terça-feira, 28 de março de 2017

Silas Malafaia x Calvinistas – seus problemas e os nossos problemas

Depois que o conhecido pastor Paulo Junior mencionou o nome de vários pregadores da teologia da prosperidade (na conferência Nuvens Sem Água), e tal vídeo caiu no conhecimento do pastor Silas Malafaia, esse resolveu dar uma resposta em uma pregação e depois em seu programa de TV. Como se não bastasse, ele voltou a produzir outro vídeo, talvez indo nas marcas do fato que o pregador Paul Washer sofreu um infarto algum tempo depois após ter pregado na igreja Aliança do Calvário, comunidade pastoreada por Paulo Junior -naquela ocasião, Washer disse odiar as pregações brasileiras da teologia da prosperidade.

Então, nesse último vídeo (AQUI), Silas repetiu partes do que já havia dito duas vezes, e incluiu sua critica aos calvinistas que segundo ele não lutam contra o pecado, chamou Paul Washer de boçal – [que significa : rude, grosseiro, imbecil ou ignorante. Na gíria brasileira, boçal é também aquele indivíduo exibicionista, esnobe e chato, que age com arrogância normalmente por ter melhores condições financeiras ou por se sentir superior aos outros]., e recomendando o site de nosso irmão em Cristo Júlio Severo, e pelo jeito mencionou indiretamente uma Universidade que suspeito ser o Mackenzie, confundiu Teologia da Missão Integral com a Teologia Inclusiva, e quem sabe mais quem ele pensou - parece que colocou todos no mesmo saco, até mesmo Caio Fabio.... só Deus para saber! Fora a indelicadeza dele, que faltou 'um pouco' da modéstia cristã. 

As reações depois desse ocorrido foram mais negativas para Malafaia, desde o momento que usou a resposta para fazer propaganda de seus livros até o momento que falou de forma indelicada a respeito de um cristão recuperando de uma cirurgia no coração. Vou postar aqui minha opinião sobre tudo isso:

1. Onde Silas Malafaia está certo?

A) Eu oro por esse pastor, pois ele tem sim lutado pela família, contra os movimentos ímpios, com determinação invejável. Me orgulho de Silas Malafaia nesse ponto, assim como de Magno Malta e Marco Feliciano. Infelizmente eu conto mais com tais irmãos nessa luta do que com os doutores da minha igreja.

Se Malafaia tivesse se concentrado apenas nesse ponto, em sua defesa, apelando aos irmãos que ele já tem inimigos demais, creio que teria sido melhor e mais sábio. Ainda que isso não justificaria em nada o que eles tem criticado.

B) Concordo também com Silas Malafaia que muitos doutores calvinistas, (e não apenas esses) e a universidade que provavelmente ele mencionou, não está brilhando como luz nesse mundo, muito menos tendo voz profética, nesse mundo ímpio. Essa Universidade está com problemas na receita, (e ‘parece’ que Silas também, anda se defendendo a respeito de acusações com a PF). Fora a participação recorrente do Reverendo Presbiteriano Marcos Amaral em programas de TV onde trataram de assuntos inclusivistas (homo afetividade e espiritismo), de uma forma que tem causado sempre incomodo aos crentes da IPB – mas ele está firme entre nós... até quando, não sei. Ele não se incomoda com a consciência dos irmãos... Daí falar de pentecostais e arminianos é meio estranho mesmo. Poderíamos tornar pública nossas críticas aos de casa também, quando o escândalo cai no conhecimento de todos.

2. Onde Silas Malafaia está errado?

A) Malafaia está errado por achar que pode defender a igreja evangélica brasileira, no mesmo sentido que critica os que se apresentam como a defendendo!! Isso foi um absurdo. Quando Malafaia aceitar que até mesmo os pentecostais tradicionais se opõem a ele também no que ele prega – sobre prosperidade e auto-ajuda, ele vai parar de pensar que pode falar em nome desses também. Veja o teor teológico de Ciro Sanches Zibordi, Esequias Soares, caro Silas Malafaia!! Bem diferente de Benny Hinn, Morris Cerulo e Mike Murdock...

B) Outro erro de Silas, o mais grosseiro, foi colocar no bojo, o que não estava em foco – os dons do Espírito. A problemática toda era a Teologia da Prosperidade e Confissão Positiva, não sobre os dons! Aliás, nem mesmo sabemos se Paul Washer ou Paulo Junior seriam assim identificados como “cessacioniatas”. Fica claro é que Malafaia queria chamar a “torcida do Flamengo e do Corinthians” para o lado dele, quando nem mesmo tais temas estavam no olho do furação. Era uma estratégia de bando e tumulto, que não deu certo. 

CONCLUSÃO

Aprendamos que posições teológicas serão combatidas e atacadas, ou defendidas e promovidas. Essa luta será permanente, até o Senhor Jesus voltar. Sejamos sábios, pelo menos, em sermos coerentes, e não parciais. Sou Reformado – o que todo cristão deveria ser.  Tenho visto como Deus tem usado homens, que em outros momentos tem errado grosseiramente – foi assim com Pedro (Mt 16.16,17,22,23). Tanto em minha tradição como em outras – assim como também eu pessoalmente, bem mais! Há deficiências de um lado e robustez em outro.

