terça-feira, 13 de junho de 2017

Por que a Fé Reformada e o Pentecostalismo são incompativeis?

“Sou um calvinista pentecostal” (CP), ou “Sou um pentecostal calvinista”(PC), depende quando é dito por quem aderiu ao movimento seguinte. Muitos hoje asseveram que é possível ser calvinista e ao mesmo tempo ser pentecostal. Se por calvinismo você entender apenas os cinco pontos da soteriologia Reformada, e se por pentecostal você entender apenas a continuidade de dons miraculosos, sem uma estudo mais profundo das bases calvinistas e pentecostal, de maneira simplória, aparentemente não haveria muitos embates. Mas a questão não é simples assim. Não definitivamente, não!

Não estou aqui a dizer que não há quem consiga fazer isso... até por que dois homens de Deus que conheço na internet o são – Clóvis do Blog Cinco Solas, bem como o ilustre Pastor Geremias Couto...  No entanto, o que devemos entender, é que o calvinismo não pode ser sustentado apenas em seus cinco pontos destituído de sua teologia todo abrangente apresentada nas confissões reformadas oficiais, já que os cinco pontos surgem de toda reflexão Reformada, e não é anterior a ela. Tentarei justificar essa minha argumentação, onde creio ser impossível ser Pentecostal e Reformado, nesse prisma que serve como regente ao pensamento calvinista representado na TULIP.

Ø  O grande tropeço entre a teologia reformada e a teologia pentecostal, é exatamente a continuidade dos dons, sendo isso, inevitavelmente uma contra partida à suficiência e autoridade da Escritura. 

Sim, esse é o grande problema! Quando os PCs ou CPs tendem minimizar os dons a um grau de orientação pessoal, não canônico, eles acabam causando um impasse a esse argumento – afinal, a voz do Espírito Santo, dita por Ele, através de um dom não seria doutrina? No livro Conhecendo as Doutrinas da Bíblia, Myer Pearlman fala que o dom de profecia não substitui a pregação e o ensino, “mas apenas complementa-os com o toque da inspiração”! O esmo autor precisa ainda explicar como os profetas atuais são inspirados, e o debate é semelhante à inspiração das Escrituras (p.323,324).

Ao ponto, indicado – a crença Reformada, e na verdade cristã, o que diz? Veja o que o Catecismo Maior de Westminster codifica:

“3. Que é a Palavra de Deus? R: As Escrituras Sagradas, o Velho e o Novo Testamento, são a Palavra de Deus, a única regra de fé e prática. II Tim. 3:16; II Pedro 1:19 21; Isa. 8:20; Luc. 16:29, 31; Gal. 1:8-9.”

Quando um crente Pentecostal resolve fazer algo, pois (supostamente) recebeu do Espírito uma orientação pessoal e especial, ele fez dessa orientação uma prática, a Escritura nesse caso não é a única fonte que o Espírito lhe fala. Isso é fundamental para um Reformado. Muitos dizem assim:

        1. E se tal orientação direta estiver em harmonia com a Palavra?
2. Outros dizem: e se tal orientação direta for uma passagem da Palavra?

Se está com base na Palavra e em harmonia com ela, por qual motivo o Espírito então não fala nessa palavra ao coração do crente, trazendo à sua memória, em uma pregação ou leitura, tal princípio bíblico? Isso precisa ser novamente revelado e ou ‘reprofetizado’? Por qual motivo o lembrete dessa Palavra vem por meio de um canal especial, por um comunicador especial, em um período que toda a revelação de Deus já se completou e está nas mãos desse servo de Deus?
Exemplos:

O Espírito Santo está diria por intermédio de uma profecia para você ler ou praticar Mateus 28.19,20, onde diz que devemos fazer discípulo?
O Espírito Santo disse para você casar com certa pessoa?
O Espírito Santo te mandou sair do seu emprego e abrir seu próprio negócio?
O Espírito Santo mandou você fazer um voto e não tomar coca-cola?

Em tais campos da vida todo crente tomará suas decisões, com base na Palavra, no seu discernimento cristão. Os dons para uso pessoal, como defende alguns, é uma forma de ‘driblar’ o impasse diante da necessidade de crer que as Sagradas Letras já são suficientes para ‘nos equipar para toda boa obra’.

Antes de prosseguir, quero fazer duas ponderações aqui que são altamente esclarecedoras. 1. Não estou dizendo que Deus não faça mais atos extraordinários ou milagrosos, ele o faz e fará quando quiser. 2. O problema da continuidade dos dons não deve ser avaliado apenas à luz do ensino bíblico, mas em especial se a atual manifestação está condizente com esse ensino e modelo bíblico.

