quarta-feira, 29 de março de 2017

Augustus Nicodemus - Como entender Romanos 9?

Por Rev. Augustus Nicodemus Lopes

A chave para entendermos Romanos 9 é a intenção de Paulo, o que ele quer mostrar? A resposta está nos versículos iniciais, 1-5. Ele está triste porque Israel rejeitou Jesus Cristo. Este fato poderia levantar a questão de que a promessa de Deus havia falhado (verso 6). Paulo evita este problema explicando que a promessa foi feita aos descendentes espirituais de Abraão e não aos seus descendentes físicos. Nem todos de Israel são filhos de Deus (verso 6-7). E estes indivíduos, os descendentes espirituais, a quem as promessas foram feitas, e que serão salvos, foram chamados soberanamente por Deus de entre a nação de Israel. Paulo prova isto mostrando a escolha soberana de Isaque e de Jacó. Eles foram escolhidos enquanto indivíduos, embora, certamente, esta escolha venha a ter algum reflexo em seus descendentes (versos 8-13). O ponto de Paulo é que somente os escolhidos de entre a nação de Israel é que creram (e crerão) em Cristo. São indivíduos escolhidos de entre uma nação, para a salvação. Desta forma, Paulo mostra que as promessas de Deus a Israel não falharam, pois dentre a nação Deus sempre escolheu soberanamente, e não por obras, aqueles israelitas individuais que viriam a crer em Jesus Cristo, como o próprio Paulo.

Em resumo, seguem algumas razões pelas quais o argumento central de Romanos 9 é eleição para a salvação e vida eterna, e que na elaboração da argumentação, Paulo menciona Jacó e Esaú como indivíduos e não como nações, embora os descendentes deles viriam a sofrer os reflexos desta escolha individual.

(1) Toda a seção (Romanos 9-11) é sobre a segurança eterna de pessoas. Eleição de nações não faria qualquer sentido contextual. Paulo disse aos cristãos de Roma que nada poderia separá-los do amor de Deus (Rm 8:31-39). A objeção que provocou a resposta de Paulo em romanos 9-11 foi esta: “Como podemos ter certeza de que as promessas de Deus são seguras, visto que Israel, a quem também promessas foram feitas, não creu no Messias?” A resposta de Paulo é que apenas os indivíduos eleitos dentro de Israel é que estão seguros.

(2) A eleição de Jacó sobre Esaú (Romanos 9:10-13) pode ter implicações nacionais, mas começa com dois indivíduos. Não podemos esquecer este fato.

(3) Jacó foi eleito e Esaú rejeitado antes que tivessem feito algo de bom ou ruim. O texto está falando de indivíduos que podem fazer o bem e o mal. Não fala de nações que sairiam deles e que fariam bem ou mal. O bem e o mal referido é de pessoas, indivíduos, chamados Jacó e Esaú.

(4) Rom. 9:15 enfatiza a soberania de Deus na escolha de indivíduos. "Terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia." O pronome “quem” é um singular masculino. Se Paulo estivesse falando de nações, poderia ter usado um pronome plural.

(5) Rom 9:16 está claramente lidando com pessoas: “Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre”. “Quem quer” θέλοντος e “quem corre” τρέχοντος são dois singulares masculinos. É difícil ver implicações nacionais em tudo aqui. É sobre o desejo e esforço individual. 

(6) Rom 9:18 fala do endurecimento de Faraó, um indivíduo. Não está tratando do endurecimento do Egito, mas da pessoa de seu rei, Faraó. Após falar do endurecimento, Paulo resume o que ele está tentando dizer usando pronomes singulares masculinos: “Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz”. Se Paulo estava falando de eleição e endurecimento de nações, ao terminar o exemplo pessoal e individual de Faraó ele deveria ter dito que ele endurece e tem misericórdia das nações que quer.

(7) A objeção em Rom. 9:14, “Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus?” - faz pouco sentido se Paulo estivesse falando sobre a eleição corporativa ou nacional. A acusação de injustiça poderia facilmente ser respondida se Paulo estivesse dizendo que a eleição de Deus é apenas em relação às nações e não tem a intenção salvadora.

(8) Da mesma forma, a objeção em Rom. 9:19 fica totalmente sem sentido se Paulo não estiver falando de eleição individual. “Algum de vocês vai me dizer: “Se é assim, como é que Deus pode encontrar culpa nas pessoas? Quem pode ir contra a vontade de Deus?” (NTLH). A questão que o opositor de Paulo está levantando é que Deus parece injusto com indivíduos, ao endurecer alguns e ter misericórdias de outro como lhe apraz, e não com nações.

