quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Stephen Charnock: O Conhecimento de Deus e a Vontade do Homem

"Agora, vamos considerar resumidamente seis princípios a respeito do conhecimento de Deus e a vontade do homem.

1. O fato de alguma coisa necessariamente tenha que ocorrer, não tira a liberdade do executor. Podemos agir livremente, mesmo que Deus determine nossas ações de antemão.

2. A vontade não pode ser compelida, pois então deixaria de ser vontade. Quando fazemos o que desejamos, não podemos honestamente dizer que fomos forçados a isso. Adão não ousou acusar a Deus por forçá-lo a pecar. Judas, que ouviu Cristo profetizar sobre a sua traição, não ousou acusar a Cristo pelo seu pecado, pois agiu livremente, ficando cheio de um insuportável sentimento de culpa.

3. Considerada em si mesma, a presciência de Deus não é a causa de nada. Até o homem, com seu pré-conhecimento limitado das coisas, não pode determinar o futuro delas. Eu posso até saber que se um bêbado entrar em um bar, ele ficará embriagado, mas o meu conhecimento deste fato não é o causador disso. O pré-conhecimento de Deus não tira a liberdade da vontade do homem.

4. Deus conhece de antemão todas as coisas porque elas irão ocorrer, mas elas não irão ocorrer porque Ele as conhece de antemão. Algumas coisas Deus determinou fazer por si mesmo, enquanto outras, Ele permitiu que Suas criaturas fizessem, retirando assim o seu poder restritor sobre elas. (Isso elimina Deus de qualquer cumplicidade ou autoria com relação ao pecado).

5. Deus não somente previu as ações dos homens, mas também a vontade dos homens. O conhecimento de Deus do homem não faz com que o homem seja menos homem. Embora Deus conheça os agentes livres, eles permanecem na posição de liberdade, não de compulsão. Em outras palavras, o conhecimento de Deus estabelece a liberdade do homem ao invés de destruí-la.

6. A fim de defender a liberdade da vontade do homem, não devemos negar a perfeição do conhecimento de Deus. Devemos esperar até aquele último dia para que possamos conciliar melhor estas duas verdades. Na verdade, Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos (Romanos 11: 33)! Devemos evitar o fatalismo por um lado, e o ateísmo do outro."

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Por que o Adventista Ivan Saraiva não é Calvinista?


COMENTÁRIOS SOBRE O SERMÃO “POR QUE NÃO SOU CALVINISTA?” DE IVAN SARAIVA
por Bruno dos Santos Queiroz.

         O objetivo deste artigo é fazer algumas breves pontuações sobre o sermão “Por que não sou calvinista?” pregado pelo pastor adventista Ivan Saraiva no programa “Está Escrito Adoração” (AQUI). É comum ouvir da seita Adventista (veja provas que essa igreja é uma seita AQUI) da qual o autor faz parte, que os apologistas cristãos não leem as fontes primárias do Adventismo e que por isso se limitam a atacar espantalhos. Mas os adventistas parecem nos acusar do erro que na verdade são eles mesmos que cometem. Sobre o vídeo se pode observar que Ivan Saraiva:

1.           Confunde calvinismo com fatalismo.

         A doutrina calvinista ensina que Deus determinou todas as coisas. Isso significa que Deus estabeleceu não somente o fim, mas também os meios pelo qual esse fim seria alcançando. Desse modo, por seu decreto, Deus estabeleceu uma rede concatenada de conexões causais de modo que para determinados fins são necessários determinados meios. É nesse sentido que a Bíblia fala de condicionais, como quando diz “se alguém invocar o nome do Senhor, esse será salvo”, ou “sem santificação ninguém verá o Senhor”.
“IV. A onipotência, a sabedoria inescrutável e a infinita bondade de Deus, de tal maneira se manifestam na sua providência, que esta se estende até a primeira queda e a todos os outros pecados dos anjos e dos homens, e isto não por uma mera permissão, mas por uma permissão tal que, para os seus próprios e santos desígnios, sábia e poderosamente os limita, e regula e governa em uma múltipla dispensação [...]” (CFW, cap 5).
A Confissão de Fé ainda explica, como um alerta, a concepção de previsão: “II. Ainda que Deus sabe tudo quanto pode ou há de acontecer em todas as circunstâncias imagináveis, ele não decreta coisa alguma por havê-la previsto como futura, ou como coisa que havia de acontecer em tais e tais condições. At. 15:18; Prov.16:33; I Sam. 23:11-12; Mat. 11:21-23; Rom. 9:11-18.”
         Visto que Deus determinou também os meios, não haverá salvação para aqueles que não se conformarem aos padrões morais de Deus. Além disso, Deus determinou fazer uso das nossas orações para executar alguns dos seus propósitos. Assim, os calvinistas oram sabendo que Deus determinou cumprir algumas coisas em respostas as suas orações, e se esforçam para viver em santidade.
Diferente da doutrina calvinista, o fatalismo ensina que o Destino estabeleceu os fins independentes dos meios. Assim, não importa o que aconteça, o que está destinado a acontecer, acontecerá. Quando o pastor argumenta que: “Não importa nada se o indivíduo foi predestinado ele pode fazer o que quiser da vida dele que ele será salvo.” Ou quando questiona sobre “Por que orar se tudo está determinado?”, fica claro que a doutrina que Ivan Saraiva está refutando não é o calvinismo, mas sim o fatalismo.