Não sei se um dia Silas Malafaia vai ler isso aqui, mas eu diria a ele:


Irmão, perceba quantos crentes tem te advertido a deixar essa linha teológica que abraçou (Teologia da Prosperidade), pessoas que o amam, e que sempre lembram-se de um tempo, não muito distante, em que tradicionais, pentecostais, calvinistas, arminianos, te ouviam com comunhão de espírito, ainda que discordando em pontos identificadores, mas não havia a rejeição como é hoje, tão ardente. O Sr já tem passado alguns apertos, que isso lhe seja um sinal de que está na hora de parar! Deus te ilumine.

terça-feira, 21 de março de 2017

A EXEGESE EQUIVOCADA DA TEOLOGIA INCLUSIVA

Por Rev. Olivar A. Pereira

"Essa “teologia” é a que é ensinada pela tal “Igreja Inclusiva”, ou como é mais popularmente conhecida “teologia gay” e respectivamente, “igreja gay”.Dois personagens bíblicos prediletos dessa turma são Davi e Jônatas. Em 1Sm 18.1-5 e 2Sm 1.26 fala-se do amor que um tinha pelo outro. “Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma” 1Sm 18.3 e
“Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; tu eras amabilíssimo para comigo! Excepcional era o teu amor, ultrapassando o amor de mulheres”. (2Sm 1.26).

Temos que lidar com este fato tendo em vista duas interpretações:
  1.  Ou eles eram homossexuais e o homossexualismo não é pecado, pois, Deus não os castigou;
  2.  Ou Deus não os castigou porque eles não eram homossexuais e o amor que um tinha pelo outro não era uma expressão do homossexualismo.


A primeira interpretação (que é a da teologia inclusiva) está totalmente equivocada, pois, contraria as demais partes das Escrituras Sagradas que declaram que o homossexualismo é pecado, é uma abominação aos olhos de Deus (Lv 18.22) e atrai a ira justa de Deus trazendo condenação a quem pratica tal coisa (Gn 19.1-29; Rm 1.24-27; 1Co 6.9; 1Tm 1.10). As Escrituras não condenam algo em uma passagem e em outra, o aprova. O que é considerado como pecado numa passagem o será em todas as partes das Escrituras que tratam do assunto.

Assim sendo, a interpretação correta é a que mostra que o amor de Jônatas e Davi não era um “amor homossexual” (a Bíblia não chama de “amor” as ações homossexuais, mas, sim de “pecado”, “abominação”), mas, sim, a mais sincera amizade, o mais puro amor que não somente é possível como também ordenado entre os filhos de Deus, a saber, o amor sacrificial, que está disposto a morrer pelo bem do outro. E foi justamente isso que Jônatas e Davi fizeram um pelo outro.

Se esse amor dos dois tivesse sido um ato ou sentimento homossexual, Deus teria punido severamente a Davi (e a Jônatas) como fizera em outras ocasiões em que Davi pecara, tal como no adultério com Bate-Seba e o assassinato encomendado de Urias (2Sm 11 e 12).

A teologia inclusiva (assim como todas as demais teologias equivocadas, depravadas e mentirosas) me faz lembrar as palavras de Pedro sobre os ensinos de Paulo:

“…ao falar acerca destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles” (2Pe 3.16). 

Sim, os ignorantes e instáveis vivem deturpando as Escrituras com a finalidade de respaldarem seus pecados e sentirem-se confortáveis consigo mesmos. O que tais ignorantes e instáveis se esquecem é que um dia estarão diante de Deus e Lhe prestarão contas de todas as palavras e ações frívolas (Rm 14.12; Hb 4.13; 1Pe 4.5)."

quinta-feira, 16 de março de 2017

5 Votos de A. W. Tozer


"1. Trate seriamente com o pecado!"
Na intimidade, na família, na igreja e na sociedade.

"2. Não seja dono de coisa alguma!" 
Não se apegue aos bens materiais e ao dinheiro.


"3. Nunca se defenda!"
Faça a obra de Deus, e Ele cuidará de sua reputação.



"4. Nunca passe adiante algo que prejudique alguém!"
Ore por seu irmão, e ajude seu próximo.




"5. Nunca aceite qualquer glória!" 
A Glória de Tudo pertence a Deus e somente a Ele.   

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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Escatologia das Testemunhas de Jeová - Uma Ilustração do Autoritarismo das Seitas

"O objetivo deste artigo é apresentar a escatologia das Testemunhas de Jeová a fim de ilustrar o papel central que a doutrina dos últimos dias tem para as seitas como forma de justificar a liderança autoritária da Torre de Vigia. As seitas costumam ter uma escatologia própria como uma tentativa de explicar a descontinuidade histórica que há entre elas e o Cristianismo primitivo. Para isso, as igrejas pseudocristãs colocam a si mesmas como um grupo religioso, cujo surgimento e história foram profetizados nas Escrituras. 

