade, e o nome dele é Deus. (Inimigos, p. 22).

“O nome Deus quer dizer Altíssimo, o Criador de todas as coisas. O nome Jeová significa os propósitos do Eterno para com suas criaturas. O nome Altíssimo dá a entender que ele é o Supremo e que além dele não existe nenhum outro. E o nome Pai quer dizer que ele é o Doador da vida.” (Riquezas, p. 135).

Esses argumentos antigos dos mentores da fé TJ, estava, em certa medida, em coerência com a Bíblia que diz que tais títulos, em nossa cultura, podia ser chamado de NOMES na Bíblia, como podemos ver em Isaias 9.6:

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.”

O renomado Teólogo Reformado, Louis Berkhof, nos ensina que quando a Bíblia fala de Nome de Deus, que inclui o nome Jeová, Deus, Todo-poderoso, Senhor, Pai, Senhor, “Nesses casos “o nome” vale por toda manifestação de Deus em Sua relação com o Seu povo, ou simplesmente pela pessoa, de modo que se constitui sinônimo de Deus.” (Teologia Sistemática, p. 46). O mesmo teólogo nos informa que a exata origem e pronúncia do nome Yahweh “estão perdidos na obscuridade” (p. 48).

Não podemos nos opor ao uso nas traduções do nome de Deus, Javé (e de uma maneira bem tolerante, nem mesmo contra Jeová – no caso de versões antigas, AINDA QUE tal tradução do nome divino deveria ser abandonada por versões recentes). Mas de igual modo, usar um substituto SENHOR, que aparece nas cópias do VT e nas citações do NT, parece-nos plausível. Diante de incertezas dessas, uma religião construir sua identidade e condicionar a salvação a um uso, místico, de uma versão hibrida do nome divino, é o mesmo de construir um castelo na areia...

Em uma próxima postagem, tratarei do uso do nome Jeová no NT, conforme feito na Tradução do Novo Mundo.



quinta-feira, 21 de abril de 2016

Colossenses 2.9 e as Testemunhas de Jeová

A religião que mais milita contra a doutrina da Trindade e a Divindade de Cristo, é a religião da Torre de Vigia. É incrível como que em quase todos os textos bíblicos que eventualmente e/ou claramente, ensinam e fazem alusão a essas doutrinas, é vertida na tradução da Torre de Vigia de uma maneira que procura enfraquecer ou mesmo rejeitar as doutrinas históricas do cristianismo relativas à doutrina de Deus.

Antes da Tradução do Novo Mundo ser lançada, as Testemunhas de Jeová se viam em um constante problema em seu trabalho. Usavam e reproduziam traduções que tinham o nome de Deus “Jeová” no VT, mas ao mesmo tempo, sofriam com o Novo Testamento, quando esse trazia textos como João 1.1; At 20.28; Rm 9.5; Fl 2.6; Cl 2.9; Hb 1.6,8, entre outros.

“As Testemunhas de Jeová reconhecem a sua dívida para com todas as muitas versões da Bíblia que ela tem usado no estudo da verdade da palavra de Deus. Entretanto, todas essas traduções, mesmo as mais recentes, têm suas falhas. Existem incoerências ou trechos insatisfatórios, que estão contaminados por tradições sectárias ou filosofias mundanas, e, portanto, não estão em plena harmonia com as verdades sagradas de que Jeová registrou em sua Palavra.” (Toda Escritura, p. 324).

No fim da década de 40, resolveram começar o projeto de tradução da Bíblia, finalizando todo o trabalho no início da década de 60. Segundo um livro de história das Testemunhas de Jeová, isso resultou no crescimento numérico:

“Com que resultado? No Brasil,  acima de 11 vezes mais louvadores ativos de jeová; e, em Portugal, 22 vezes mais.” (Proclamadores d Reino, p.612 – na página 613 o livro mostra um gráfico do crescimento em outros países, tudo em decorrência do lançamento da TNM).

Portanto, o lançamento da TNM serviu para os propósitos proselitistas da seita, não porque a Palavra de Deus chegou às mãos das pessoas, mas porque as pessoas passaram a ler as doutrinas das Testemunhas de Jeová, na (suposta) Bíblia.

