segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Escatologia das Testemunhas de Jeová - Uma Ilustração do Autoritarismo das Seitas

"O objetivo deste artigo é apresentar a escatologia das Testemunhas de Jeová a fim de ilustrar o papel central que a doutrina dos últimos dias tem para as seitas como forma de justificar a liderança autoritária da Torre de Vigia. As seitas costumam ter uma escatologia própria como uma tentativa de explicar a descontinuidade histórica que há entre elas e o Cristianismo primitivo. Para isso, as igrejas pseudocristãs colocam a si mesmas como um grupo religioso, cujo surgimento e história foram profetizados nas Escrituras. 

Os adventistas, por exemplo, afirmam que a Bíblia profetizou o surgimento de um movimento que anunciaria uma data errada para a Volta de Jesus gerando um grande desapontamento, pregaria a guarda do sábado, anunciaria o Juízo investigativo, teria uma profetisa e que surgiria no final do século XIX e assim identificam a si mesmos como a única igreja verdadeira, a “igreja da profecia”. Veremos que o mesmo se dá em relação aos russelitas, além de evidenciar outras funções que a escatologia cumpre dentro da seita, especialmente em relação à justificação do autoritarismo do Corpo Governante.

1914 – O INÍCIO DOS ÚLTIMOS DIAS

Para as Testemunhas de Jeová os últimos dias começaram em outubro de 1914. Nesse ano, algumas coisas aconteceram [1]:

  1. Jesus foi empossado Rei no Céu: Jesus começou a reinar no céu como Rei do Reino de Jeová.
  2. Satanás foi expulso do Céu: Quando começou a reinar, Jesus expulsou Satanás do céu para a terra.
  3. Os sinais da vinda de Cristo começam a se manifestar na Terra: A vinda de Jesus é sua presença invisível como rei celestial, como Satanás e os demônios foram lançados a Terra, as coisas no mundo começaram a ficar ruins, fazendo surgir guerras, fomes, terremotos e doenças.
  4. Iniciou-se a ressurreição espiritual dos ungidos: Jesus passou a ressuscitar (na verdade “recriar em espírito”), os salvos que vão morar no céu (cujo número exato é de 144.000 pessoas). Assim, os fiéis apóstolos foram recriados invisivelmente em espírito e levados para o céu, e a partir de então, todo cristão ungido, ao morrer, é recriado em espírito e levado para o Céu, passando a governar com Jesus, como poderosa criatura espiritual.

A PURIFICAÇÃO DOS CRISTÃOS UNGIDOS

De acordo com a organização, a partir do ano 100 d.C., começou o cativeiro babilônico, um longo período em que o povo de Deus estaria em inatividade espiritual [2]. Depois que se tornou Rei em 1914, Jesus veio a Terra para fazer uma inspeção, a fim de começar a separar o trigo do joio, visto que os poucos cristãos verdadeiros estavam ocultos desde 100 d.C., quando Satanás teria começado a semear os “cristãos nominais”.[3]  

Mas antes que Jesus viesse para fazer a inspeção, Jeová levantou o mensageiro que prepararia o caminho do Senhor: Charles Taze Russel e seus associados, estudantes da Bíblia que começaram a obra de restauração da verdade na Terra, os fundadores da religião das Testemunhas de Jeová. Assim, quando Jesus veio invisivelmente fazer sua inspeção, ele encontrou um grupo de estudantes da Bíblia que já pregavam a verdade há 30 anos.[4]

No entanto, esse grupo ainda era cheio de imperfeições e precisava ser purificado, assim de Dezembro de 1914 a Junho de 1918, cumpriram-se os três tempos e meios ou1260 dias, durante os quais os cristãos passariam por um processo de purificação por meio de perseguições sofridas pelos salvos que vão morar no céu.[5] Terminada a purificação, em 1919, Jesus designou esses salvos para serem “o escravo fiel e discreto”, o qual deveria ser “o canal de comunicação” entre Jesus e os cristãos. Este grupo é formado pelos cristãos ungidos que fazem parte dos 144.000, seu dever é fornecer “alimento espiritual”, por meio das revistas a Sentinela e Despertai. Hoje, o “escravo fiel” é a liderança da religião – O Corpo Governante das Testemunhas de Jeová com sede em Brooklin, NY.[6]

Além dos salvos que vão morar no céu, existem os Testemunhas de Jeová comuns. Eles não têm um número definido, além disso, não têm os mesmos privilégios dos 144.000. Diferente dos que compõem o Corpo Governante, os Testemunhas de Jeová comuns, não são regenerados, nem adotados como filhos de Deus, não reinarão com Cristo e não podem participar da Santa Ceia. Jesus fez uma Nova Aliança apenas com os cristãos ungidos e por isso, Cristo é mediador somente entre Jeová e os 144.000. No entanto, osTestemunhas de Jeová comuns, por ajudarem os cristãos ungidos na obra da pregação, vão viver para sempre na Terra sob o governo dos 144.000.