2.           Confunde livre-arbítrio com liberdade.
         O pastor adventista, ao observar que Lutero e os calvinistas negam o livre-arbítrio do homem caído, conclui que isso significa a negação da liberdade humana.  E daí passa a entender que os calvinistas negam a responsabilidade humana e que ensinam que Deus coage e força as pessoas a fazerem Sua vontade. Mas não é verdade que calvinistas, ao negarem o livre-arbítrio do homem caído, negam com isso a liberdade de escolha do ser humano. 
         Ivan Saraiva define livre-arbítrio como um indivíduo que tem o árbitro de definir por si mesmo o que é certo ou errado e para definir o que fará da sua vida. Tal livre-arbítrio, para o referido pastor, é exercido independente do decreto de Deus. Ele observa que nem todos os detalhes podem estar predestinados e que precisa haver um espaço para que o homem exerça sua liberdade. Tal noção não é nem mesmo ortodoxa, e aproxima-se muito mais do teísmo aberto. O pastor chega a afirmar que Deus nos escolheu para ajudá-lo a governar!
         É evidente que os calvinistas rejeitam tal visão neoteísta herética de livre-arbítrio. Mas isso não significa que o calvinismo negue o livre-arbítrio e a liberdade de escolha segundo uma definição que não contrarie a soberania divina. De uma maneira didática e dentro de uma perspectiva agostiniana,poderíamos definir livre-arbítrio como o poder de escolher tanto o bem, quanto o mal. Nesse sentido, Adão tinha livre-arbítrio, pois ele tinha poder tanto de obedecer a Deus quanto de desobedecê-Lo. No entanto, seu querer foi o mal. Quando a Queda aconteceu, a humanidade perdeu o poder de fazer o bem espiritual (assim o homem não tem mais livre-arbítrio), mas permaneceu livremente e voluntariamente querendo o mal. Isso significa que quando alguém peca, ele está simplesmente fazendo o que quer, ainda que não possa, por si mesmo, fazer o contrário.
         Os calvinistas não negam, portanto, que os homens sejam moralmente responsáveis. Afirmam tanto que Deus decreta o pecado, mas de uma forma tal que Ele não é o Autor do pecado, quanto que o homem escolhe livremente pecar, e por isso é moralmente responsável pelos seus atos. Afirmam também que Deus não coage, nem viola a vontade humana. Os calvinistas simplesmente ensinam que para que o homem se volte para Deus, Ele precisa ter seu coração mudado, pois no estado natural ninguém jamais escolheria a Deus. Mas o homem regenerado não é coagido a se voltar para Cristo, ele faz isso livre e voluntariamente segundo sua nova natureza.
Considerando que os Símbolos de Westminster, representa o pensamento teológico da fé Reformada, pode dizer categoricamente que qualquer que diz ser presbiteriano e faz uma afirmação, no sentido de Deus ser autor do pecado, automaticamente, virtualmente, ele não pode ser presbiteriano – confessional. Perceba o que é confessado pela crença presbiteriana:

“I. Desde toda a eternidade, Deus, pelo muito sábio e santo conselho da sua própria vontade, ordenou livre e inalteravelmente tudo quanto acontece, porém de modo que nem Deus é o autor do pecado, nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou contingência das causas secundárias, antes estabelecidas. Isa. 45:6-7; Rom. 11:33; Heb. 6:17; Sal.5:4; Tiago 1:13-17; I João 1:5; Mat. 17:2; João 19:11; At.2:23; At. 4:27-28 e 27:23, 24, 34.”

“IV. A onipotência, a sabedoria inescrutável e a infinita bondade de Deus, de tal maneira se manifestam na sua providência, que esta se estende até a primeira queda e a todos os outros pecados dos anjos e dos homens, e isto não por uma mera permissão, mas por uma permissão tal que, para os seus próprios e santos desígnios, sábia e poderosamente os limita, e regula e governa em uma múltipla dispensação mas essa permissão é tal, que a pecaminosidade dessas transgressões procede tão somente da criatura e não de Deus, que, sendo santíssimo e justíssimo, não pode ser o autor do pecado nem pode aprová-lo. Isa. 45:7; Rom. 11:32-34; At. 4:27-28; Sal. 76:10; II Reis 19:28; At.14:16; Gen. 50:20; Isa. 10:12; I João 2:16; Sal. 50:21; Tiago 1:17.”

Sobre isso Louis Berkhof diz:

“outras coisas que Deus inclui no Seu decreto e pelo qual tonou certas, mas que não decidiu efetuar pessoalmente, como os atos pecaminosos das Suas criaturas racionais. O decreto, no que se refere a estes atos, é geralmente denominado decreto permissivo. Este nome não implica que o futuro destes atos não é certo para Deus, mas simplesmente que Ele permite que aconteçam pela livre ação das Suas criaturas racionais. Deus não assume a responsabilidade por estes atos, sejam quais forem.” (Teologia Sistemática, p. 97).

O mesmo autor explica que nesse caso Deus determina ‘não impedir a autodeterminação pecaminosa finita e regula o resultado dessa autodeterminação pecaminosa’ (p. 99).

A. A. Hodge afirma: “Deve lembrar-se, contudo, que o propósito de Deus com respeito aos atos pecaminosos dos homens e anjos répobros, em nenhum aspecto causa o mal nem o aprova, mas apenas permite que o agente mau o realize, e então o administra para seus próprios sapientíssimos e santíssimos fins.” (A Confissão de Fé comentada, p. 98).

O pecado nasceu do livre-arbítrio do diabo, de Adão e Eva. Embora Deus o tenha definido, foram os tais agentes livres, sem influencias naturais internas, em seu exercício racional, decidiram desobedecer a Deus, e Este, impultou neles a maldição e corrupção, prometida em Sua sentença.

Sobre isso, a CFW diz:

 “I. Nossos primeiros pais, seduzidos pela astúcia e tentação de Satanás, pecaram, comendo do fruto proibido. Segundo o seu sábio e santo conselho, foi Deus servido permitir este pecado deles, havendo determinado ordená-lo para a sua própria glória. Gen. 3:13; II Cor. 11:3; Rom. 11:32 e 5:20-21.” (Cap. 6).