A Tradução do Novo Mundo passou por algumas revisões, mas em todas elas, a tradução de textos que tratam da divindade de Cristo, permaneceram, como desde o primeiro lançamento. Vejamos o texto de Colossenses 2.9, que é o foco da postagem, em algumas revisões da TNM:

“porque é nêle que mora corporalmente toda a plenitude da qualidade divina.” – Versão de 1961.

“porque é nele que mora corporalmente toda a plenitude da qualidade divina.” - Revisão de 1986.

“porque é nele que toda a plenitude da qualidade divina mora corporalmente.” – Revisão de 2013.

Qual o problema com essa tradução? Vejamos o que outras traduções nos mostram:

“porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.” (Almeida Corrigida Fiel).

 “Pois nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.” (Novo Testamento, tradução oficial da CNBB).

“Pois em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade.” (Nova Versão Internacional).

“Pois nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.” (Novo Testamento, Ed. Vozes).

“Pois nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade.” (Tradução Brasileira, primeira edição e edição de 2010).

 “É em Cristo, que habita em forma corporal, toda a plenitude da divindade.” (Edição Pastoral).

“porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.” (Almeida Revisada).

“Pois somente em Cristo habita corporalmente toda plenitude de Deus.” (King James – Atualizada).

Pelo que podemos notar, a Tradução do Novo Mundo acrescenta a palavra “qualidade”, na tradução – o que não foi feito nas traduções mais respeitadas. Também, os tradutores jeovitas não colocaram a palavra “qualidade” em colchetes, conforme usado nas primeiras versões da TNM em outros textos. A Revisão de 2013 não usa mais os colchetes. Isso, pelo que entendemos, significa que os tradutores assumem que a palavra acrescentada é necessária para a tradução. No caso de Colossenses 2.9, o texto grego literal reza assim:

“porque em ele habita toda a plenitude da divindade corporalmente.” (Novo Testamento Interlinear, grego-português – SBB).

De modo simples e direto, qualquer que seja a interpretação do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová, ao acrescentar o termo “qualidade”, ele diluiu a proposta e leitura do autor original, que não disse isso. É verdade que em Cristo também habita toda a qualidade divina – Seus atributos, mas o texto está dizendo mais do que isso.

“O tempo presente indica o estado contínuo e aponta para a realidade presente (Lohse) ... natureza divina, divindade. A palavra difere da expressão “ser divino” em Rm 1.21 porque enfatiza mais a natureza ou essência divina, e não tanto os atributos divinos. Em Jesus não estavam apenas os “atributos” da divindade que, temporariamente, O iluminaram e o exaltaram com esplendor; pelo contrário, Ele mesmo era e é o Deus perfeito e absoluto.” (Chave Linguistica do Novo Testamento Grego, p. 425).

“(Cl 2.9), Paulo está declarando que no Filho habita toda a plenitude, a abundância da deidade absoluta; eles não eram meros raios da glória divina que enfeitavam, iluminando Sua Pesso por um período de tempo e com um esplendor não dEle mesmo. Mas Ele era, e é, o Deus absoluto e perfeito; e o apóstolo Paulo usa o termo theotes para expressar esta Deidade essencial e pessoal do Filho (New Testament Synonims, de Trench, S ii). A palavra theotes indica a essência “divina” da divindade, a personalidade de Deus; a palavra theites, os atributos de Deus, a Sua natureza e propriedades divinas.” (Dicionário Vine, pp. 573,574).

Um site não autorizado de defesa da Tradução do Novo Mundo, pasmem, chega a dizer:

“[...] uma avaliação semântica de theótes revela que a Tradução do Novo Mundo está bem a frente no entendimento etimológico de palavras. Superando até mesmo léxicos bastante conhecidos.”

Fica difícil imaginar qual o arcabouço mental e religioso de alguém que escreve algo assim...

O texto de Colossesnses 2.9, prova além de dúvida, que em Jesus Cristo tem TUDO de Deus. E parece que isso deve ser interpretado, mesmo em sua encarnação, isto é, quando desde quando veio ao mundo por meio da virgem (Comentário Bíblico NVI, p. 2024). Quando O Filho Eterno se revestiu de Humanidade, e abriu mão de Sua glória (Fl 2.5,6), ele voluntariamente deixou toda a obra que devia ser realizada Nele nas mãos do Pai. Percebemos isso em João 17.5. Por ser homem, ele pôde ser tudo que foi, e passou de modo real – fome, tentação, dor, tristeza e morte (Mt 4.1-11). Mas em momento algum, ele deixou de ser o que ele É. Por habitar em Cristo Jesus a plenitude da divindade, é que ele poderia ser adorado, mesmo na terra, e ainda assim, o adorador não incorrer em idolatria (Mt 2.11; 8.2, etc). Por habitar em Cristo Jesus a plenitude da divindade, ele podia dizer tudo que disse a respeito de si mesmo e não blasfemar (Jo 5.23; 10.30). 