Nota-se uma falta de conexão na defesa Pentecostal ao apelar para o uso dos dons na Igreja do NT, com a nossa situação. Vou ilustrar da seguinte maneira:

Estamos no ano 39 d.C. A igreja de Cristo começa a propagar e se expandir. Somos ainda uma ‘seita’ judaica, rejeitada pelos próprios líderes judaicos. Essa ramificação afirma que tem a verdade que foi prevista no sistema mosaico e nos profetas. Essa pequena religião, diz ao mundo que o seu Deus é o criador do mundo e enviou o Seu Filho, e como homem morreu e ressuscitou ao terceiro dia. Não temos templo, as vezes nos reunimos no Templo Judaico, que em fase de transição, não está sendo mais útil, pois Jesus substituiu tudo aquilo. Perseguidos pelo Império Religioso e Político, começamos uma nova interpretação dos Escritos judaicos. As igrejas se organizam, mas não nenhuma orientação para cada comunidade local. Que está formada por pessoas não judaicas e judeus convertidos. Quais nossas práticas e ações? Como orientar uma comunidade distante? O que fazer em certa e certa situação, envolvendo cerimônias e pecados? Como será estabelecida nossa liderança? E os cultos, como fazer? Há o sistema judaico em pleno andamento, até que ponto isso ainda faz parte da Igreja? Certamente o Espírito Santo conduziria as igrejas locais e os crentes, que ainda não possuíam uma orientação clara. Daí chaga-nos a notícia que algumas cartas foram escritas – Tiago, Colossenses, Evangelho de Marcos. Começamos a providenciar que uma cópia dessas cartas chegassem em nossa igreja (veja Cl 4.16). Quando o assunto foi estabelecido pela autoridade direta ou derivada, de alguma apostolo, o assunto era assentado como resolvido e direcionado. Nesse caso, já não se havia necessidade de revelação ou profecia, visto que o fundamento da Igreja eram os apóstolos.

Tais questões são hoje facilmente solucionadas, mas imagine-se naquele tempo, possuindo apenas o VT como orientação? A Igreja não nasceria se o Bendito Revelador da Verdade, não cuidasse dela por meio dos dons! Interessante que até mesmo temas futuros também foram já estabelecidos – pergunto: se o Espírito continuasse nos revelando nos dias atuais, por que ele cuidaria de nos avisar na Escritura a respeito de tudo que está relacionado ao fim de todas as coisas, na Escritura? Veja: II Ts 2.1-6; II Tm 3.1-0; II Pe 2,3; Apocalipse.

Mais acima eu disse que temos outra situação. Falta de padrão com o que é hoje praticado com o modelo bíblico. UM CULTO PENTECOSTAL É UM VERDADEIR DESCOMPASSO AO QUE O ESPÍRITO FALOU EM I CORINTIOS 14 E O QUE ELE FEZ AM ATOS 2! Sem falar, da falta de qualquer dom do Espírito a respeito em operação de milagres – os dons geralmente os chamados dons da fala (línguas ou profecias genéricas, ou das que não podem ser constatadas, sonhos ou visões). Nenhum pentecostal com os dons que dizem ter, até hoje foi realmente útil, em descobrir manuscritos bíblicos, traduzir as línguas originais, resolver grandes questões, que a Teologia Cristã se arrastou por séculos em oração e debruçando na Palavra, para se submeter ao Espírito e oferecer a Igreja uma direção em épocas de crises. A Reforma Protestante, por exemplo, depois do período do NT e dos Credos, não contou com nenhum pentecostal.

Quando lemos a Bíblia, percebemos que Jesus Cristo, por exemplo, ao curar: 1. Sem nenhum padrão estabelecido – eles curava de longe, com as mãos, com cuspe, dando ordem, sem saber, exigindo fé, sem exigir fé. 2. Todas as curas foram instantâneas – nenhum cura de Jesus foi além do momento da emissão da ordem, pois eram sinais do reino e de Sua autoridade, não poderia haver dúvida que não foi uma cura extraordinária. 3. A maioria esmagadora das curas físicas de Cristo, foi realizada naqueles que não eram seus discípulos – eram comprovações de que era Filho de Deus.

A meu ver, a Fé Reformada Confessional, que é por natureza a Fé Bíblica, não coaduna com o movimento Pentecostal, pois:

1. O movimento Pentecostal é uma ameaça à suficiência da Bíblia, por mais que os teólogos pentecostais tenham tentado ‘minimizar’ esse perigo, ele é inato ao movimento pentecostal e jamais poderá se desvencilhar desse perigo, enquanto segurar numa mão a Bíblia completa e por outro, fechar os olhos buscando ‘mais outra revelação’, quer para sua vida, quer para a igreja q qual ele prega. (Nota: Nenhum apologista pentecostal pode questionar por fim a fonte da autoridade de seitas proféticas, mas apenas nos efeitos, pois ambos, creem que Deus ainda está falando.)

2. O movimento Pentecostal é uma ameaça a autoridade da Bíblia, pois seu padrão hoje visto não está de forma alguma condizente com o que acontecia na Escritura. Os dons bíblicos, ainda que existissem, é um fato que não é encontrado no dia de hoje, conforme era produzido no tempo bíblico. Por isso, dizer que apenas os neopentecostais, estão em erros, pois não produzem coisas ordenadas na Escritura, não pode ser uma conclusão que exclua os cultos pentecostais tradicionais.