“CAPÍTULO IX - DO LIVRE ARBITRIO:  I. Deus dotou a vontade do homem de tal liberdade, que ele nem é forçado para o bem ou para o mal, nem a isso é determinado por qualquer necessidade absoluta da sua natureza. Tiago 1:14; Deut. 30:19; João 5:40; Mat. 17:12; At.7:51; Tiago 4:7. II. O homem, em seu estado de inocência, tinha a liberdade e o poder de querer e fazer aquilo que é bom e agradável a Deus, mas mudavelmente, de sorte que pudesse decair dessa liberdade e poder. Ec. 7:29; Col. 3: 10; Gen. 1:26 e 2:16-17 e 3:6. III. O homem, caindo em um estado de pecado, perdeu totalmente todo o poder de vontade quanto a qualquer bem espiritual que acompanhe a salvação, de sorte que um homem natural, inteiramente adverso a esse bem e morto no pecado, é incapaz de, pelo seu pr6prio poder, converter-se ou mesmo preparar-se para isso. Rom. 5:6 e 8:7-8; João 15:5; Rom. 3:9-10, 12, 23; Ef.2:1, 5; Col. 2:13; João 6:44, 65; I Cor. 2:14; Tito 3:3-5.”

Como ficou o mundo desde então?

“28. Quais são as punições do pecado neste mundo? As punições do pecado neste mundo são: ou interiores, como cegueira do entendimento, sentimentos depravados, fortes ilusões, dureza de coração, remorso na consciência e afetos baixos; ou exteriores como a maldição de Deus sobre as criaturas por nossa causa e todos os outros males que caem sobre nós em nossos corpos, nossos bens, relações e empregos - juntamente com a morte. Ef. 4:18; Rom, 1:28; 11 Tess. 2:11; Rom. 2:5; Isa. 33:14; Rom. 1:26; Gen. 3:17; Deut. 28:15; Rom. 6:21, 23.” (Catecismo Maior de Westminster).

Não é possível saber o por quê, o ilustre Ivan Saraiva, omitiu o pensamento calvinista confessional em sua palestra.

3.           Ensina a salvação por uma decisão humana
         
O vídeo termina com o chamado a uma “decisão” que definirá o destino eterno da pessoa. No final, o ponto decisivo não é a obra de Deus, pois esse predestinou a todos, nem a obra de Cristo, pois esse morreu por todos, mas a obra humana de determinar seu destino e de confirmar esse destino dia a dia permanecendo nele. Ivan Saraiva faz o destino final das pessoas depender totalmente de uma “decisão” humana. Se uma pessoa pode decidir não resistir à graça e se é essa obra de não resistir à graça que ultimamente definirá seu destino final, a salvação não é pela graça Soberana dada e assegurada, mas por uma decisão.
         
A Escritura, por outro lado, fala de “eleitos”. Se Deus escolhesse a todos, na verdade ele não teria feito escolha alguma, pois “escolher” implica selecionar alguns dentre o todo (Ef 1; Rm 9). A Bíblia fala não só de vasos de misericórdia predestinados para a salvação, como também de vasos de ira preparados para a perdição. Há na Bíblia, eleitos e réprobos, ovelhas e cabritos, piedosos e ímpios. Nem todos são eleitos de Deus.
         Além disso, a Palavra de Deus diz que a morte de Cristo perdoa efetivamente os pecados, o que significa que ela traz eficaz redenção (Is 53). Se isso é assim, nosso Senhor garante a salvação de todos aqueles por quem Ele morreu, e, portanto, temos que concluir que Jesus não morreu pelos que vão se perder (Jo 10).
         No fim, não se pode pensar em um coração regenerado que possa resistir à graça. Seria como esperar que um sedento em meio ao deserto recusasse a oferta de um copo de água. Desse modo, se admitimos o ensino da Escritura sobre a salvação, temos de assumir que a graça salvífica é, em última instância, irresistível.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
         Como pudemos ver, Ivan Saraiva não sabe muita coisa sobre o que Calvinismo realmente ensina.  Ele confunde a doutrina agostiniana com fatalismo, propõe um conceito herético de livre-arbítrio e faz toda a salvação depender de uma obra humana. A doutrina reformada, por outro lado, afirma a soberania de Deus na salvação, sem precisar negar com isso a liberdade humana conforme definida biblicamente.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Augustus Nicodemus, Ezequiel Gomes e a Alma

Deixarei vídeo sobre certeza ou não da salvação e vamos para algo mais relacionado a respeito de um assunto muito palpitante para o Adventismo, a saber; a imortalidade da alma (AQUI). 

Gomes faz menção de vários textos bíblicos para destacar que Nicodemus deu a entender que o Adventismo se baseia apenas em Eclesiastes 9. Mas aí Gomes faz a mesma coisa quando diz que a maior prova de Nicodemus seria apenas a parábola do Rico e Lázaro. Muito interessante, isso não? Essa refutação de Gomes é uma critica feita a si mesmo, portanto.

A interpretação de Ellen White, citada por Nicodemus é de rir até contorcer no chão. Gomes que se porta como um interprete poderia se indignar como um estupro bíblico desse. Veja se você encontra isso em Gênesis:

“[...] a declaração da serpente a Eva, no Éden – “certamente não morrereis” – foi o primeiro sermão pregado acerca da imortalidade da alma. Todavia, esta assertiva, repousando apenas na autoridade de Satanás, ecoa dos púlpitos da cristandade, e é recebida pela maior parte da humanidade tão facilmente como o foi a nossos primeiros pais.” (O Grande Conflito, p. 539).

Quando lemos os escritos de White, percebemos que seu grande problema em relação a esse assunto foi, ao rejeitar o espiritismo, ela foi ao extremo de rejeitar a imortalidade da alma, que obviamente seria um pressuposto (deturpado) do estado dos mortos, isto é – que seria possível a comunicação com os mesmos (Primeiros Escritos, p. 262).