Infelizmente, as Testemunhas de Jeová seguem um falso Cristo, um falso deus, baseadas em uma falsa Bíblia, que por fim, resultará em uma falsa salvação. E quando a salvação não é verdadeira, o que se recebe é a perdição. Que o Espírito Santo abra os olhos dessas pessoas (Jo 16.7-15).

terça-feira, 5 de abril de 2016

Opinião de Fernando Gali a respeito da Profetisa Adventista

Em recente mudança de opinião, e foi até muito polêmica, o apologista, irmão e amigo Fernando Gali, passou a entender que o adventismo é uma igreja cristã, com alguns erros doutrinários. Para ele, tendo em  vista que a Igreja Adventista defende doutrinas como a Trindade e a salvação pela fé, tendo compromisso com a santidade e com a Bíblia, ele deixou a opinião ainda dominante que a Igreja Adventista é uma seita. 

Eu já provei fartamente em meu livro A Conspiração Adventista, e recentemente em uma postagem aqui no blog, que o Adventismo rejeita a Trindade ortodoxa, e mesmo Fernando Gali, diante dessas evidencias, já escreveu que eu  provei que "a trindade adventista não é tão cristã e ortodoxa quanto parece." Obviamente, hoje, ele recuou dessa opinião. Respeito profundamente esse irmão, mas esse recuo não foi baseado em fundamentação documentada. A não ser que ele dê um voto de leniência aos adventistas que não possuem conhecimento amplo disso. Quanto a salvação pela fé, defendida pelo adventismo, precisa de arranjos adicionais, para que o selo sabático no período escatológico, seja encaixado aí, sem a classificação de legalismo:

"Desde 22 de outubro de 1844 Jesus, no lugar santíssimo, tem chamado a atenção para o sábado, não simplesmente porque é o sétimo dia, mas porque representa um modo único e cristão de vida, o critério final que separa o bem do mal nos últimos dias.” (História do Adventismo, p. 282 [grifo meu]).

Com esses esclarecimentos acima, quero reproduzir aqui partes de uma postagem recente de Fernando Gali a respeito de Ellen White. Obviamente, o adventismo não sobreviveria caso, aceitassem essa postura dele. Achei muito interessante a comparação que eles fez entre alguns supostos profetas:

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"ADVENTISTAS DO SÉTIMO DIA - UMA IGREJA PURA TEM PROFETAS NÃO CANÔNICOS COM AUTORIDADE PARA TODA A IGREJA?




Entre os grupos religiosos estudados neste site, queremos fazer uma comparação entre quatro deles: Testemunhas de Jeová, Adventistas do Sétimo Dia, Espiritismo Kardecista e Mormonismo. De modo algum pretendemos colocar todos estes grupos em pé de igualdade, pois os Adventistas creem na Trindade, e os outros grupos não. Há muitas diferenças entre eles. Todavia, há algo que eles, de certa forma, têm em comum: Deus, de alguma forma, usa um líder ou um grupo deles para ser um canal de iluminação ou de inspiração de verdades. Vejamos:

Na ilustração 1 vemos claramente que o "Jeová" TJ segura as gráficas da Sociedade Torre de Vigia nas mãos. De tais gráficas, surgem os livros e revistas que são enviados aos seus locais de reuniões, de onde os pregadores de casa em casa apanham tais literaturas para nos avisar que não há como ser salvo fora de sua organização fundada em 1879 por Charles Taze Russell. Como as literaturas são provisões desse deus, os seguidores da organização confiam plenamente em quem as escreve - o Corpo Governante. Observe:

"No caso de nós, hoje, significa ter confiança no "escravo fiel e discreto", designado para dar-nos o espiritual "alimento no tempo apropriado", bem como naqueles dentre eles que constituem o Corpo Governante. — Mateus 24:45." – A Sentinela 15 de agosto de 1998, página 12.