(9) Em Rom 9:14-29 temos uma “diatribe”, um recurso de retórica em que o escritor responde os questionamentos de um opositor imaginário. Os questionamentos estão em Rm 9:14 e Rom 9:19. É um artifício muito bom, mas somente se o autor está entendendo corretamente o opositor. Todos os dois questionamentos do opositor (9:14 e 9:19) tem a ver com a injustiça de escolher uns e deixar outros. Paulo poderia ter corrigido este equívoco e dito, “não estou falando de pessoas, mas de nações”. Contudo, ele aceita como legítima a objeção e responde em termos da eleição de indivíduos. 

(10) Em Rom 9:24 Paulo diz que Deus chamou os “vasos de misericórdia”, que Ele preparou para glória “de antemão” (são os eleitos mencionados no capítulo todo) “não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios”. É difícil ver eleição nacional aqui, pois Deus chamou estas pessoas "dentre" todas as nações, ἐξ Ἰουδαίων (de entre os judeus) e também ἐξ ἐθνῶν (de entre os gentios). Os vasos de misericórdia, que são a descendência espiritual de Abraão, em quem se cumprem as promessas, são chamados por Deus de entre na nação de Israel e de entre as nações gentílicas.

(11) Em Romanos 11:1-10, quando Paulo volta a falar da eleição de israelitas individuais de entre Israel étnico, fica claro que os eleitos são pessoas de entre a nação de Israel, os sete mil que não dobraram o joelho a Baal (Rm 11.4), aos quais Paulo se refere como “a eleição da graça” (Rm 11.5). Isso nos diz duas coisas: 1) eles são sete mil indivíduos que Deus tem mantido crentes dentro da nação de Israel, e não uma nova nação. 2) Esses indivíduos são mantidos por Deus na fé no Deus verdadeiro, não se curvando diante de Baal (ou seja, eles permaneceram fiéis a Deus). Ou seja, a eleição mencionada por Paulo é de indivíduos para a salvação.

Para você não pensar que estes argumentos são meus, consulte estes comentaristas que seguem esta mesma linha de raciocínio:

Jamieson, Robert, A. R. Fausset, and David Brown. Commentary Critical and Explanatory on the Whole Bible. Oak Harbor, WA: Logos Research Systems, Inc., 1997.

Lange, John Peter, Philip Schaff, F. R. Fay, J. F. Hurst, and M. B. Riddle. A Commentary on the Holy Scriptures: Romans. Bellingham, WA: Logos Bible Software, 2008.

Boa, Kenneth, and William Kruidenier. Romans. Vol. 6. Holman New Testament Commentary. Nashville, TN: Broadman & Holman Publishers, 2000.

Henry, Matthew. Matthew Henry’s Commentary on the Whole Bible: Complete and Unabridged in One Volume. Peabody: Hendrickson, 1994.

Carson, D. A., R. T. France, J. A. Motyer, and G. J. Wenham, eds. New Bible Commentary: 21st Century Edition. 4th ed. Leicester, England; Downers Grove, IL: Inter-Varsity Press, 1994.

Spence-Jones, H. D. M., ed. The Pulpit Commentary: Romans. The Pulpit Commentary. London; New York: Funk & Wagnalls Company, 1909.

Wuest, Kenneth S. Wuest’s Word Studies from the Greek New Testament: For the English Reader. Grand Rapids: Eerdmans, 1997.

Fonte: http://bereianos.blogspot.com.br/2014/01/comentario-sobre-romanos-9-eleicao-e-de.html

terça-feira, 28 de março de 2017

Silas Malafaia x Calvinistas – seus problemas e os nossos problemas

Depois que o conhecido pastor Paulo Junior mencionou o nome de vários pregadores da teologia da prosperidade (na conferência Nuvens Sem Água), e tal vídeo caiu no conhecimento do pastor Silas Malafaia, esse resolveu dar uma resposta em uma pregação e depois em seu programa de TV. Como se não bastasse, ele voltou a produzir outro vídeo, talvez indo nas marcas do fato que o pregador Paul Washer sofreu um infarto algum tempo depois após ter pregado na igreja Aliança do Calvário, comunidade pastoreada por Paulo Junior -naquela ocasião, Washer disse odiar as pregações brasileiras da teologia da prosperidade.