E, claro, tudo que ela escreveu o Adventismo precisa prescrever, investiram forças para atacar essa doutrina. Talvez apenas o Dia do Senhor, o Domingo, seja tão caluniado pela teologia Adventista quanto o ensino de imortalidade da alma. Avaliemos isso que Ellen White disse:

1)    O tema não tinha nada em mira a respeito do que poderia acontecer na morte. O mandamento do SENHOR foi simples e objetivo – não coma da árvore, pois se comer vai morrer (Gn 2.17). 2)    Não houve nenhum sermão tendo uma promessa de imortalidade da alma como recompensa, mas que eles não morreriam (Gn 3.4)! O diabo não disse a Eva – ‘não se preocupe com a morte, sua alma é imortal mesmo, ela continuará viva após a morte’. Não, não houve nada nessa direção. 3)    O assunto tinha como o início a morte espiritual e seguiu a morte física. Note que Deus disse que no dia que eles comessem, morreriam, e o que temos “NO DIA” foi que tiveram um desastre espiritual. Ficaram com vergonha, esconderam-se do SENHOR, fugiram de Sua presença, foram amaldiçoados e expulsos do Jardim (Gn 3.7-19). 4)    Se a imortalidade da alma fosse o foco, apenas após a morte ficaria provado que o diabo estava mentindo! Sim, se promessa do diabo fosse a imortalidade da alma, como uma promessa falsa, então toda a situação que se desenrolou não seria evidência alguma que ele estava enganando, pois apenas após a morte é que se daria ou não o que foi dito. O que nenhum poderia verificar ali e voltar para avisar ao outro que o diabo mentiu!

Ellen White rejeitou o ensino bíblico da imortalidade da alma e o Adventismo vai obedecer, e seguir o rastro de qualquer evidencia e vai usar sua erudição nessa direção. Daí Gomes nos dá uma pérola maravilhosa, que nossa crença é a mesma do espiritismo! Ele tenta lançar fumaça entre o calvinismo e seu debate sobre a predestinação, e olha como o espiritismo e mais justo! Mas que coisa linda essa defesa de Gomes..., vamos lá, seguindo essa apologética comparativa sem sintonia, posso então dizer que o espiritismo também acha que não é justo uma pessoa pagar o pecado de outra – nos parece justo isso, não? – nem nós de Adão nem Cristo de nós!?! Ah, Sr Gomes, pífio isso...

Resposta sobre a mortalidade e imortalidade da alma: É muito fácil tratar desse assunto de forma lógica e claramente bíblica. Deixa eu explicar para os que possuem a Bíblia como autoridade –

1. A definição linguística, para palavra alma, tem uma carga semântica alta, e com o tempo, e dentro do período bíblico, foram acoplados novos conceitos ao termo. Assim, quando lemos um dicionário há uma gama de variedade de sentidos que o contexto onde é citado que deve determinar qual o uso pretendido - (Gomes sabe disso, como pode ser visto em um debate). Alma significa pessoa, vida, eu intimo, vida animal, é dito que Deus tem alma, sangue, a até aqui o adventismo aceita e malha em textos que denotam tais facetas do termo alma (quer em hebraico, quer em grego). Porém, os mesmo dicionários reconhecem que o uso desse termo TAMBÉM, abrange uma parte imaterial (Dicionário Vine, p 34,35; 388,389). Daí o Adventismo não faz o processo de soma para uma conclusão, mas de divisão e camisa de força.

2. O Adventismo, tal como faz com a doutrina de 1844, da reforma da saúde, e do sábado, não considera o peso do NT a respeito do assunto, não caminha com a revelação progressiva, a acaba tirando conclusões erradas para a fé cristã, além de interpretar erroneamente o VT, desde de seu contexto, e sem a luz do NT. Esse é de fato um prejuízo profundo para o adventismo, que teve que ficar nas pisadas de Ellen White.

3. Um tormento momentâneo. O adventismo, porém, ensina que haverá graus e tempo de tormento em por algum tempo, à medida dos pecados praticados. Um famoso apresentador da Novo Tempo, chegou a dizer que alguns vão passar 100, 200, até 1000 anos sendo atormentados. Assim, a questão que incomodou Ellen White foi apenas a eternidade, não o tormento em si:

Os que, porém, não alcançaram o perdão, mediante o arrependimento e a fé, devem receber a pena da transgressão: "o salário do pecado". Sofrem castigo, que varia em duração e intensidade, "segundo suas obras", mas que finalmente termina com a segunda morte.” (O Grande Conflito, p. 544)

4. Temos textos bíblicos que demonstram claramente a imortalidade da alma, bem como a subentende necessariamente.    A pressuposição da imortalidade da alma, especialmente revelada no Novo Testamento, é um prova que tal ensino não foi originado pelo diabo. Ao contrário, o Espírito Santo disse isso na Escritura, deixemos que Ele fale. Note o que ele ensina e que vai na contra mão do que o adventismo ensina, pois destaca ‘castigo’ por toda a eternidade:

“E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes." Mt 13.50.

"E os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes." Mt 8.12.

"E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes." Mt 13.42.

"Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes. "Mt 25.3.

"Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, e Isaque, e Jacó, e todos os profetas no reino de Deus, e vós lançados fora." Lc 13.28.

"E separá-lo-á, e destinará a sua parte com os hipócritas; ali haverá pranto e ranger de dentes." Mt 24.51.

"Disse, então, o rei aos servos: Amarrai-o de pés e mãos, levai-o, e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes." Mat 22.13.

"Pois tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também para este lugar de tormento." Lc 16.28.

"Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado." Lc 16.25.

“E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso.” Lucas 23.43

“[...] tenho do desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é muito melhor.” (Fl 1.23)

“aos espíritos dos justos aperfeiçoados.” (Hb 12.23)

"Vemos, portanto, que o Senhor sabe livrar os piedosos da provação e manter em castigo os ímpios para o dia do juízo" - 2 Pedro 2.9.  

“[...] vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos [...]” Ap 6.9

"E a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso nem de dia nem de noite os que adoram a besta e a sua imagem, e aquele que receber o sinal do seu nome." Ap 14.11. 