O grupo dos “comuns” emergiu e se multiplicou ao sair vitorioso ao fim da Segunda Guerra Mundial, ocorrida no período profético das 2300 tardes e manhãs, que vai de 1 ou 15 de junho de 1938 a 8 ou 22 de outubro de 1944.[7] Enquanto os salvos que vão morar no céu são chamados “o escravo fiel e discreto”, os Testemunhas de Jeová comuns formam o grupo dos “domésticos”. Hoje existem cerca de 8 milhões de domésticos no mundo.[8] Um doméstico deve ser fiel aos ensinos do escravo fiel, mesmo quando eles são contrários à Bíblia [9]. Eles poderão viver para sempre no paraíso na Terra por terem auxiliado os 144.000 e por isso, são representados, por Jesus, como ovelhas à direita que deram de comer, beber e vestir aos “pequeninos de Jesus” (os cristãos ungidos).[10]

O ARMAGEDOM

De acordo com a seita, a última geração que não passará sem que aconteça o Armagedom, é formada por dois grupos: (i) os cristãos que foram ungidos em 1914, ou antes disso e (ii) os cristãos ungidos que foram contemporâneos aos do primeiro grupo. Alguns desse segundo grupo estarão vivos na Grande Tribulação. Esses cristãos já estão envelhecendo [11]  assim, o Armagedom deve acontecer por volta de 2034 [12].

Antes que comece a Grande Tribulação, haverá um tempo de “paz e segurança” pronunciado pelas nações e pelas religiões falsas. Em seguida, a Organização das Nações Unidas atacará as organizações religiosas do mundo, destruindo a cristandade e demais religiões falsas. A única religião que sobreviverá aos ataques da ONU será as Testemunhas de Jeová. Em seguida, provavelmente ocorrerão manifestações sobrenaturais no céu, então quando os perversos estiverem a ponto de iniciar um ataque contra as Testemunhas de Jeová, os cristãos ungidos que ainda estiverem na Terra serão arrebatados para o Céu. Em seguida, Jesus virá junto com os 144.000 e com seus anjos e aniquilará os maus da existência. Os que rejeitaram a Jeová no passado foram aniquilados assim que morreram (a morte natural é aniquilação da existência, segundo a escatologia das Testemunhas de Jeová), já os ímpios vivos no Armagedom serão eliminados da existência por Jesus. Ninguém sofrerá num inferno, mas somente as Testemunhas de Jeová sobreviverão ao extermínio. A sobrevivência ao extermínio que ocorrerá no Armagedom dependerá da obediência à Organização Torre de Vigia. [13]

O PARAÍSO RESTAURADO
     
As Testemunhas de Jeová sobreviventes ao Armagedom darão início à restauração da Terra. Elas terão a tarefa de transformar gradualmente toda a Terra em um paraíso. [14] Jesus e os 144.000 governarão, a partir do Céu, os súditos domésticos na Terra. O governo de Jeová promoverá diversos programas sociais para os habitantes da Terra, incluindo programas de saúde, moradia, alimento, educação e emprego. [15]

Ainda será possível perder a salvação durante os primeiros mil anos no paraíso. Quem for infiel a Jeová no paraíso será eliminado da existência. Jeová ressuscitará pessoas que nunca tiveram a oportunidade de ouvir o evangelho e elas terão de cumprir as exigências que Jeová der a elas. Os que não estiverem dispostos a se ajustar às exigências de Jeová serão exterminados. Depois de 1.000 anos de paraíso, as pessoas ainda terão que passar por um teste final – uma tentação do Diabo. Somente aqueles que resistirem aos enganos de Satanás poderão continuar vivendo para sempre no paraíso na Terra, os demais serão eliminados da existência para sempre. [15]