Os adventistas, por exemplo, afirmam que a Bíblia profetizou o surgimento de um movimento que anunciaria uma data errada para a Volta de Jesus gerando um grande desapontamento, pregaria a guarda do sábado, anunciaria o Juízo investigativo, teria uma profetisa e que surgiria no final do século XIX e assim identificam a si mesmos como a única igreja verdadeira, a “igreja da profecia”. Veremos que o mesmo se dá em relação aos russelitas, além de evidenciar outras funções que a escatologia cumpre dentro da seita, especialmente em relação à justificação do autoritarismo do Corpo Governante.

1914 – O INÍCIO DOS ÚLTIMOS DIAS

Para as Testemunhas de Jeová os últimos dias começaram em outubro de 1914. Nesse ano, algumas coisas aconteceram [1]:

  1. Jesus foi empossado Rei no Céu: Jesus começou a reinar no céu como Rei do Reino de Jeová.
  2. Satanás foi expulso do Céu: Quando começou a reinar, Jesus expulsou Satanás do céu para a terra.
  3. Os sinais da vinda de Cristo começam a se manifestar na Terra: A vinda de Jesus é sua presença invisível como rei celestial, como Satanás e os demônios foram lançados a Terra, as coisas no mundo começaram a ficar ruins, fazendo surgir guerras, fomes, terremotos e doenças.
  4. Iniciou-se a ressurreição espiritual dos ungidos: Jesus passou a ressuscitar (na verdade “recriar em espírito”), os salvos que vão morar no céu (cujo número exato é de 144.000 pessoas). Assim, os fiéis apóstolos foram recriados invisivelmente em espírito e levados para o céu, e a partir de então, todo cristão ungido, ao morrer, é recriado em espírito e levado para o Céu, passando a governar com Jesus, como poderosa criatura espiritual.

A PURIFICAÇÃO DOS CRISTÃOS UNGIDOS

De acordo com a organização, a partir do ano 100 d.C., começou o cativeiro babilônico, um longo período em que o povo de Deus estaria em inatividade espiritual [2]. Depois que se tornou Rei em 1914, Jesus veio a Terra para fazer uma inspeção, a fim de começar a separar o trigo do joio, visto que os poucos cristãos verdadeiros estavam ocultos desde 100 d.C., quando Satanás teria começado a semear os “cristãos nominais”.[3]  

Mas antes que Jesus viesse para fazer a inspeção, Jeová levantou o mensageiro que prepararia o caminho do Senhor: Charles Taze Russel e seus associados, estudantes da Bíblia que começaram a obra de restauração da verdade na Terra, os fundadores da religião das Testemunhas de Jeová. Assim, quando Jesus veio invisivelmente fazer sua inspeção, ele encontrou um grupo de estudantes da Bíblia que já pregavam a verdade há 30 anos.[4]

No entanto, esse grupo ainda era cheio de imperfeições e precisava ser purificado, assim de Dezembro de 1914 a Junho de 1918, cumpriram-se os três tempos e meios ou1260 dias, durante os quais os cristãos passariam por um processo de purificação por meio de perseguições sofridas pelos salvos que vão morar no céu.[5] Terminada a purificação, em 1919, Jesus designou esses salvos para serem “o escravo fiel e discreto”, o qual deveria ser “o canal de comunicação” entre Jesus e os cristãos. Este grupo é formado pelos cristãos ungidos que fazem parte dos 144.000, seu dever é fornecer “alimento espiritual”, por meio das revistas a Sentinela e Despertai. Hoje, o “escravo fiel” é a liderança da religião – O Corpo Governante das Testemunhas de Jeová com sede em Brooklin, NY.[6]

Além dos salvos que vão morar no céu, existem os Testemunhas de Jeová comuns. Eles não têm um número definido, além disso, não têm os mesmos privilégios dos 144.000. Diferente dos que compõem o Corpo Governante, os Testemunhas de Jeová comuns, não são regenerados, nem adotados como filhos de Deus, não reinarão com Cristo e não podem participar da Santa Ceia. Jesus fez uma Nova Aliança apenas com os cristãos ungidos e por isso, Cristo é mediador somente entre Jeová e os 144.000. No entanto, osTestemunhas de Jeová comuns, por ajudarem os cristãos ungidos na obra da pregação, vão viver para sempre na Terra sob o governo dos 144.000.