“[...] e vi as almas daqueles que foram degolados [...]” Ap 20.4

"E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre." Ap 20.10

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Augustus Nicodemus, Ezequiel Gomes e Ellen White

A explicação de Gomes nesse vídeo (AQUI) é a mais deprimente até agora. O reconhecimento dele de que o assunto “espírito de profecia”, é um tema muito polêmico, demonstra que isso não é lá tão fácil de ser assim abordado. Daí ele fala que vai dar uma resposta a Augustus.

Pois bem, a argumentação dele é a dissimulada fachada adventista de que eles creem nos dons. Aliás, se eles com isso querem se aproximar dos que defendem a continuidade dos dons terão que apresentar apenas Ellen White! Gomes diz (aos 11 minutos) que não é verdade que o adventistas creem que apenas Ellen White teve dons, mas creem em outros também. Mesmo?

Não entendo mesmo a Torre de Babel Adventista, pois o apresentador do programa Bíblia Fácil da TV Novo Tempo, ao ser indagado se na IASD além de Ellen White existem outros com dom de profecia, o apresentador afirmou categoricamente:

Chamada por Deus, como profetisa, só Ellen G. White.” (Aos 40:40 do vídeo http://novotempo.com/bibliafacil/videos/14-bf-verao-profetas/)

Confuso isso, não?

Quem ouve um adventista dizer “nós cremos nos dons”, é engodado para um carisma exclusivo e exclusivista, apenas Ellen White. Não é sem razão que tenho dito que Ellen White é mais que uma Papisa Adventista, pois o Papa da ICAR é substituído, e pelo que sabemos, desde quando essa senhora morreu em 1915 a crença é que apenas ela manifestou sim o tal dom profético. A Crença Fundamental 18 diz:

“Um dos dons do Espírito Santo é a profecia. Esse dom é uma característica da igreja remanescente e foi manifestado no ministério de Ellen G. White. Como a mensageira do senhor, seus escritos são uma contínua e autorizada fonte de verdade e proporcionam conforto, orientação, instrução e correção à Igreja. Eles tornam claro que a Bíblia é a norma pela qual deve ser provado todo ensino e experiência.”

Como o Gomes está aqui em um contrapondo denominacional – Igreja Adventista do Sétimo dia e Igreja Presbiteriana do Brasil, vamos pesar na balança: A IPB formula sua crenças na exposição do Símbolos de Westminster. Onde ali tem o nome de algum Reformador?

Há até algumas declarações de fé, adotada pela Associação Geral Adventista, que diz que apesar de crerem na Bíblia, os escritos de Ellen White TAMBÉM, são uma orientação para ‘fé e prática’. Veja:

“A 55º Assembleia da Associação Geral realizada em Indianápolis, Indiana, em julho de 1990, não constituiu exceção. Afirmou-se: Somos gratos a Deus por nos conceder não somente as Santas Escrituras, mas também a manifestação do dom de profecia para os últimos dias na vida e obra de Ellen G. White.” (Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia, p.703)

“Consideramos o cânon bíblico encerrado. Contudo, cremos também, como o fizeram os contemporâneos de Ellen G. White, que seus escritos têm a divina autoridade tanto para o viver piedoso quanto para a doutrina. Assim, recomendamos: 1) Que como Igreja busquemos o poder do Espírito Santo para aplicar mais plenamente à  nossa vida o conselho inspirado contido nos escritos de Ellen G. White e 2) Que nos empenhemos mais para publicar e fazer circular esses escritos ao redor do mundo. Esta declaração foi aprovada e votada pela sessão da Conferência Geral em Utrecht, na Holanda em 30 de junho de 1995.” (Fonte: http://centrowhite.org.br/uma-declaracao-de-fe-no-espirito-de-profecia/)

“Nós, delegados da assembleia da Associação Geral de 2015 em San Antonio, Texas, expressamos profunda gratidão a Deus pela presença contínua dos diversos dons espirituais em meio a seu povo (1Co 12:4-11; Ef 4:11-14), sobretudo pela orientação profética que recebemos por meio da vida e do ministério de Ellen G. White (1827—1915). No ano do centenário de sua morte, alegramo-nos porque seus escritos foram disponibilizados ao redor do planeta em muitos idiomas e em vários formatos impressos e eletrônicos. Reafirmamos nossa convicção de que seus escritos são inspirados por Deus, verdadeiramente cristocêntricos e fundamentados na Bíblia. Em lugar de substituir as Escrituras, eles exaltam seu caráter normativo e corrigem interpretações imprecisas derivadas de tradições, da razão humana, de experiências pessoais e da cultura moderna. Comprometemo-nos com o estudo dos escritos de Ellen G. White em atitude de oração e com o coração disposto a seguir os conselhos e as instruções ali encontrados. Seja em oração, em família, em pequenos grupos, em sala de aula ou na igreja, o estudo combinado da Bíblia e de seus escritos proporciona uma experiência transformadora e edificadora da fé.” ( Fonte: http://www.revistaadventista.com.br/conferencia-geral-2015/declaracao-reafirma-a-confianca-dos-adventistas-nos-escritos-de-ellen-white/).

Minimizar a grande importância de Ellen White no contexto adventista, apenas na direção de que os adventistas creem nos dons, é despistar, dissimuladamente, o óbvio. A crença na inspiração em Ellen White é uma heresia. Um esforço de dizer 'que citamos ela como outros citam seus teólogos, com a diferença que cremos que ela foi inspirada'. Mas essa É A GRANDE QUESTÃO! Uma pessoa inspirada no mesmo nível dos profetas bíblicos, deve ser recebido com a mesma autoridade que a Bíblia. Simples assim. 


A interpretação dela é inspirada, que tipo de teologia poderia sobrepor a uma interprete desse tipo? ...



quinta-feira, 27 de julho de 2017

Augustus Nicodemus, Ezequiel Gomes e a Cristologia Adventista

No terceiro vídeo (AQUI), o adventista Ezequiel Gomes trata da parte que Nicodemus fala da Cristologia Adventista. Apesar de possuir uma definição doutrinária correta, para Nicodemus há dois problemas na postura doutrinária de Ellen White a respeito de Cristo – que Cristo seja o arcanjo Miguel e que teve uma natureza pecadora. Ezequiel Gomes diz que possui base bíblica para defender isso, e também cita João Calvino e Matthew Henry, como sendo alguns que defendiam tal posição. O Rev. Nicodemus rejeita essa interpretação, pronto. 