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A escatologia das Testemunhas de Jeová ilustra bem as características de uma seita. Entre elas podemos citar:
  1. Autoritarismo: As Testemunhas de Jeová comuns estão debaixo da autoridade de um Corpo Governante privilegiado, ao qual são obrigadas a auxiliar caso queiram sobreviver ao extermínio do Armagedom.
  2. Exclusivismo: Somente sendo fiel à Organização Torre de Vigia será possível ser salvo. Elas são a única religião verdadeira. Jeová usará a Organização das Nações Unidas para eliminar todas as religiões, menos a Torre de Vigia.
  3. Legalismo: A condição para sobreviver ao Armagedom e até mesmo para não ser exterminado no paraíso, é ser obediente aos requisitos e exigências de Jeová. As Testemunhas de Jeová devem ser fiéis aos mandamentos da liderança, pois ela é o canal de comunicação que Jesus designou. [17]

A escatologia das seitas também é o meio que elas usam para explicar como um grupo que surgiu no século XIX pode ser a única religião verdadeira, mesmo estando em total descontinuidade com o Cristianismo primitivo. As Testemunhas de Jeová ensinam que o povo de Deus permaneceu oculto por 1819 anos (de 100 d.C. a 1919 d.C.) até que Jeová ressuscitasse do “vale de ossos secos”, a única religião verdadeira, colocando o “trigo” em evidência ao separá-lo do “joio” (Cristandade). Ainda, a Sociedade Torre de Vigia mantém a fidelidade de seus “domésticos” à organização, por meio do medo de que Jeová as extermine no Armagedom se não obedecerem ao escravo fiel e discreto:

“Elas acreditam que Jesus pagou pelo pecado de Adão, no jardim, mas cabe a elas trabalhar para a “perfeição”, seguindo as regras da organização Torre de Vigia. Embora as Testemunhas de Jeová sorriam quando apresentam a sua mensagem porta-a-porta, elas não têm a verdadeira paz e alegria no fundo de seus corações. Elas não têm certeza da salvação, porque a sua religião ensina que devem cumprir todos os regulamentos da organização Torre de Vigia, a fim ser achadas dignas o suficiente para sobreviver ao Armagedom (futura batalha de Deus para acabar com o governo dos ímpios). Em seu esforço para ter a aprovação de Deus, a organização domina-os através do medo e da culpa, concentrando-se na sua incapacidade de cumprir o que lhes é exigido. Isso deixa as Testemunhas de Jeová espiritualmente vazias, lutando arduamente pela aprovação de Deus, sem nenhuma garantia de onde elas vão acabar após a morte. É verdade que enquanto elas parecem felizes por fora, por dentro estão morrendo, ansiando a paz e alegria que só Cristo pode fornecer.” [18]