Então, nesse último vídeo (AQUI), Silas repetiu partes do que já havia dito duas vezes, e incluiu sua critica aos calvinistas que segundo ele não lutam contra o pecado, chamou Paul Washer de boçal – [que significa : rude, grosseiro, imbecil ou ignorante. Na gíria brasileira, boçal é também aquele indivíduo exibicionista, esnobe e chato, que age com arrogância normalmente por ter melhores condições financeiras ou por se sentir superior aos outros]., e recomendando o site de nosso irmão em Cristo Júlio Severo, e pelo jeito mencionou indiretamente uma Universidade que suspeito ser o Mackenzie, confundiu Teologia da Missão Integral com a Teologia Inclusiva, e quem sabe mais quem ele pensou - parece que colocou todos no mesmo saco, até mesmo Caio Fabio.... só Deus para saber! Fora a horrível indelicadeza dele, que faltou 'um pouco' da modéstia cristã

As reações depois desse ocorrido foram mais negativas para Malafaia, desde o momento que usou a resposta para fazer propaganda de seus livros até o momento que falou de forma indelicada a respeito de um cristão recuperando de uma cirurgia no coração. Vou postar aqui minha opinião sobre tudo isso:

1. Onde Silas Malafaia está certo?

A) Eu oro por esse pastor, pois ele tem sim lutado pela família, contra os movimentos ímpios, com determinação invejável. Me orgulho de Silas Malafaia nesse ponto, assim como de Magno Malta e Marco Feliciano. Infelizmente eu conto mais com tais irmãos nessa luta do que com alguns mestres da minha igreja.

Se Malafaia tivesse se concentrado apenas nesse ponto, em sua defesa, apelando aos irmãos que ele já tem inimigos demais, creio que teria sido melhor e mais sábio. Ainda que isso não justificaria em nada o que eles tem criticado.

B) Concordo também com Silas Malafaia que muitos doutores calvinistas, (e não apenas esses) e a universidade que provavelmente ele mencionou, não está brilhando como luz nesse mundo, muito menos tendo voz profética, nesse mundo ímpio. Essa Universidade está com problemas na receita, (e ‘parece’ que Silas também, anda se defendendo a respeito de acusações com a PF). Fora a participação recorrente do Reverendo Presbiteriano Marcos Amaral em programas de TV onde trataram de assuntos 'inclusivistas' (homo-afetividade e espiritismo), de uma forma que tem causado sempre incomodo aos crentes da IPB – mas ele está firme entre nós... até quando, não sei. Ele não se incomoda com a consciência dos irmãos... Daí falar de pentecostais e arminianos é meio estranho mesmo. Poderíamos tornar pública nossas críticas aos de casa também, quando o escândalo cai no conhecimento de todos.

2. Onde Silas Malafaia está errado?

A) Malafaia está errado por achar que pode defender a igreja evangélica brasileira, no mesmo sentido que critica os que se apresentam como a defendendo!! Isso foi um absurdo. Quando Malafaia aceitar que até mesmo os pentecostais tradicionais se opõem a ele também no que ele prega – sobre prosperidade e auto-ajuda, ele vai parar de pensar que pode falar em nome desses também. Veja o teor teológico de Ciro Sanches Zibordi, Esequias Soares, caro Silas Malafaia!! Bem diferente dos hereges Benny Hinn, Morris Cerulo e Mike Murdock...

B) Outro erro de Silas, o mais grosseiro, foi colocar no bojo, o que não estava em foco – os dons do Espírito. A problemática toda era a Teologia da Prosperidade e Confissão Positiva, não sobre os dons! Aliás, nem mesmo sabemos se Paul Washer ou Paulo Junior seriam assim identificados como “cessacionistas”. Fica claro é que Malafaia queria chamar a “torcida do Flamengo e do Corinthians” para o lado dele, quando nem mesmo tais temas estavam no olho do furação. Era uma estratégia de bando e tumulto, que não deu certo. 

CONCLUSÃO

Aprendamos que posições teológicas serão combatidas e atacadas, ou defendidas e promovidas. Essa luta será permanente, até o Senhor Jesus voltar. Sejamos sábios, pelo menos, em sermos coerentes, e não parciais. Sou Reformado – o que todo cristão deveria ser.  Tenho visto como Deus tem usado homens, que em outros momentos tem errado grosseiramente – foi assim com Pedro (Mt 16.16,17,22,23). Tanto em minha tradição como em outras – assim como também eu pessoalmente, bem mais! Há deficiências de um lado, e robustez em outro.