Embora as TJs não afirmem que o Corpo Governante seja inspirado, ensina que é iluminado e dirigido pelo deus delas, e creem que este Corpo Governante, bem como outros cristãos que anseiam viver no céu, ou os ungidos, seja o profeta que Deus tem usado para revelar a grande sabedoria do deus deles. Veja:

"Mas, por que se trazem todos estes fatos da história à nossa atenção? É para mostrar o cumprimento da profecia. Jeová achou e comissionou seu “Ezequiel” hodierno. Trata-se dum Ezequiel composto. Compõe-se dos proclamadores dedicados e batizados do reino de Deus, que foram ungidos pelo Seu espírito para fazerem a sua obra. (Isaías 61:1-3)" - As Nações Terão de Saber que Eu Sou Jeová, página 62, edição de 1973, em português.
"Talvez se perturbem com o clamor da cristandade, de que as testemunhas cristãs de Jeová são “falsos profetas”! […] O que se ganha com a hesitação e a dúvida até o fim quanto a Jeová poder suscitar e ter suscitado um “profeta” genuíno dentro de nossa geração? Certamente, ninguém obterá o favor divino e a proteção dele necessários durante a “grande tribulação” que rapidamente se aproxima para a cristandade e o restante de Babilônia, a Grande." - As Nações Terão de Saber que Eu Sou Jeová, página 62, edição de 1973, em português.

Assim, na ótica TJ, os ungidos, ou o restante dos 144 mil ainda vivos, são o Profeta Ezequiel Hodierno, e mais especificamente os membros do Corpo Governante aqueles que recebem a iluminação do deus TJ para explicar as Escrituras para seus seguidores. Então, confiam plenamente nessa liderança, como profeta, no interpretar da Bíblia.

Na figura 2, temos Ellen G. White, dos Adventistas do Sétimo Dia. Esta também ensinou que seus escritos vieram de Deus. E sua crença nesta senhora vai um pouco além dos TJs:
"Cremos que Ellen White foi inspirada pelo Espírito Santo, e seus escritos, o produto dessa inspiração, tem aplicação e autoridade especial para os adventistas do sétimo dia. Negamos que a qualidade ou grau da inspiração dos escritos de Ellen White sejam diferentes dos encontrados nas Escrituras Sagradas." - Revista Adventista, Fevereiro de 1984, pág. 37.
Um adventista do sétimo dia crê que os escritos de EGW não substituem a Bíblia, nem sejam mais importantes do que ela, mas admitem que são tão inspirados quanto a Bíblia. Se são tão inspirados quanto a Bíblia, são palavras de Deus também, embora os adventistas creiam que se trate de uma luz inferior às Escrituras Sagradas. Portanto, negar os escritos de EGW, principalmente depois de se tornar adventista, significa negar o próprio Deus. Em minhas pesquisas, quando um adventista nega a inspiração dos escritos de EGW, ele está em apostasia. Mas o ponto mais importante é: Para os adventistas, ela é profetisa e inspirada por Deus para explicar e comentar as Escrituras, não para adicionar outras doutrinas a elas. Então, há muita semelhança entre a dependência das TJs ao Corpo Governante para entenderem as Escrituras e a dependência dos adventistas do sétimo a EGW para interpretarem a Bíblia.

Na ilustração 3, observamos o mais famoso espírita kardecista brasileiro, Chico Xavier. Ele admitia que espíritos desencarnados, o de um médico que jamais existiu, André Luiz, davam-lhe as mensagens psicografadas, que segundo definição espírita significa:
"[...] a transmissão do pensamento do Espírito, mediante a escrita feita com a mão do médium." - O Livro dos médiuns ou Guia dos médiuns e dos evocadores. Trad. de Guillon Ribeiro da 49a ed. francesa. 76a ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. it. 146.
"[...] É a escrita psíquica. O Espírito se manifesta escrevendo a sua mensagem, e a manifestação é tanto mais perfeita quando menos consciente é o médium." - O Espiritismo à luz dos fatos: respostas às objeções formuladas à parte científica do Espiritismo. 6a ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Dos fenômenos subjetivos.
Lembre-se que Chico Xavier teve, conforme relatos de seus fieis, milhares de mensagens confirmadas como sendo genuinamente de supostos espíritos que encarnaram na terra, os quais foram de alguma forma reconhecidos por amigos e parentes. Este ponto é importante: Os espíritas creem que o Espiritismo, depois de Moisés e Jesus, seja a terceira revelação de Deus aos homens. Moisés era profeta, Jesus era profeta, então, o Espiritismo acaba sendo um profeta de Deus, e também admitem que haja hoje profetas entre eles. Observe:

"A primeira revelação estava personificada em Moisés, a segunda em Cristo; a terceira não está personificada em nenhum indivíduo. As duas primeiras são individuais, a terceira é coletiva. [O contexto fala do Espiritismo]". - A Gênese, página 33. 14a. Edição Revisada e Corrigida, Editora Ide, bold acrescentado.
Definição espírita de profeta: "Enviado de Deus com a missão de instruir os homens e de lhes revelar as coisas ocultas e os mistérios da vida espiritual. Pode, pois, um homem ser profeta, sem fazer predições. [...]" - Referência: O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. de Guillon Ribeiro da 3a ed. francesa rev., corrig. e modif. pelo autor em 1866. 124a ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004. cap. 21, it. 4.

Se o Espiritismo Kardecista, com seus profetas, se consideram a terceira revelação de Deus aos homens, então negar essa revelação significa negar o próprio Deus e necessitar, como detraímos do pensar kardecista, de novas encarnações para evolução espiritual, e assim o indivíduo encarará o Espiritismo da forma como se apregoa atualmente. Lembrando que, em várias publicações Kardecistas, fala-se que o Espiritismo oferece a forma correta de se interpretar a Bíblia, principalmente as palavras de Jesus. Assim, os Kardecistas dependem do conhecimento revelado aos médiuns para evoluírem nesta vida. Muito parecido, apesar das crenças diferentes, com a dependência dos TJs e dos Adventistas do Sétimo Dia ao Corpo Governante e a EGW, respectivamente.

Na ilustração 4, observamos o "pai" e o "filho", dos mórmons, aparecendo a Joseph Smith, profeta e fundador da seita, transmitindo-lhe supostas verdades. E conforme os mórmons ensinam, o mesmo Joseph Smith teria recebido a visita de um anjo chamado Moroni, o qual lhe revelou o verdadeiro evangelho de Jesus Cristo - o Livro de Mórmom. De fato, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias apregoa:

"Joseph Smith, como Adão, Enoque, Noé, Abraão, Moisés e outros, se posicionou como o cabeça da dispensação [...] meio pelo qual o conhecimento e o poder de Deus são canalizados para os homens e mulheres da terra". - The Ensign, junho de 1994, página 20.

Para os mórmons, Joseph Smith é o profeta de Deus para esta dispensação na história da Igreja Cristã. Se um mórmon não crer que Joseph Smith foi usado por Deus para livrar a humanidade da apostasia e ensinar o verdadeiro evangelho do Jesus, ele não pode ser salvo, porque não terá o conhecimento e o poder de Deus canalizados aos mórmons através dele.
A que conclusão chegamos com essas informações acima? Numa Igreja Cristã sadia não há a figura de um profeta central e indispensável, quer seja ele uma única pessoa ou um grupo, para interpretar as Escrituras, quer por iluminação ou por inspiração, nos dias atuais. No passado, Deus usou profetas para inclusive escreverem a Bíblia. É verdade que negar os escritos de Moisés era negar a Deus, pois Deus o usou de forma inspirada para escrever o Pentateuco e para guiar seu povo. Mas já temos o nosso profeta maior, Jesus, e já temos o cânon bíblico pronto, e não há neste cânon nenhuma evidência de que haveria um profeta na igreja atual que teria autoridade sobre toda a Igreja de Cristo, através de escritos inspirados ou resultantes da iluminação de Deus. Portanto, exortamos aos testemunhas de Jeová, aos kardecistas e aos mórmons que se desfaçam urgentemente dessas figuras centrais para agarrarem-se apenas às verdades reveladas nas Escrituras,

E NO CASO DA IGREJA ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA? Desconsiderem essa meia ideia de que haja uma profetisa com escritos tão inspirados quanto a Bíblia, com autoridade em seus escritos para toda a igreja. Esta heresia os deixa em pecado diante de Deus, e os torna vítimas de um ensino que separa vocês da ortodoxia cristã e da comunhão com as igrejas cristãs, pois vocês afirmam que Deus levantou EGW para ser autoridade para a Igreja Adventista do Sétimo Dia, e não para as outras igrejas. Assim, os pecados de sua igreja tem início nessa crença, com todo respeito a vocês, RIDÍCULA! Por favor, encarem essa senhora, no máximo, como uma estudiosa iluminada por Deus (nem sempre), nada superior a outro cristão estudioso e dedicado à aprender e comentar as Escrituras.