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Fontes:
[1] Testemunhas de Jeová (2016). Você pode entender a Bíblia. Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados Cesário Lange, São Paulo, Brasil, pp. 219, 91, 94-97, 80.
[2] A Sentinela (Edição de Estudos) de Março de 2016. Perguntas dos Leitores. Disponível em:https://www.jw.org/pt/publicacoes/revistas/a-sentinela-estudo-marco-2016/perguntas-dos-leitores/#?insight[search_id]=3724a4f7-46c1-457f-bd27-fd2d30407db9&insight[search_result_index]=1
[3] Testemunhas de Jeová (2014). O Reino de Deus já Governa. Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados Cesário Lange, São Paulo, Brasil, pp. 10, 100.
[4] A Sentinela (Edição de Estudos) de Julho de 2013: “Eis que estou convosco todos os dias”. Disponível em:https://www.jw.org/pt/publicacoes/revistas/w20130715/jesus-parabola-trigo-e-joio/#?insight[search_id]=f7fb3014-b94f-475e-aad4-7655113de756&insight[search_result_index]=1
[5] Testemunhas de Jeová (2004). Preste Atenção à PROFECIA DE DANIEL! – Edição de tipo grande. . Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados Cesário Lange, São Paulo, Brasil, pp. 183 -187, 389.
[6] A Sentinela (Edição de Estudo) de Julho de 2013: “Quem é realmente o Escravo Fiel e Discreto?”. Disponível em:https://www.jw.org/pt/publicacoes/revistas/w20130715/quem-e-o-escravo-fiel-e-discreto/#?insight[search_id]=150b039c-2df8-4126-927d-112aa0570807&insight[search_result_index]=0
[7] Testemunhas de Jeová (2004). Preste Atenção à PROFECIA DE DANIEL! – Edição de tipo grande. . Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados Cesário Lange, São Paulo, Brasil, pp. 227 -231, 389.
[8] Quantas Testemunhas de Jeová existem no mundo? Disponível em: https://www.jw.org/pt/testemunhas-de-jeova/perguntas-frequentes/quantos-membros-tj/#?insight[search_id]=e520e77a-3eca-49ad-b0cc-ea4f9f25dad8&insight[search_result_index]=7
[9] http://www.4jehovah.org/pt-pt/como-testemunhar-eficazmente-as-testemunhas-de-jeova/
[10] Testemunhas de Jeová (2006). O Maior Homem que Já Viveu. Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados Cesário Lange, São Paulo, Brasil, seção 111.
[11] A Sentinela (Edição Fácil de Ler) de Janeiro de 2014. Disponível em: 
https://www.jw.org/pt/publicacoes/revistas/ws20140115/venha-o-teu-reino/#?insight[search_id]=70294262-00b2-4115-80cc-ed7c4d0e09f8&insight[search_result_index]=3
[12] http://www.quotes-watchtower.co.uk/2034.html
[13] Testemunhas de Jeová (2014). O Reino de Deus já Governa. Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados Cesário Lange, São Paulo, Brasil, pp. 222 – 230.
[14] Testemunhas de Jeová (1985). A Vida – Qual a sua origem? A Evolução ou a Criação. Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados Cesário Lange, São Paulo, Brasil, pp. 235 – 238.
[15] Testemunhas de Jeová (2014). O Reino de Deus já Governa. Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados Cesário Lange, São Paulo, Brasil, p. 27.
[16] O que a Bíblia Realmente Ensina. Apêndice: Dia do Julgamento: O que é? – Disponível em:https://www.jw.org/pt/publicacoes/livros/biblia-ensina/o-que-e-dia-do-julgamento-reinado-de-mil-anos/
[17] Ferreira, F. & Myatt (2007). Teologia Sistemática - VIDA NOVA, p. 917.
[18] http://www.4jehovah.org/pt-pt/como-testemunhar-eficazmente-as-testemunhas-de-jeova/

Fonte: https://bereianos.blogspot.com.br/2017/02/escatologia-das-testemunhas-de-jeova.html 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Respondendo as perguntas adventistas sobre a imortalidade da alma de Azenilto Brito postada por Leandro Quadros – Parte 2

“3º Alicerce” - Resposta: Esse argumento  está viciado com os demais, visto que pressupõe algum problema para a crença cristã da imortalidade da alma. Como eu disse, existem vários textos que usam vários sentidos para o termo espírito, e dentre eles a sustentação da vida. O texto de Salmo 104.25-29 apenas demonstra um de seus sentidos etimológicos. Isso significa a providência de Deus em dizer quando um animal morrerá, pelo menos era assim que o Senhor Jesus cria – Mt 10.29. Que obstáculo contra a imortalidade da alma há no texto do Salmo 104.25-29?!

“4º Alicerce” – Resposta: Esse alicerce é o pior de todos. Coisa de gente desinformada a respeito do gênero de livro. Mas levando em consideração quem é o autor de tais alicerces, e de quem o divulga, não se trata de ignorância, mas distorção religiosa, arquitetada.

A temática do livro de Eclesiastes, escrito por Salomão, é um retrato da vida na perspectiva humana. Quando vemos um animal sofrendo um acidente e um ser humano, os resultados perceptíveis são semelhantes, pois estamos falando de criaturas físicas. Numa perspectiva de observação vertical, do ponto de vista humano, não há diferença em muitas coisas nesse mundo. Ele, o autor inspirado do livro, fala várias vezes do que vemos “debaixo do sol” – veja Ec 1.3,5,9,14; 2.11,17, 18, 19, 20, 22,; 3.16, 4.1, 3, 7, 15; 5.13, 18; 6.1, 5, 12, 7.11; 8.9, 15, 17; 9.3, ,6, 9, 11, 13; 10.5. Apenas uma leitura superficial ou enganosa, pode desconsiderar a perspectiva do livro. Mais adiante mostrarei outros problemas para os adventistas ao distorcerem esse livro inspirado.  