O grupo dos “comuns” emergiu e se multiplicou ao sair vitorioso ao fim da Segunda Guerra Mundial, ocorrida no período profético das 2300 tardes e manhãs, que vai de 1 ou 15 de junho de 1938 a 8 ou 22 de outubro de 1944.[7] Enquanto os salvos que vão morar no céu são chamados “o escravo fiel e discreto”, os Testemunhas de Jeová comuns formam o grupo dos “domésticos”. Hoje existem cerca de 8 milhões de domésticos no mundo.[8] Um doméstico deve ser fiel aos ensinos do escravo fiel, mesmo quando eles são contrários à Bíblia [9]. Eles poderão viver para sempre no paraíso na Terra por terem auxiliado os 144.000 e por isso, são representados, por Jesus, como ovelhas à direita que deram de comer, beber e vestir aos “pequeninos de Jesus” (os cristãos ungidos).[10]

O ARMAGEDOM

De acordo com a seita, a última geração que não passará sem que aconteça o Armagedom, é formada por dois grupos: (i) os cristãos que foram ungidos em 1914, ou antes disso e (ii) os cristãos ungidos que foram contemporâneos aos do primeiro grupo. Alguns desse segundo grupo estarão vivos na Grande Tribulação. Esses cristãos já estão envelhecendo [11]  assim, o Armagedom deve acontecer por volta de 2034 [12].

Antes que comece a Grande Tribulação, haverá um tempo de “paz e segurança” pronunciado pelas nações e pelas religiões falsas. Em seguida, a Organização das Nações Unidas atacará as organizações religiosas do mundo, destruindo a cristandade e demais religiões falsas. A única religião que sobreviverá aos ataques da ONU será as Testemunhas de Jeová. Em seguida, provavelmente ocorrerão manifestações sobrenaturais no céu, então quando os perversos estiverem a ponto de iniciar um ataque contra as Testemunhas de Jeová, os cristãos ungidos que ainda estiverem na Terra serão arrebatados para o Céu. Em seguida, Jesus virá junto com os 144.000 e com seus anjos e aniquilará os maus da existência. Os que rejeitaram a Jeová no passado foram aniquilados assim que morreram (a morte natural é aniquilação da existência, segundo a escatologia das Testemunhas de Jeová), já os ímpios vivos no Armagedom serão eliminados da existência por Jesus. Ninguém sofrerá num inferno, mas somente as Testemunhas de Jeová sobreviverão ao extermínio. A sobrevivência ao extermínio que ocorrerá no Armagedom dependerá da obediência à Organização Torre de Vigia. [13]

O PARAÍSO RESTAURADO
     
As Testemunhas de Jeová sobreviventes ao Armagedom darão início à restauração da Terra. Elas terão a tarefa de transformar gradualmente toda a Terra em um paraíso. [14] Jesus e os 144.000 governarão, a partir do Céu, os súditos domésticos na Terra. O governo de Jeová promoverá diversos programas sociais para os habitantes da Terra, incluindo programas de saúde, moradia, alimento, educação e emprego. [15]

Ainda será possível perder a salvação durante os primeiros mil anos no paraíso. Quem for infiel a Jeová no paraíso será eliminado da existência. Jeová ressuscitará pessoas que nunca tiveram a oportunidade de ouvir o evangelho e elas terão de cumprir as exigências que Jeová der a elas. Os que não estiverem dispostos a se ajustar às exigências de Jeová serão exterminados. Depois de 1.000 anos de paraíso, as pessoas ainda terão que passar por um teste final – uma tentação do Diabo. Somente aqueles que resistirem aos enganos de Satanás poderão continuar vivendo para sempre no paraíso na Terra, os demais serão eliminados da existência para sempre. [15]

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A escatologia das Testemunhas de Jeová ilustra bem as características de uma seita. Entre elas podemos citar:
  1. Autoritarismo: As Testemunhas de Jeová comuns estão debaixo da autoridade de um Corpo Governante privilegiado, ao qual são obrigadas a auxiliar caso queiram sobreviver ao extermínio do Armagedom.
  2. Exclusivismo: Somente sendo fiel à Organização Torre de Vigia será possível ser salvo. Elas são a única religião verdadeira. Jeová usará a Organização das Nações Unidas para eliminar todas as religiões, menos a Torre de Vigia.
  3. Legalismo: A condição para sobreviver ao Armagedom e até mesmo para não ser exterminado no paraíso, é ser obediente aos requisitos e exigências de Jeová. As Testemunhas de Jeová devem ser fiéis aos mandamentos da liderança, pois ela é o canal de comunicação que Jesus designou. [17]

A escatologia das seitas também é o meio que elas usam para explicar como um grupo que surgiu no século XIX pode ser a única religião verdadeira, mesmo estando em total descontinuidade com o Cristianismo primitivo. As Testemunhas de Jeová ensinam que o povo de Deus permaneceu oculto por 1819 anos (de 100 d.C. a 1919 d.C.) até que Jeová ressuscitasse do “vale de ossos secos”, a única religião verdadeira, colocando o “trigo” em evidência ao separá-lo do “joio” (Cristandade). Ainda, a Sociedade Torre de Vigia mantém a fidelidade de seus “domésticos” à organização, por meio do medo de que Jeová as extermine no Armagedom se não obedecerem ao escravo fiel e discreto:

“Elas acreditam que Jesus pagou pelo pecado de Adão, no jardim, mas cabe a elas trabalhar para a “perfeição”, seguindo as regras da organização Torre de Vigia. Embora as Testemunhas de Jeová sorriam quando apresentam a sua mensagem porta-a-porta, elas não têm a verdadeira paz e alegria no fundo de seus corações. Elas não têm certeza da salvação, porque a sua religião ensina que devem cumprir todos os regulamentos da organização Torre de Vigia, a fim ser achadas dignas o suficiente para sobreviver ao Armagedom (futura batalha de Deus para acabar com o governo dos ímpios). Em seu esforço para ter a aprovação de Deus, a organização domina-os através do medo e da culpa, concentrando-se na sua incapacidade de cumprir o que lhes é exigido. Isso deixa as Testemunhas de Jeová espiritualmente vazias, lutando arduamente pela aprovação de Deus, sem nenhuma garantia de onde elas vão acabar após a morte. É verdade que enquanto elas parecem felizes por fora, por dentro estão morrendo, ansiando a paz e alegria que só Cristo pode fornecer.” [18]

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Fontes:
[1] Testemunhas de Jeová (2016). Você pode entender a Bíblia. Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados Cesário Lange, São Paulo, Brasil, pp. 219, 91, 94-97, 80.
[2] A Sentinela (Edição de Estudos) de Março de 2016. Perguntas dos Leitores. Disponível em:https://www.jw.org/pt/publicacoes/revistas/a-sentinela-estudo-marco-2016/perguntas-dos-leitores/#?insight[search_id]=3724a4f7-46c1-457f-bd27-fd2d30407db9&insight[search_result_index]=1
[3] Testemunhas de Jeová (2014). O Reino de Deus já Governa. Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados Cesário Lange, São Paulo, Brasil, pp. 10, 100.
[4] A Sentinela (Edição de Estudos) de Julho de 2013: “Eis que estou convosco todos os dias”. Disponível em:https://www.jw.org/pt/publicacoes/revistas/w20130715/jesus-parabola-trigo-e-joio/#?insight[search_id]=f7fb3014-b94f-475e-aad4-7655113de756&insight[search_result_index]=1
[5] Testemunhas de Jeová (2004). Preste Atenção à PROFECIA DE DANIEL! – Edição de tipo grande. . Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados Cesário Lange, São Paulo, Brasil, pp. 183 -187, 389.
[6] A Sentinela (Edição de Estudo) de Julho de 2013: “Quem é realmente o Escravo Fiel e Discreto?”. Disponível em:https://www.jw.org/pt/publicacoes/revistas/w20130715/quem-e-o-escravo-fiel-e-discreto/#?insight[search_id]=150b039c-2df8-4126-927d-112aa0570807&insight[search_result_index]=0
[7] Testemunhas de Jeová (2004). Preste Atenção à PROFECIA DE DANIEL! – Edição de tipo grande. . Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados Cesário Lange, São Paulo, Brasil, pp. 227 -231, 389.
[8] Quantas Testemunhas de Jeová existem no mundo? Disponível em: https://www.jw.org/pt/testemunhas-de-jeova/perguntas-frequentes/quantos-membros-tj/#?insight[search_id]=e520e77a-3eca-49ad-b0cc-ea4f9f25dad8&insight[search_result_index]=7
[9] http://www.4jehovah.org/pt-pt/como-testemunhar-eficazmente-as-testemunhas-de-jeova/
[10] Testemunhas de Jeová (2006). O Maior Homem que Já Viveu. Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados Cesário Lange, São Paulo, Brasil, seção 111.
[11] A Sentinela (Edição Fácil de Ler) de Janeiro de 2014. Disponível em: 
https://www.jw.org/pt/publicacoes/revistas/ws20140115/venha-o-teu-reino/#?insight[search_id]=70294262-00b2-4115-80cc-ed7c4d0e09f8&insight[search_result_index]=3
[12] http://www.quotes-watchtower.co.uk/2034.html
[13] Testemunhas de Jeová (2014). O Reino de Deus já Governa. Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados Cesário Lange, São Paulo, Brasil, pp. 222 – 230.
[14] Testemunhas de Jeová (1985). A Vida – Qual a sua origem? A Evolução ou a Criação. Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados Cesário Lange, São Paulo, Brasil, pp. 235 – 238.
[15] Testemunhas de Jeová (2014). O Reino de Deus já Governa. Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados Cesário Lange, São Paulo, Brasil, p. 27.
[16] O que a Bíblia Realmente Ensina. Apêndice: Dia do Julgamento: O que é? – Disponível em:https://www.jw.org/pt/publicacoes/livros/biblia-ensina/o-que-e-dia-do-julgamento-reinado-de-mil-anos/
[17] Ferreira, F. & Myatt (2007). Teologia Sistemática - VIDA NOVA, p. 917.
[18] http://www.4jehovah.org/pt-pt/como-testemunhar-eficazmente-as-testemunhas-de-jeova/

Fonte: https://bereianos.blogspot.com.br/2017/02/escatologia-das-testemunhas-de-jeova.html 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Respondendo as perguntas adventistas sobre a imortalidade da alma de Azenilto Brito postada por Leandro Quadros – Parte 2

“3º Alicerce” - Resposta: Esse argumento  está viciado com os demais, visto que pressupõe algum problema para a crença cristã da imortalidade da alma. Como eu disse, existem vários textos que usam vários sentidos para o termo espírito, e dentre eles a sustentação da vida. O texto de Salmo 104.25-29 apenas demonstra um de seus sentidos etimológicos. Isso significa a providência de Deus em dizer quando um animal morrerá, pelo menos era assim que o Senhor Jesus cria – Mt 10.29. Que obstáculo contra a imortalidade da alma há no texto do Salmo 104.25-29?!