Nicodemus ventila outro assunto, a respeito da ressurreição de Moisés, etc. Daí Ezequiel sai (talvez em um tom bem alterado!) dizendo sobre o calvinismo, etc, etc. Ele defende o adventismo dizendo que Nicodemus também não têm base bíblica para dizer muitas coisas, então chega a chamar Nicodemus de “HIPÓCRITA”... Lamentamos esse descontrole, mas veremos se o Ezequiel Gomes vai suportar algumas coisas que vou apresentar aqui. (Não vou me ater ao que ele diz a doutrina do decreto do calvinismo, caso queira tenho algumas informações AQUI.)

Jesus Miguel, a herança ariana adventista. Como sabemos a cristologia adventista do início da suposta igreja verdadeira remanescente, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, foi bem mais herética do que podemos ver hoje.

“[os adventistas] nem sempre, porém, aceitaram a doutrina cristã histórica da Trindade. Nas primeiras décadas eles rejeitaram como antibíblica, católica romana, contrária à razão, a qual impunha uma cristologia de dupla natureza que parecia negar a expiação divina. Por terem sido no passado membros da Conexão Cristã, Tiago White (1821-1881) e José Bates (1791-1872) entre outros, seguiam uma forma de arianismo quanto à origem pré-encarnacional de Cristo. Alguns consideravam Cristo um ser criado; a maioria uma emanação do Pai. Não lhe negavam o direito, porém, a divindade nem o direito de ser chamado de Deus e ser adorado como tal.” (Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia, p. 223,224).

A maioria dos fundadores do adventismo do sétimo dia não poderia unir-se à igreja hoje se tivesse de concordar com as “27 Crenças Fundamentais” da denominação [...] Para ser mais específico, eles não poderiam aceitar a crença número 2, que trata da doutrina da trindade [...] Semelhantemente, a maioria dos fundadores do adventismo do sétimo dia teria dificuldade em aceitar e crença fundamental número 4, que afirma a eternidade e a divindade de Jesus [...] A maioria dos líderes adventistas também não endossaria a crença fundamental número 5, que trata da personalidade do Espírito Santo.” (Em Busca de Identidade, pp. 16,17).

Como estava Ellen White nisso tudo? É um fato que ela se manifestou mais para o lado ortodoxo após a morte do seu marido semi-ariano. Se ela foi ou não trinitariana, antes, não se há tanta certeza, mas seus escritos posteriores apresentam um forma diferente de ver a Cristo, em comparação com os primeiros 40 anos dos Adventistas. Bem, uma profetisa calada mesmo...

“Ellen White foi uma das poucas pessoas entre os líderes pioneiros adventistas que não era agressivamente antitrinitariana. Conquanto isso seja verdade, também é fato que suas antigas declarações não são claras quanto ao que cria.” (Questões Sobre Doutrina, p. 71, nota).

“Será que ela mudou de uma visão semi-ariana para uma trinitariana, ou mantinha privadamente uma opinião trinitariana todo tempo? Não é possível apresentar uma resposta taxativa a este respeito.” (A Trindade, p.239).

A crença que Jesus era Miguel, é um resto desse aborto herético, não que houve alguma base deles na interpretação equivocada de outros autores, mas sim que a maneira de dizer que Jesus era um anjo, era a melhor maneira de negar a divindade absoluta de Cristo. Uma vez abandonada a postura ariana ou semi, ficaram ainda com esse um ‘remanescente’ desse pensamento. Engraçado que no fim  da citação acima, é dito que eles, os pioneiros, não lhe negava o direito de ser adorado – então se esse Cristo era uma criatura ou emanação do Pai, eles por sua vez adoraram uma criatura?

Mas será que mudou mesmo realmente para o Trinitarismo Clássico, Ortodoxo, Bíblico? Não!!! Outro problema na cristologia adventista, e aqui sim, lamento que o Rev. Agustus não tenha trabalhado, é que até hoje eles não possuem a mesma compreensão da divindade essencial de Cristo como possuem as igrejas históricas (como eu provo nesse artigo AQUI). Embora usem os dois lados da boa para falarem que sim!! Veja mais uma vez a prova dessa duplicidade:

“I EM HARMONIA COM OS CRISTÃOS CONSERVADORES E OS CREDOS PROTESTANTES HISTÓRICOS, CREMOS: [...] 2 Que a Divindade, a Trindade, compreende Deus o Pai, Cristo o Filho e o Espírito Santo.” (Questões Sobre Doutrina, p. 50[grifos acrescentados). Essa afirmação, viera a ser uma falsa informação.

“A declaração de Ellen White não só descartava o erro básico incluído na primitiva cristologia adventista e na doutrina de Deus, a saber, o subordinacionismo temporal do Cristo preexistente, mas também da doutrina clássica (Dederen, 13) que envolvia a eterna e ontológica* subordinação do Filho.” (Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia, p. 169 [* Notem que aqui é uma falsificação da interpretação cristã, não é isso que cremos!!]).

Ou seja, o problema na cristologia adventista envolve que Jesus não é gerado, e pior, e ele existe essencialmente distinto do Pai. Mais informações acessem o link que apontei.

Jesus com natureza pecaminosa – Aqui envolve mais uma daquelas complexidades. Me lembro quando fui ler sobre esse assunto, percebi que havia duas frentes no adventista, desbocando numa tal doutrina deles de uma “última geração”. Nem vou perder tempo agora. E embora o Sr Ezequiel diz que Augustus não diz tudo sobre o assunto, ele mesmo apresenta uma sentença para resolver a questão. Além disso, Nicodemus ficou apenas na informação, de que se Jesus tiria natureza pecaminosa, ele não disse que os adventistas crêem que Jesus pecava, como o Ezequiel acusa que Nicodemus tenha dito. 