Conclusão sobre os alicerces

Não houve alicerce algum, para um cristão que lê a Bíblia, que venha questionar a crença reformada da imortalidade da alma. O prédio das teorias adventistas está comprometido. Assim, os teólogos de Westminster estão ainda sem ameaças quando disseram:

CAPÍTULO XXXII. DO ESTADO DO HOMEM DEPOIS DA MORTE. E DA RESSURREIÇÃO DOS MORTOS: I. Os corpos dos homens, depois da morte, convertem-se em pó e vêm a corrupção; mas as suas almas (que nem morrem nem dormem), tendo uma substância imortal, voltam imediatamente para Deus que as deu. As almas dos justos, sendo então aperfeiçoadas na santidade, são recebidas no mais alto dos céus onde vêm a face de Deus em luz e glória, esperando a plena redenção dos seus corpos; e as almas dos ímpios são lançadas no inferno, onde ficarão, em tormentos e em trevas espessas, reservadas para o juízo do grande dia final. Além destes dois lugares destinados às almas separadas de seus respectivos corpos as Escrituras não reconhecem nenhum outro lugar. Gen. 3:19; At. 13:36; Luc. 23:43; Ec. 12:7; Apoc. 7:4, 15; II Cor. 5: 1, 8; Fil. 1:23; At. 3:21; Ef. 4:10; Rom. 5:23; Luc. 16:25-24.

Ø  As perguntas. Vejamos agora às 30 perguntas 'irrefutáveis', que os senhores Brito e Quadros apresentam. E deixemos que seus argumentos encontrem outra sustentação, pois as pré-estabelecidas até agora, não tem fundação legítima alguma:

1ª: Se Deus colocou no ser humano uma alma imortal, então por que razão existiria a “árvore da vida” no Jardim do Éden?
Observações: Se o homem continuasse comendo da árvore da vida, se tornaria imortal (cf. Gên. 3:22). Contudo, foram expulsos do Jardim do Éden, para não mais comerem da árvore da vida, e dois querubins ficaram na guarda do Jardim para que não tomassem da árvore e vivessem eternamente (cf. Gên. 3:24). Tudo isso seria totalmente desnecessário se já possuíssem uma alma imortal.

Tudo indica que a árvore da vida era um símbolo visível/literal do favor divino, pelo pacto das obras, caso Adão obedecesse. Esse seria 'o sacramento' da vida eterna que nossos pais – Adão e Eva – comeriam como recompensa do pacto das obras. Visto que o pecado resultou na morte espiritual (separação da comunhão com Deus - Ef 2.1,2), na morte física (separação da comunhão com as coisas materiais - Rm 5.12) e na morte eterna (separação do favor divino no lago de fogo - Ap 20.14). Eles foram proibidos de comerem do símbolo da vida.

O que o pressuposto dessa primeira pergunta desabona uma parte imaterial no ser humano? Nada! O adventista infere uma conclusão plenamente desprovida de razão Tudo isso seria totalmente desnecessário se já possuíssem uma alma imortal.”. Deus não criou o ser humano para viver desencarnado. O homem é homem com suas propriedades – enquanto morto e alma separada do corpo, não há plenitude da sua existência humana.

2ª: Por que em Gên. 2:17 lemos claramente sobre o homem experimentando a morte de forma definitiva (até à ressurreição), sem qualquer pista de uma morte só de parte do seu ser (do corpo)?
Observações: No original hebraico lemos moth tâmuth—traduzido literalmente por “morrendo morrereis”. A morte seria o fim total de qualquer existência humana, corpo e alma, pois, como consequência do pecado, o processo de morte teria início a partir do primeiro falecimento. A verdade incontestável é que não existiria nenhum estado de vida entre a morte e a ressurreição, como Davi também refere ao falar da própria morte como uma condição de não-existência (Sal. 39:13).

Os dois adventistas aqui devem achar que seus oponentes os cristãos reformados e protestantes são tão desatentos a ponto de não perceberem a dissimulação do argumento! Note que quando o sr Brito articula o argumento, do nada introduz uma ressalva que também não está no texto – isto é, a ressurreição. Observe bem o argumento e pergunte-se: onde no texto fala de ressurreição? Mas o Sr Brito, bem esperto em seus argumentos, lança a ressalva inexistente no texto, mas considera que a menção  da imortalidade da alma deveria ser feita!!! Poderíamos com seu argumento então inferir que ressurreição não haverá pois ali não disse ('qualquer pista') nada a respeito da ressurreição!