“4º Alicerce” – Resposta: Esse alicerce é o pior de todos. Coisa de gente desinformada a respeito do gênero de livro. Mas levando em consideração quem é o autor de tais alicerces, e de quem o divulga, não se trata de ignorância, mas distorção religiosa, arquitetada.

A temática do livro de Eclesiastes, escrito por Salomão, é um retrato da vida na perspectiva humana. Quando vemos um animal sofrendo um acidente e um ser humano, os resultados perceptíveis são semelhantes, pois estamos falando de criaturas físicas. Numa perspectiva de observação vertical, do ponto de vista humano, não há diferença em muitas coisas nesse mundo. Ele, o autor inspirado do livro, fala várias vezes do que vemos “debaixo do sol” – veja Ec 1.3,5,9,14; 2.11,17, 18, 19, 20, 22,; 3.16, 4.1, 3, 7, 15; 5.13, 18; 6.1, 5, 12, 7.11; 8.9, 15, 17; 9.3, ,6, 9, 11, 13; 10.5. Apenas uma leitura superficial ou enganosa, pode desconsiderar a perspectiva do livro. Mais adiante mostrarei outros problemas para os adventistas ao distorcerem esse livro inspirado.  

Conclusão sobre os alicerces

Não houve alicerce algum, para um cristão que lê a Bíblia, que venha questionar a crença reformada da imortalidade da alma. O prédio das teorias adventistas está comprometido. Assim, os teólogos de Westminster estão ainda sem ameaças quando disseram:

CAPÍTULO XXXII. DO ESTADO DO HOMEM DEPOIS DA MORTE. E DA RESSURREIÇÃO DOS MORTOS: I. Os corpos dos homens, depois da morte, convertem-se em pó e vêm a corrupção; mas as suas almas (que nem morrem nem dormem), tendo uma substância imortal, voltam imediatamente para Deus que as deu. As almas dos justos, sendo então aperfeiçoadas na santidade, são recebidas no mais alto dos céus onde vêm a face de Deus em luz e glória, esperando a plena redenção dos seus corpos; e as almas dos ímpios são lançadas no inferno, onde ficarão, em tormentos e em trevas espessas, reservadas para o juízo do grande dia final. Além destes dois lugares destinados às almas separadas de seus respectivos corpos as Escrituras não reconhecem nenhum outro lugar. Gen. 3:19; At. 13:36; Luc. 23:43; Ec. 12:7; Apoc. 7:4, 15; II Cor. 5: 1, 8; Fil. 1:23; At. 3:21; Ef. 4:10; Rom. 5:23; Luc. 16:25-24.

Ø  As perguntas. Vejamos agora às 30 perguntas 'irrefutáveis', que os senhores Brito e Quadros apresentam. E deixemos que seus argumentos encontrem outra sustentação, pois as pré-estabelecidas até agora, não tem fundação legítima alguma:

1ª: Se Deus colocou no ser humano uma alma imortal, então por que razão existiria a “árvore da vida” no Jardim do Éden?
Observações: Se o homem continuasse comendo da árvore da vida, se tornaria imortal (cf. Gên. 3:22). Contudo, foram expulsos do Jardim do Éden, para não mais comerem da árvore da vida, e dois querubins ficaram na guarda do Jardim para que não tomassem da árvore e vivessem eternamente (cf. Gên. 3:24). Tudo isso seria totalmente desnecessário se já possuíssem uma alma imortal.

Tudo indica que a árvore da vida era um símbolo visível/literal do favor divino, pelo pacto das obras, caso Adão obedecesse. Esse seria 'o sacramento' da vida eterna que nossos pais – Adão e Eva – comeriam como recompensa do pacto das obras. Visto que o pecado resultou na morte espiritual (separação da comunhão com Deus - Ef 2.1,2), na morte física (separação da comunhão com as coisas materiais - Rm 5.12) e na morte eterna (separação do favor divino no lago de fogo - Ap 20.14). Eles foram proibidos de comerem do símbolo da vida.

O que o pressuposto dessa primeira pergunta desabona uma parte imaterial no ser humano? Nada! O adventista infere uma conclusão plenamente desprovida de razão Tudo isso seria totalmente desnecessário se já possuíssem uma alma imortal.”. Deus não criou o ser humano para viver desencarnado. O homem é homem com suas propriedades – enquanto morto e alma separada do corpo, não há plenitude da sua existência humana.