3. O movimento Pentecostal surgiu em uma época distinta do período bíblico, pois a necessidade dos dons no período da igreja nascente, e sem o NT em mãos, é totalmente desproporcional ao que vivemos hoje após o fechamento do cânon.



Dizer que é Reformado e Pentecostal, e unir Westminster à Rua Azuza, é um descompasso para um dos lados - é impossível unir as duas vertentes. Ou dilui uma , ou outra.

3 comentários:

  1. Com todo respeito aos irmãos Pentecostais.

    Satanás está com todo poder de engano neste final dos tempos e está usando como sinagogas as igrejas Pentecostais para atrair a muitos, com supostas doutrinas Cristãs.

    Mateus 24:24 "Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos."
    1 João 4:1 "Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo."

    http://centrowhite.org.br/pesquisa/artigos/dons-espirituais-e-profecia/

    Com todo respeito aos Calvinistas, Satanás através de seus sofismas, conseguiu elaborar uma doutrina que confunde os adeptos por ser tão bem elaborada, astuta e ardilosa que é esta doutrina incoerente e que elimina o atributo de Justiça de Deus.

    Por isso são filhas de Babilônia, aceitam doutrinas de demônios, doutrinas antibíblicas.

    Apocalipse 18:4 "E ouvi outra voz do céu, que dizia: Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas."

    Profetas e Reis - Pag. 177
    "Através dos longos séculos que têm passado desde o tempo de Elias, o registro da atividade de sua vida tem levado inspiração e coragem aos que têm sido chamados a permanecer pelo direito em meio de apostasia. E para nós, "para quem já são chegados os fins dos séculos" (I Cor. 10:11), ele tem especial significação. A História está-se repetindo. O mundo hoje tem seus Acabes e suas Jezabéis. O presente século é tão verdadeiramente um século de idolatria como aquele em que Elias viveu. Pode não haver nenhum altar externamente visível; pode não haver nenhuma imagem sobre que os olhos repousem, contudo, milhares estão seguindo após os deuses deste mundo - riquezas, fama, prazeres e as agradáveis fábulas que permitem ao homem seguir as inclinações do coração não regenerado. Multidões têm uma errônea concepção de Deus e Seus atributos, e estão servindo a um falso deus tão verdadeiramente como o estavam os adoradores de Baal. Muitos, mesmo entre os que se declaram cristãos, têm-se aliado com influências que são inalteravelmente opostas a Deus e Sua verdade. Assim, são levados a se afastarem do divino, e a exaltarem o humano."

    PR - Pag. 178
    "O espírito predominante em nosso tempo é de infidelidade e apostasia - espírito de professada iluminação por causa do conhecimento da verdade, mas na realidade da mais cega presunção. Teorias humanas são exaltadas, e postas onde deviam estar Deus e Sua lei. Satanás tenta homens e mulheres a desobedecerem, com a promessa de que na desobediência encontrarão liberdade e independência que os tornarão deuses. Há um visível espírito de oposição à clara Palavra de Deus, de idolátrica exaltação da sabedoria humana sobre a revelação divina. Os homens têm permitido que suas mentes se tornem tão entenebrecidas e confusas pela conformidade aos costumes e influências mundanos, que parecem haver perdido todo o poder de discriminação entre a luz e as trevas, a verdade e o erro. Tão longe têm-se afastado do caminho do direito a ponto de sustentarem as opiniões de uns poucos filósofos, assim chamados, como mais dignas de crédito do que as verdades da Bíblia. As instâncias e promessas da Palavra de Deus, suas ameaças contra a desobediência e a idolatria - tudo parece não ter poder para tocar-lhes o coração. Uma fé como a que operou em Paulo, Pedro e João, eles a consideram como coisa do passado, misticismo, e indigna da inteligência dos modernos pensadores.
    No princípio Deus deu Sua lei à humanidade como um meio de alcançar a felicidade e vida eterna. A única esperança de Satanás de poder frustrar o propósito de Deus é levar homens e mulheres à desobediência a essa lei; e seu constante esforço tem sido falsear seus ensinos e diminuir sua importância. Seu principal ataque tem sido a tentativa de mudar a própria lei, assim como levar os homens a violar seus preceitos enquanto professam obedecê-la."

    Deus os ilumine

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  2. Incrível como os calvinistas seguem à risca as pegadas de seu mestre na blasfêmia contra o Espírito Santo. Então é assim: creem mais no poder de Belzebu do que no poder de Deus... Os milagres que grassam via dons espirituais no meio pentecostal (aliás, concedidos pelo próprio Espírito Santo à Igreja - e não estou certo de que saibam o que venha ser Igreja em...), dizem eles,vem de Belzebu e não de Deus... Logo, qualquer semelhança com o que os fariseus disseram a respeito de Cristo quando este expulsava demônios e os calvinistas não pode ser mera coincidência... A fonte é mesma: Satanás. Aliás, Aliás, ademais não é difícil inferir que a teoria da predestinação calvinista é, de per se, blasfêmia contra o Espírito Santo. Ou seja: que moral tem os calvinistas de criticarem os pentecostais? Resposta: nenhuma.

    Libertas vera est Christo servire

    Agostinho Antialienação.

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