Na sua observação, o ‘mestre apologista’, faz aquele passe de mágica argumentativo dizendo: “A verdade incontestável é que não existiria nenhum estado de vida entre a morte e a ressurreição”. Fácil dizer o que quer assim. Incontestável onde? Até agora, em lugar algum... mas continuemos, quem sabe ainda surgirá argumentos melhores...

Continua...


segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Respondendo as perguntas adventistas sobre a imortalidade da alma de Azenilto Brito postada por Leandro Quadros – Parte 1

O apresentador do programa na Mira da Verdade, da TV adventista Novo Tempo, Leandro Quadros, postou em seu blog (http://leandroquadros.com.br/30-perguntas-aos-que-creem-na-imortalidade-da-alma/) trinta perguntas do conhecido professor Azenilto Brito, ardoroso apologista adventista. 

Nessa postagem, Leandro Quadros bem entusiasmado, convida os leitores a lerem o “rico material” preparado por Brito. Pelo pouco que conheço deles, tais perguntas podem ser considerados argumentos representativos dos adventistas nesse assunto. Não seriam perguntas gratuitas de adventistas individuais, podemos dizer que tais perguntas são perguntas adventistas. Minhas respostas será uma série de postagens, pois de fato são muitas perguntas, sendo que algumas são muito complexas – o que envolverá uma pesquisar maior, outras, porém, são as mesmas perguntas já respondidas pelos cristãos... Mas, todas serão respondidas.

Boa leitura, e que o Espírito Santo nos Ilumine (Jo 16.7-14).

Introdução

Em um primeiro momento, a postagem apresenta seis alicerces que serão norteadores para as perguntas que serão apresentadas. Sem nenhuma razão ponderada e biblicamente abalizada, eles dizem que esses são os alicerces a respeito do assunto em pauta. Essa já a primeira falha deles – inferem uma dedução, como que se fosse mesmo esses alicerces para tal assunto. Veja os alicerces –

1º alicerce: Gênesis 2:7 apresenta a ‘montagem’ ou criação do homem, SÓ de dois elementos —“pó da terra” + “fôlego de vida”. Assim, o homem se faz “alma vivente”. Não é dito que o homem TEM alma (imortal) e sim que É alma (vivente). Na formação do homem não ENTRA nenhuma “alma imortal”.
2º alicerce: Na ‘desmontagem’ do homem (morte), como tratado por Salomão em Ecl. 12:7, o pó volta à terra, como era, e o espírito-ruach (fôlego vital) volta para Deus que o deu. O texto fala tanto do pó quanto do espírito-‘ruach’ de TODOS os homens (não só dos salvos). Na morte do homem não consta que SAI qualquer “alma imortal”.
3º alicerce: Davi usa linguagem semelhante à de Salomão em Ecl. 12:7 no Sal. 104:25-29 falando da morte DOS ANIMAIS: Deus remove a respiração-ruach, e esses ANIMAIS voltam ao pó.
4º alicerce: Temos então Salomão em Ecl. 3:19-21 falando didaticamente sobre como a sorte de homens e animais é idêntica na morte. “Assim como morre um, morre o outro” porque tanto homens como animais “têm o mesmo fôlego de vida-ruach”.
5º alicerce: Davi prossegue dizendo que na morte não há a mínima consciência—Sal. 146:3, 4; pois os mortos “não louvam ao Senhor” nem os que “descem ao silêncio” (um paralelo muito instrutivo—Sal. 6:5, 115:17), sendo que a sua própria morte representaria para ele a não-existência (Sal. 39:13).
6º alicerce: E no antiquíssimo livro de Jó, aquele Patriarca confirma como a morte é a inexistência em termos bem claros: Jó 7:21, 14:7-14. E ele ainda fala de quando se encontraria com o seu Redentor—não quando morresse e fosse de imediato para o céu com sua alma, mas sim quando Ele Se levantasse sobre a Terra, e O veria com o seu próprio corpo renovado: Jó 19:25-27.