2ª: Por que em Gên. 2:17 lemos claramente sobre o homem experimentando a morte de forma definitiva (até à ressurreição), sem qualquer pista de uma morte só de parte do seu ser (do corpo)?
Observações: No original hebraico lemos moth tâmuth—traduzido literalmente por “morrendo morrereis”. A morte seria o fim total de qualquer existência humana, corpo e alma, pois, como consequência do pecado, o processo de morte teria início a partir do primeiro falecimento. A verdade incontestável é que não existiria nenhum estado de vida entre a morte e a ressurreição, como Davi também refere ao falar da própria morte como uma condição de não-existência (Sal. 39:13).

Os dois adventistas aqui devem achar que seus oponentes os cristãos reformados e protestantes são tão desatentos a ponto de não perceberem a dissimulação do argumento! Note que quando o sr Brito articula o argumento, do nada introduz uma ressalva que também não está no texto – isto é, a ressurreição. Observe bem o argumento e pergunte-se: onde no texto fala de ressurreição? Mas o Sr Brito, bem esperto em seus argumentos, lança a ressalva inexistente no texto, mas considera que a menção  da imortalidade da alma deveria ser feita!!! Poderíamos com seu argumento então inferir que ressurreição não haverá pois ali não disse ('qualquer pista') nada a respeito da ressurreição!

Na sua observação, o ‘mestre apologista’, faz aquele passe de mágica argumentativo dizendo: “A verdade incontestável é que não existiria nenhum estado de vida entre a morte e a ressurreição”. Fácil dizer o que quer assim. Incontestável onde? Até agora, em lugar algum... mas continuemos, quem sabe ainda surgirá argumentos melhores...

Continua...


segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Respondendo as perguntas adventistas sobre a imortalidade da alma de Azenilto Brito postada por Leandro Quadros – Parte 1

O apresentador do programa na Mira da Verdade, da TV adventista Novo Tempo, Leandro Quadros, postou em seu blog (http://leandroquadros.com.br/30-perguntas-aos-que-creem-na-imortalidade-da-alma/) trinta perguntas do conhecido professor Azenilto Brito, ardoroso apologista adventista. 

Nessa postagem, Leandro Quadros bem entusiasmado, convida os leitores a lerem o “rico material” preparado por Brito. Pelo pouco que conheço deles, tais perguntas podem ser considerados argumentos representativos dos adventistas nesse assunto. Não seriam perguntas gratuitas de adventistas individuais, podemos dizer que tais perguntas são perguntas adventistas. Minhas respostas será uma série de postagens, pois de fato são muitas perguntas, sendo que algumas são muito complexas – o que envolverá uma pesquisar maior, outras, porém, são as mesmas perguntas já respondidas pelos cristãos... Mas, todas serão respondidas.

Boa leitura, e que o Espírito Santo nos Ilumine (Jo 16.7-14).

Introdução

Em um primeiro momento, a postagem apresenta seis alicerces que serão norteadores para as perguntas que serão apresentadas. Sem nenhuma razão ponderada e biblicamente abalizada, eles dizem que esses são os alicerces a respeito do assunto em pauta. Essa já a primeira falha deles – inferem uma dedução, como que se fosse mesmo esses alicerces para tal assunto. Veja os alicerces –

1º alicerce: Gênesis 2:7 apresenta a ‘montagem’ ou criação do homem, SÓ de dois elementos —“pó da terra” + “fôlego de vida”. Assim, o homem se faz “alma vivente”. Não é dito que o homem TEM alma (imortal) e sim que É alma (vivente). Na formação do homem não ENTRA nenhuma “alma imortal”.
2º alicerce: Na ‘desmontagem’ do homem (morte), como tratado por Salomão em Ecl. 12:7, o pó volta à terra, como era, e o espírito-ruach (fôlego vital) volta para Deus que o deu. O texto fala tanto do pó quanto do espírito-‘ruach’ de TODOS os homens (não só dos salvos). Na morte do homem não consta que SAI qualquer “alma imortal”.
3º alicerce: Davi usa linguagem semelhante à de Salomão em Ecl. 12:7 no Sal. 104:25-29 falando da morte DOS ANIMAIS: Deus remove a respiração-ruach, e esses ANIMAIS voltam ao pó.
4º alicerce: Temos então Salomão em Ecl. 3:19-21 falando didaticamente sobre como a sorte de homens e animais é idêntica na morte. “Assim como morre um, morre o outro” porque tanto homens como animais “têm o mesmo fôlego de vida-ruach”.
5º alicerce: Davi prossegue dizendo que na morte não há a mínima consciência—Sal. 146:3, 4; pois os mortos “não louvam ao Senhor” nem os que “descem ao silêncio” (um paralelo muito instrutivo—Sal. 6:5, 115:17), sendo que a sua própria morte representaria para ele a não-existência (Sal. 39:13).
6º alicerce: E no antiquíssimo livro de Jó, aquele Patriarca confirma como a morte é a inexistência em termos bem claros: Jó 7:21, 14:7-14. E ele ainda fala de quando se encontraria com o seu Redentor—não quando morresse e fosse de imediato para o céu com sua alma, mas sim quando Ele Se levantasse sobre a Terra, e O veria com o seu próprio corpo renovado: Jó 19:25-27.