E para reflexão: Onde a Bíblia ensina que profetas não canônicos tiveram seus escritos como autoridade para toda a Igreja ou povo de Deus antes de Cristo?"

- Fernando Galli.



sexta-feira, 1 de abril de 2016

Princípios Básicos da Interpretação Bíblica

Os princípios que apresento aqui, o faço a leitores que são crentes regenerados, que creem na inspiração e inerrância da Bíblia divinamente inspirada, pois apenas esses, poderão compreender a importância final disso – a glória de Deus, em uma crença e vida correta. Como ensina um antigo catecismo cristão:  “5. Que é o que as Escrituras principalmente ensinam? As Escrituras ensinam principalmente o que o homem deve crer acerca de Deus e o dever que Deus requer do homem. João 20:31; 11 Tim. 1:13.”

1. Toda interpretação de um texto bíblico deve começar pelos caminhos gramático e histórico, isto é – o sentido linguístico captado pelo leitor original deve ser o que o leitor moderno deve buscar.

1.1. Quando é dito 'linguístico’ deve levar em consideração os gêneros e recursos incluídos na definição linguística. Metáfora, simbólica, literal, poética, parábola, hipérbole, tipos (tipologia) profética e até alegórica - quando o caso for demonstrado [Alegoria só devem ser assumida quando os autores inspirados indicaram alegoria, como vemos em Galátas 4.21-31].

1.2. Ao dizer que depois de encontrar as bases linguísticas, morfológicas e gramaticais, tarefa da Teologia Exegética, devemos buscar o sentido histórico visto que os especialistas nos ensinam que o contexto imediato na carta é a primeira pista de encontrar esse sentido original. O professor de Grego do NT, do Instituto Bíblico Eduardo Lane, Rev. Gilson Altino*, dizia em sala de aula: “O contexto é soberano”. E na verdade, é o contexto que determina qual a intenção linguística.

[*Autor de dois livros didáticos para aprender ler o grego do NT – Adquira AQUI ]

1.2.1. Caso você não domine os idiomas originais da Bíblia (esse é o caso da maioria de nós) você deve procurar em um dicionário e/ou léxico o sentido de um termo bíblico, você perceberá, (como acontece em qualquer língua), que existe vários sentidos no termo em apreço. Cito como exemplo a palavra “espírito” conforme apresentado nos dicionários bíblicos, significa: ‘vento, espírito, hálito, ânimo, Espírito Santo, anjo, demônio’ (Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, vol 1, p. 713-741). Qual dessas várias definições você escolherá para dizer que aquele é o sentido do uso? Quem determina o uso é o autor original no contexto que foi aplicado.

2. O próximo passo é buscar no arcabouço geral bíblico se aquela interpretação bíblica está em harmonia com o que a Bíblia disse a respeito do assunto. Isso, os especialistas bíblicos chamam de “analogia da fé”, que em termos práticos, uma interpretação bíblica não pode contradizer outra parte. Para tanto, precisamos usar clareza e quantidade.

2.1. O melhor caminho a tomar aqui, nos ensinam os intérpretes bíblicos, é usar passagens mais claras para interpretar passagens menos claras. Também, se o assunto é tratado em maior quantidade na bíblia.

2.2. É nesse ponto que a Teologia Bíblica nasce. A teologia bíblica é a ciência que acompanha a atividade da Revelação em seus vários estágios, e nesse campo constrói suas bases.

2.2.1. Um assunto que ilumina de forma indispensável a compreensão bíblica é que a Revelação é progressiva. De maneira simples, uma nova revelação – contemplando de Genesis a Apocalipse – é acumulativa, executiva, aditiva, em comparação à antiga disposição do assunto tratado.