O erro gritante desses alicerces é a ausência total de leitura do Novo Testamento que trata do assunto. Nenhuma doutrina bíblica para os cristãos pode desconsiderar a revelação progressiva e plena contida no Novo Testamento! Os adventistas vivem em erro com respeito ao sábado e doutrinas alimentícias, exatamente por desconsiderar a leitura pura da revelação neotestamentária. Minha colocação não tem nada com dispensacionalismo, por favor! Todos sabemos disso. É princípio básico da hermenêutica cristã e da teologia bíblica. A revelação progressiva consiste em ser acumulativa. E qualquer diferença trata de progresso e não de contradição, o que tenta fazer alguns. Podemos dizer que o Velho Testamento trata da imortalidade da alma como algo ‘latente’, que no tempo do NT se tornou patente. Se no VT algo era um sussurro, no NT foi um grito. Isso, em toda e qualquer doutrina bíblica deve ser considerado.

Por que então esses alicerces adventistas desconsideram o NT? É porque o NT é o maior problema para a interpretação adventista a respeito da alma – e na verdade, a respeito de quase todas as suas doutrinas distintivas. Esses seis alicerces se tornam uma camisa de força hermenêutica na mentalidade do adventista, quando desconsideram o NT como revelação acumulativa. Vamos a esses alicerces. Mencionarei o número aí você consulta acima a descrição do mesmo (nessa postagem trato apenas do primeiro e segundo):

“1º Alicerce” - Resposta: A montagem do homem no texto de Gn 2.7 fala de sua constituição, como uma unidade; corpo + fôlego = alma. Mas será que o texto é uma explanação exaustiva da constituição humana em sua espiritualidade e plenitude? Claro que não! Para sabermos o que é, e a diferença da alma vivente “Homem e Mulher” da alma vivente “Animais”, devemos recorrer às demais revelações na Bíblia. 

Um texto não exclui possibilidades de acréscimos, em especial se ele for enxuto na sua exposição, e ainda mais, se termos outros trechos que devem ser considerados. No texto de Gn 2.7 não diz que os seres humanos são a imagem de Deus, nem que receberam uma missão cultural e nem que gerenciariam o mundo (Gn 1.27-30). A leitura de Gn 2.7 nos garante que o homem é uma alma vivente, mas não é uma negativa de que por ser alma ele não possa ter uma alma imortal! Isso nem mesmo é uma contradição! Para piorar, o argumento pueril adventista; o sentido em que o termo alma é usado em Gn 2.7 é difere de algumas outras passagens bíblicas, como veremos. Aquilo que ele é, no caso que defendemos, é diferente daquilo que ele têm. Assim, nem na construção do argumento, nem na suas implicações, “ser uma alma” é de fato uma negativa de “ter uma alma”.

“2º Alicerce” – Resposta: Esse argumento da desmontagem é pobre de teologia bíblica. Desconsidera tudo com base em uma afirmação – não em um negação. Usa uma camisa de força hermenêutica, erroneamente pressuposta do texto de Ec 12.7. Primeiro, que o termo “espírito” não significa apenas “fôlego”. O adventista toma isso por certo e em especial para esse texto. Uma consulta, porém, na Bíblia e em dicionários linguísticos, fica provado que não é assim. A Bíblia fala que Deus, anjos e demônios são espíritos. Eles são então apenas “fôlego”? Obvio que não. Portanto, a etimologia da palavra hebraica “ruash” não deve ser restrita a apenas um sentido. 

Daí, vamos ao texto de Ec 12.7 com as duas hipóteses, antes de ver quais das duas é a verdade – se resiste a testes: 

1. Na interpretação adventista, o espírito que volta a Deus foi o sopro que Deus insuflou em cada pessoa para ela viver. 
2. Na interpretação cristã é a parte imaterial que volta a Deus para ser por ele guardado até o ultimo dia. 

Qual das duas está em harmonia com a o ensino bíblico? 

O Contexto: a argumentação do autor de Eclesiastes no contexto (11.9-12.8) é demonstrar que essa vida é passageira, e que a juventude terminará, mas que tudo que fazemos Deus pedirá conta – 11.9 (compare com 12.13). O que sobrará de nós diante de Deus, após a morte? O espírito voltará a Deus! Se por espírito entendermos como entende o adventista, apenas como um ‘fôlego’, não haverá sentido algum o argumento desenvolvido pelo Pregador. Agora, lendo corretamente junto com a interpretação reformada, entendemos toda a escatologia individual (Lc 16.19-31; 23.43, etc) - em começar a prestar conta de nossos atos.


O autor adventista diz também que não apenas dos salvos, mas de todos - tal espírito volta a Deus. E quem é que disse que não? O voltar a Deus no contexto de Eclesiastes significa sair desse mundo material (debaixo do sol) e ir para o transcendental.  A Bíblia revela em outras partes que esse voltar a Deus é estar sob seu juízo ou cuidado, até a ressurreição e juízo final.