Mas o que dizer desse assunto - o adventismo ensina que Jesus tenha uma natureza pecadora? Resumo aqui de forma simples: Ainda que já houve expressões dos dois lados, Ellen White jamais disse que Jesus pecou. Mas tanto disse que Jesus tinha e não tinha uma natureza que recebeu o pecado como punição. Essa confusão toda, o autor e historiador adventista George Knight, diz nas notas do livro Questões Sobre Doutrina:

“[...] é muito mais difícil justificar a apresentação e a manipulação de dados dos delegados adventistas sobre a natureza humana de Cristo.” (p.14).

“alguém pode apenas especular sobre o diferente curso da história [...] se Froom e seus associados não tivessem sido divisivos na sua manipulação das questões relacionadas à natureza humana de Cristo [...]” (p. 21).

Knight após citar algumas afirmações confusas de Ellen White a respeito da natureza pecaminosa de Cristo, e compará-las ao que os autores de QSD disseram e apresentaram, ele afirma honestamente: 

Essas citações, como se poderia esperarforam deixadas de fora da compilação de Questões Sobre Doutrina.” (p. 438).


Assim, o Rev Nicodemus teria que fazer doutorado em Torre de Babel, para entender toda essa salada presente na cristologia adventista da Nossa Senhora Adventista de Todos os Sonhos

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Augustus Nicodemus, Ezequiel Gomes, e o 'inclusivismo' adventista

Nesse segundo vídeo (AQUI), Ezequiel Gomes explora o que Nicodemus expôs sobre a identidade exclusivista do adventismo. Embora posso dizer que Augustus errou em dizer que esse exclusivismo é salvífico, isto é: quando ele afirmou que se somente os adventistas são salvos, e sendo que a IASD não tem nem 200 anos, então antes não havia salvação, foi de fato um erro. Ele concluiu, não extraiu, essa informação. [Outro erro de Nicodemus foi achar que quando Ellen White falou que ‘Babilônia’ nega a existência de Cristo antes do seu nascimento, ACHO que ela não está falando de uma negação do surgimento da pessoa humana de Cristo, mas da negação que ele tenha vindo do céu. Talvez nesse ponto ela esteja atacando alguma rejeição ‘liberal’ (se o anacronismo me salvar agora!)]

Porém, o equívoco do Rev Augustus está na falta de sintonia entre o que e ele (biblicamente) pensa, com o que o adventismo pensa a respeito da identidade da igreja. Você notará que a principio, a questão parece que Ezequiel Gomes causa um grande prejuízo à aula de Nicodemus, mas à medida que vermos as tramas por debaixo desse tapete, notará que essa resposta de Gomes não foi assim tão acachapante quanto parece. Preste bem atenção nas informações que você verá agora

A IGREJA REMANESCENTE E A SALVAÇÃO: Duas coisas você precisa saber –  Em primeiro lugar, quando o Adventismo fala de Igreja Verdadeira, Igreja Universal, e que nessa igreja está todos os que creem em Cristo, podendo ser de todas as igrejas existentes, é uma forma de maquiar algo sutil. Tais pessoas dessas igrejas serão salvas, pois elas são 1. inocentes em relação à mensagem adventista e 2. estão servindo a Deus com sinceridade com a luz que receberam! Esse é o primeiro ponto. Eles jamais dizem que a Igreja ‘fulana de tal’ é uma Igreja verdadeira, mas que ali tem cristãos verdadeiros. Por que não? Entra o segundo ponto. Para eles, igreja visível verdadeira é apenas a Igreja Adventista do Sétimo Dia.        
                              Ok? Entendeu?

Na compreensão bíblica de Nicodemus, essa distinção dentro de igrejas visíveis não existe, isto é - de igreja visível verdadeira ser uma denominação. A compreensão de Nicodemus é que as igrejas que professam a fé evangélica, tais igrejas são verdadeiras. E igreja invisível é o coletivo dos que realmente são convertidos nessas igrejas visíveis verdadeiras (Confissão de Fé de Westminster, Cap. XXV). Para Nicodemus, e ele está com a Bíblia, o Remanescente Fiel é a Igreja Invisível (Veja:  https://www.youtube.com/watch?v=qMpLsLKkaQI&spfreload=5 ). Daí, em partes, mora o equívoco da avaliação de Nicodemus nessa parte, a falta de sintonia entre o que ele pensa biblicamente e o que adventismo pensa.

O adventista Ezequiel Gomes apresenta uma objeção no seu segundo vídeo que apenas maquiou. Perceba que ele citou o livro Teologia do Remanescente, foi dito sobre a igreja universal, não da igreja visível! Como eu não tenho em mãos o tal livro não posso fazer uma avaliação maior, mas pressuponho que esse é o caso, com base no que conheço de todas as obras adventistas. Veja a crença oficial adventista e note a sutileza da identidade igreja universal e igreja remanescente:


  • 12. A Igreja: A Igreja é a comunidade de crentes que confessam a Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Em continuidade do povo de Deus nos tempos do Antigo Testamento, somos chamados para fora do mundo; e nos unimos para prestar culto, para comunhão, para instrução na Palavra, para a celebração da Ceia do Senhor, para serviço a toda a humanidade, e para a proclamação mundial do evangelho. A Igreja recebe sua autoridade de Cristo, o qual é a Palavra encarnada, e das Escrituras, que são a Palavra escrita. A Igreja é a família de Deus; adotados por Ele como filhos, seus membros vivem com base no novo concerto. A Igreja é o corpo de Cristo, uma comunidade de fé, da qual o próprio Cristo é a Cabeça. A Igreja é a noiva pela qual Cristo morreu para que pudesse santificá-la e purificá-la. Em Sua volta triunfal, Ele a apresentará a Si mesmo Igreja gloriosa, os fiéis de todos os séculos, a aquisição de Seu sangue, sem mácula, nem ruga, porém santa e sem defeito [...] 13. O Remanescente e Sua Missão: A Igreja universal se compõe de todos os que verdadeiramente crêem em Cristo; mas, nos último dias, um tempo de ampla apostasia, um remanescente tem sido chamado para fora, a fim de guardar os mandamentos de Deus e a fé de Jesus. Este remanescente anuncia a chegada da hora do Juízo, proclama a salvação por meio de Cristo e prediz a aproximação de Seu segundo advento. Esta proclamação é simbolizada pelos três anjos de Apocalipse 14; coincide com a obra de julgamento no Céu e resulta numa obra de arrependimento e reforma na Terra. Todo crente é convidado a ter uma parte pessoal neste testemunho mundial. 