2.2.2. O exemplo mais claro disso é ler o livro bíblico de Levítico e depois ler o livro aos Hebreus. Notamos que Aos Hebreus mostra a execução, ou o cumprimento das várias leis de Levíticos na Soberania de Cristo sobre os anjos, sobre Moisés, sobre Abraão, sobre Arão, em na obra messiânica e redentora. Nesse sentido que lemos o Evangelho de João 1.17.

3. A Bíblia é um livro de um autor divino com autores secundários humanos (II Tm 3.15-17; II Pe 1.20,21). Portanto, existe um sentido pleno (sensus plenior), na abrangente revelação do Autor Divino, que levou o autor humano a escrever aquilo que escreveu. Há um proposito direto, específico em cada escrito bíblico, ao mesmo tempo em que há um propósito do autor divino para a revelação geral de sua vontade e de sua verdade.

3.1. Como prova apresenta-se as várias citações do Velho Testamento feita pelos autores do Novo Testamento. Isso é o resultado direto pela revelação progressiva identificada na teologia Bíblica, porém, como produto final e conclusivo. Vejamos apenas um exemplo – Isaias 7.14.

3.1.1. No contexto imediato da profecia de Isaias o oráculo está inserido no contexto histórico no sítio de Judá, no período do reinado de Acaz. O nascimento de um menino mostraria um sinal de que “Deus está conosco”, isto é, como Reino de Judá diante da ameaça de inimigos (veja Is 7.1,10).

3.1.2. Para tanto, precisa-se compreender que ‘donzela’ em Isaias deve significar uma jovem virgem recém casada. Esse sentido está presente no termo usado em Isaias 7.14. Quando o Evangelista Mateus cita a profecia de Isaias 7.14, (Mt 1.22,23) em relação a Jesus, uma compreensão plena do objetivo da profecia de Isaias é revelada.

4. Depois desses primeiros passos de uma interpretação bíblica, precisamos nos lembrar que a Igreja de Cristo já está sendo orientada pelo Espírito Santo há séculos (Jo 16.7-15; Mt 28.20). Devemos nos lembrar que os princípios que aqui foram mencionados, estão orientando muitos cristãos no decorrer da história. Os dogmas que a igreja cristã aponta como sistematização das suas conclusões devem ser considerados por nós, em nosso século XXI.

4.1. Não é sábio desconsiderarmos os Credos cristãos e Confissões, sem uma base abalizada e fundamentada na Escritura. Talvez seja até um sinal de presunção, que às vezes estamos lendo a Bíblia apenas por alguns anos, já nos sentimos capazes de não considerarmos,  nem usarmos os credos e confissões cristãs.

4.2. Credos e Confissões cristãs devem servir de orientações, não de normas inspiradas, nem são eles de interpretações bíblicas, antes, eles são resultados de interpretações bíblicas confessadas pela igreja como produto final. Pode nos revelar que outros já descobriram o caminho que por hora estamos trilhando, e comprovar que nossas interpretações podem estar certas ou erradas.

CONCLUSÃO

5. Por último, e mais importante. Devemos ter nosso coração submisso às Escrituras que é Deus falando nela e por meio dela. Os princípios de interpretação bíblica pode produzir em nós um sentimento perigoso, que somos nós que estamos determinando o sentido bíblico. Os princípios apresentados não servem para isso e são na verdade são contra isso! Nós devemos buscar o sentido já pressuposto pelo Auto Divino.

5.1. Para subjugar nosso coração precisamos orar por graça do Espírito Santo. Temos um capítulo bíblico inteiro que demonstra magistralmente qual é a disposição hermenêutica que devemos ter no coração. Se possível, leia, copie e ore, o Salmo 119 para imprimir no seu coração e em sua alma, aquilo que deve dominar sua mente, ao ler e interpretar a Bíblia.
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Obras consultadas:
Introdução à Hermenêutica Reformada. Paulo Anglada – Knox Publicações
Manual Bíblico de Haley – Editora Vida
Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento – Edições Vida Nova
Dicionário Bíblico W. E. Vine - CPAD
Teologia Bíblica. Geerhardus Vos – Editora Cultura Cristã
Teologia Sistemática. Louis Berkhof – Editora Cultura Cristã
História das Doutrinas Cristã. Louis Berkhof – Publicações Evangélicas Selecionadas
Como Interpretar a Bíblia. Pedro Gilhuis – CEIBEL
Novo Dicionário de Teologia – Editora Hagnos

Ouvindo a Deus – Shedd Publicações