Não sei se um dia Silas Malafaia vai ler isso aqui, mas eu diria a ele:


Irmão, perceba quantos crentes tem te advertido a deixar essa linha teológica que abraçou (Teologia da Prosperidade), pessoas que o amam, e que sempre lembram-se de um tempo, não muito distante, em que tradicionais, pentecostais, calvinistas, arminianos, te ouviam com comunhão de espírito, ainda que discordando em pontos identificadores, mas não havia a rejeição como é hoje, tão ardente. O Sr já tem passado alguns apertos, que isso lhe seja um sinal de que está na hora de parar! Deus te ilumine.

terça-feira, 21 de março de 2017

A EXEGESE EQUIVOCADA DA TEOLOGIA INCLUSIVA

Por Rev. Olivar A. Pereira

"Essa “teologia” é a que é ensinada pela tal “Igreja Inclusiva”, ou como é mais popularmente conhecida “teologia gay” e respectivamente, “igreja gay”.Dois personagens bíblicos prediletos dessa turma são Davi e Jônatas. Em 1Sm 18.1-5 e 2Sm 1.26 fala-se do amor que um tinha pelo outro. “Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma” 1Sm 18.3 e
“Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; tu eras amabilíssimo para comigo! Excepcional era o teu amor, ultrapassando o amor de mulheres”. (2Sm 1.26).

Temos que lidar com este fato tendo em vista duas interpretações:
  1.  Ou eles eram homossexuais e o homossexualismo não é pecado, pois, Deus não os castigou;
  2.  Ou Deus não os castigou porque eles não eram homossexuais e o amor que um tinha pelo outro não era uma expressão do homossexualismo.


A primeira interpretação (que é a da teologia inclusiva) está totalmente equivocada, pois, contraria as demais partes das Escrituras Sagradas que declaram que o homossexualismo é pecado, é uma abominação aos olhos de Deus (Lv 18.22) e atrai a ira justa de Deus trazendo condenação a quem pratica tal coisa (Gn 19.1-29; Rm 1.24-27; 1Co 6.9; 1Tm 1.10). As Escrituras não condenam algo em uma passagem e em outra, o aprova. O que é considerado como pecado numa passagem o será em todas as partes das Escrituras que tratam do assunto.

Assim sendo, a interpretação correta é a que mostra que o amor de Jônatas e Davi não era um “amor homossexual” (a Bíblia não chama de “amor” as ações homossexuais, mas, sim de “pecado”, “abominação”), mas, sim, a mais sincera amizade, o mais puro amor que não somente é possível como também ordenado entre os filhos de Deus, a saber, o amor sacrificial, que está disposto a morrer pelo bem do outro. E foi justamente isso que Jônatas e Davi fizeram um pelo outro.

Se esse amor dos dois tivesse sido um ato ou sentimento homossexual, Deus teria punido severamente a Davi (e a Jônatas) como fizera em outras ocasiões em que Davi pecara, tal como no adultério com Bate-Seba e o assassinato encomendado de Urias (2Sm 11 e 12).

A teologia inclusiva (assim como todas as demais teologias equivocadas, depravadas e mentirosas) me faz lembrar as palavras de Pedro sobre os ensinos de Paulo:

“…ao falar acerca destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles” (2Pe 3.16). 

Sim, os ignorantes e instáveis vivem deturpando as Escrituras com a finalidade de respaldarem seus pecados e sentirem-se confortáveis consigo mesmos. O que tais ignorantes e instáveis se esquecem é que um dia estarão diante de Deus e Lhe prestarão contas de todas as palavras e ações frívolas (Rm 14.12; Hb 4.13; 1Pe 4.5)."

quinta-feira, 16 de março de 2017

5 Votos de A. W. Tozer


"1. Trate seriamente com o pecado!"
Na intimidade, na família, na igreja e na sociedade.

"2. Não seja dono de coisa alguma!" 
Não se apegue aos bens materiais e ao dinheiro.


"3. Nunca se defenda!"
Faça a obra de Deus, e Ele cuidará de sua reputação.



"4. Nunca passe adiante algo que prejudique alguém!"
Ore por seu irmão, e ajude seu próximo.




"5. Nunca aceite qualquer glória!" 
A Glória de Tudo pertence a Deus e somente a Ele.   

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