Além disso, as citações de Ellen White feitas pelo Rev Augustus Nicodemus não foram refutadas, apenas qualificadas com a visão dúbia adventista. Ele citou uma Revista Adventista, mas as mesmas afirmações podem ser encontradas no livreto A Igreja Remanescente:

As igrejas denominacionais caídas é que são Babilônia. Babilônia tem estado a promover doutrinas venenosas, o vinho do erro. Esse vinho do erro e composto de doutrinas falsas, tais como a imortalidade natural da alma, o tormento eterno dos ímpios, a negação da existência de Cristo antes de Seu nascimento em Belém, a defesa e exaltação do primeiro dia da semana acima do santo e santificado dia de Deus. Estes erros e outros semelhantes são apresentados ao mundo pelas varias igrejas, e assim se cumprem as Escrituras que dizem: ‘Porque todas as nações beberam do vinho da ira da sua prostituição.’ E uma ira criada por doutrinas falsas, e quando reis e presidentes sorvem esse vinho da ira da sua prostituição, enchem-se de ódio contra os que não concordam com as heresias falsas e satânicas que exaltam o sábado falso, e levam os homens a pisarem a pés o monumento de Deus.” A Igreja Remanescente, p.51.

Ellen White ainda diz incisivamente:

“Não podemos adotar outro nome mais apropriado do que esse que concorda com a nossa profissão, exprime a nossa fé e nos caracteriza como povo peculiar. O nome Adventista do Sétimo Dia e uma continua exprobração ao mundo protestante. E aqui que esta a linha divisória entre os que adoram a Deus e os que adoram a besta e recebem seu sinal.” A Igreja Remanescente, p. 58.

Mas ( aos 11:25 do vídeo) Gomes cita Ellen White, dizendo que o Nicodemus não presta muita atenção no que ele lê, já que Nicodemus disse que leu o livro, então Ezequiel Gomes lê um trecho do livro O Grande Conflito, para demonstrar que Ellen White não ensina aquilo que Nicodemus diz que os adventistas dizem:

Apesar das trevas espirituais e afastamento de Deus prevalecentes nas igrejas que constituem Babilônia, a grande massa dos verdadeiros seguidores de Cristo encontra-se ainda em sua comunhão (p.390).

Uau!!! Mas, perceba no contexto do parágrafo do Grande Conflito, o que eu disse acima sobre a distinção que eles fazem, apenas para maquiar o proselitismo, e a parte que Ezequiel Gomes não leu no vídeo. Vou deixar em azul o que ele leu, em vermelho o que ele não leu:

Apesar das trevas espirituais e afastamento de Deus prevalecentes nas igrejas que constituem Babilônia, a grande massa dos verdadeiros seguidores de Cristo encontra-se ainda em sua comunhão. Muitos deles há que nunca souberam das verdades especiais para este tempo. Não poucos se acham descontentes com sua atual condição e anelam mais clara luz. Em vão olham para a imagem de Cristo nas igrejas a que estão ligados. Afastando-se estas corporações mais e mais da verdade, e aliando-se mais intimamente com o mundo, a diferença entre as duas classes aumentará, resultando, por fim, em separação. Tempo virá em que os que amam a Deus acima de tudo, não mais poderão permanecer unidos aos que são "mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela".O capítulo 18 do Apocalipse indica o tempo em que, como resultado da rejeição da tríplice mensagem do capítulo 14:6-12, a igreja terá atingido completamente a condição predita pelo segundo anjo, e o povo de Deus, ainda em Babilônia, será chamado a separar-se de sua comunhão. Esta mensagem é a última que será dada ao mundo, e cumprirá a sua obra. Quando os que "não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniqüidade" (II Tess. 2:12), forem abandonados para que recebam a operação do erro e creiam a mentira, a luz da verdade brilhará então sobre todos os corações que se acham abertos para recebê-la, e os filhos do Senhor que permanecem em Babilônia atenderão ao chamado: "Sai dela, povo Meu." Apoc. 18:4.

Não é sem razão que o Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia, diz:

“Creem que seu movimento seja o único a apresentar as condições especificadas nesses versos de Apocalipse 12.17. Apesar disso, repudiam enfaticamente a ideia de que somente eles pertençam ao número dos filhos de Deus. Para os adventistas, todos quantos adoram a Deus segundo o que entendem ser Sua vontade pertencem a Ele e são membros potenciais do último remanescente. Não obstante, a ele foi confiada a tarefa de chamar homens e mulheres de toda a parte para adorarem ao Criador, em vista da proximidade da hora do juízo, e advertir contra ceder à grande apostasia escatológica predita em Apocalipse 13 [...] os adventistas continuam a manter esses pontos de vista.”

Para finalizar, vou invocar um pastor adventista que talvez é o que é menos “marketeiro da boa vizinhança” para elucidar melhor o que eu estou dizendo aqui, embora hoje ele seja apresentador da TV Novo Tempo, que segue um apetite expansionista usando um proselitismo menos agressivo, mas esse pastor adventista é bem radical em suas abordagens. 

Com a palavra, Luiz Gonçalves. Não deixe de assistir!!! 




Portanto, Nicodemus não errou no sentido criticado por Ezequiel Gomes, ele apenas julgou à luz de sua compreensão, uma teologia maquiavélica, dissimulada.