O erro gritante desses alicerces é a ausência total de leitura do Novo Testamento que trata do assunto. Nenhuma doutrina bíblica para os cristãos pode desconsiderar a revelação progressiva e plena contida no Novo Testamento! Os adventistas vivem em erro com respeito ao sábado e doutrinas alimentícias, exatamente por desconsiderar a leitura pura da revelação neotestamentária. Minha colocação não tem nada com dispensacionalismo, por favor! Todos sabemos disso. É princípio básico da hermenêutica cristã e da teologia bíblica. A revelação progressiva consiste em ser acumulativa. E qualquer diferença trata de progresso e não de contradição, o que tenta fazer alguns. Podemos dizer que o Velho Testamento trata da imortalidade da alma como algo ‘latente’, que no tempo do NT se tornou patente. Se no VT algo era um sussurro, no NT foi um grito. Isso, em toda e qualquer doutrina bíblica deve ser considerado.

Por que então esses alicerces adventistas desconsideram o NT? É porque o NT é o maior problema para a interpretação adventista a respeito da alma – e na verdade, a respeito de quase todas as suas doutrinas distintivas. Esses seis alicerces se tornam uma camisa de força hermenêutica na mentalidade do adventista, quando desconsideram o NT como revelação acumulativa. Vamos a esses alicerces. Mencionarei o número aí você consulta acima a descrição do mesmo (nessa postagem trato apenas do primeiro e segundo):

“1º Alicerce” - Resposta: A montagem do homem no texto de Gn 2.7 fala de sua constituição, como uma unidade; corpo + fôlego = alma. Mas será que o texto é uma explanação exaustiva da constituição humana em sua espiritualidade e plenitude? Claro que não! Para sabermos o que é, e a diferença da alma vivente “Homem e Mulher” da alma vivente “Animais”, devemos recorrer às demais revelações na Bíblia. 

Um texto não exclui possibilidades de acréscimos, em especial se ele for enxuto na sua exposição, e ainda mais, se termos outros trechos que devem ser considerados. No texto de Gn 2.7 não diz que os seres humanos são a imagem de Deus, nem que receberam uma missão cultural e nem que gerenciariam o mundo (Gn 1.27-30). A leitura de Gn 2.7 nos garante que o homem é uma alma vivente, mas não é uma negativa de que por ser alma ele não possa ter uma alma imortal! Isso nem mesmo é uma contradição! Para piorar, o argumento pueril adventista; o sentido em que o termo alma é usado em Gn 2.7 é difere de algumas outras passagens bíblicas, como veremos. Aquilo que ele é, no caso que defendemos, é diferente daquilo que ele têm. Assim, nem na construção do argumento, nem na suas implicações, “ser uma alma” é de fato uma negativa de “ter uma alma”.

“2º Alicerce” – Resposta: Esse argumento da desmontagem é pobre de teologia bíblica. Desconsidera tudo com base em uma afirmação – não em um negação. Usa uma camisa de força hermenêutica, erroneamente pressuposta do texto de Ec 12.7. Primeiro, que o termo “espírito” não significa apenas “fôlego”. O adventista toma isso por certo e em especial para esse texto. Uma consulta, porém, na Bíblia e em dicionários linguísticos, fica provado que não é assim. A Bíblia fala que Deus, anjos e demônios são espíritos. Eles são então apenas “fôlego”? Obvio que não. Portanto, a etimologia da palavra hebraica “ruash” não deve ser restrita a apenas um sentido. 

Daí, vamos ao texto de Ec 12.7 com as duas hipóteses, antes de ver quais das duas é a verdade – se resiste a testes: 

1. Na interpretação adventista, o espírito que volta a Deus foi o sopro que Deus insuflou em cada pessoa para ela viver. 
2. Na interpretação cristã é a parte imaterial que volta a Deus para ser por ele guardado até o ultimo dia. 

Qual das duas está em harmonia com a o ensino bíblico? 

O Contexto: a argumentação do autor de Eclesiastes no contexto (11.9-12.8) é demonstrar que essa vida é passageira, e que a juventude terminará, mas que tudo que fazemos Deus pedirá conta – 11.9 (compare com 12.13). O que sobrará de nós diante de Deus, após a morte? O espírito voltará a Deus! Se por espírito entendermos como entende o adventista, apenas como um ‘fôlego’, não haverá sentido algum o argumento desenvolvido pelo Pregador. Agora, lendo corretamente junto com a interpretação reformada, entendemos toda a escatologia individual (Lc 16.19-31; 23.43, etc) - em começar a prestar conta de nossos atos.


O autor adventista diz também que não apenas dos salvos, mas de todos - tal espírito volta a Deus. E quem é que disse que não? O voltar a Deus no contexto de Eclesiastes significa sair desse mundo material (debaixo do sol) e ir para o transcendental.  A Bíblia revela em outras partes que esse voltar a Deus é estar sob seu juízo ou cuidado, até a ressurreição e juízo final.

Continua...