Continua...

sábado, 28 de janeiro de 2017

A expiação limitada e I João 2.2

Arminianos limitam a eficácia da expiação, tornando-a passiva à vontade daqueles que foram objetos de sua contemplação. Obviamente que para eles, isso não é uma limitação, antes, segundo eles, é assim que ela é gerenciada.

Calvinistas limitam a extensão da expiação, tornando-a ativa àqueles que foram objetos de sua contemplação. Obviamente, não há para esses uma desqualificação da mesma, visto que ela é assim gerenciada.

Os universalistas são os únicos que de fato não limitam a expiação, nem em sua eficácia e nem em sua extensão.

Temos diante dessas proposições, algumas alternativas:

1 - Cristo morreu por todos que estarão no inferno e por todos que estarão no céu.
2 - Cristo morreu por ninguém que estará no inferno e por todos que estarão no céu.
3 - Cristo morreu por todos (por cada pessoa) e assim ninguém passará a eternidade no inferno por isso que todos irão para o céu.

Podemos dizer, até de uma maneira reducionista, que os Universalistas são a mistura de arminianos e calvinistas. Creio que a posição calvinista tem mais apoio bíblico* e teológico que o arminianismo.  Quanto aos universalistas, é um equívoco flagrante.

Um dos textos bíblicos mais usados pelos arminianos, porém, para defender a extensão da expiação por eles defendida, é I João 2.2, que diz:

“E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.

O termo propiciação significa

“aquilo que aplaca a ira e traz a reconciliação com alguém que tem razões de estar irado com outra pessoa” (Bíblia Palavras-Chaves; Dicionário Grego do Novo Testamento, James Strong – verbete 2434).

Na verdade, o debate em torno de I Jo 2.2 não deveria ser apenas o significado do termo “mundo”, se é extensão numérica, qualificação genérica ou amplitude universal, mas também, o que se entende pelo termo “propiciação”, deveria nortear mais o debate hermenêutico. Precisamos, diante disso, compreender o significado do termo mundo usado por João em sua carta, visto que o mundo ali já é alvo da ira do desagrado de Deus (Rm 1.18), tendo em vista o sentido do termo “propiciar”. Em grego “propiciação” em I Jo 2.2 é um substantivo (O Novo Testamento Grego Análitico, p. 721). E também, o verbo “ser”, está no presente, em plena ação – isto é: “Ele [Jesus Cristo] ESTÁ SENDO a Propiciação”. Isso revela um serviço de mediador e redentor, atuante, em favor dos que vão sendo salvos – graças a Deus!!!

Em primeiro lugar, não creio (mais) que João, nesse texto, estaria usando o termo “mundo” em contraste com os judeus. Ou seja, judeus/cristãos de um lado, e do outro gentios/mundo. Na época que ele escreveu essa carta, por volta do ano 85-90 d.C, a comunidade cristã já estava bem avançada em vários locais, sua carta foi escrita de Éfeso, e achar que seu foco seria cristãos judeus, creio não ser uma explicação satisfatória. Por certo havia judeus entre o público alvo, mas as ameaças tratadas na carta eram mais pagãs do que judaicas (I Jo 4.3). No Evangelho, João sim usou o termo mundo em contraste com judeus, em muitos casos. Podemos ver exemplos disso em João 1.29, 3.16 e 4.42, onde o contexto claramente trata um contraste com a exclusividade nacional judaica. O contexto histórico do co conteúdo do Evangelho, é diferente dos das cartas, ainda que foram escritos na mesma época. Em I João 2.2, definitivamente, não entendo ser o caso.

Antes de examinar o fluxo do contexto imediato, vejamos como João usa o termo mundo em sua carta, além do uso que ele fez no cap. 2.2 (como aparece na ACF):

1. Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. 1 João 2:15
2. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. 1 João 2:16
3. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre. 1 João 2:17
4. Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai, que fôssemos chamados filhos de Deus. Por isso o mundo não nos conhece; porque não o conhece a ele. 1 João 3:1
5. Meus irmãos, não vos maravilheis, se o mundo vos odeia. 1 João 3:13
6. Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas entranhas, como estará nele o amor de Deus? 1 João 3:17
7. Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. 1 João 4:1
8. E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já agora está no mundo. 1 João 4:3
9. Filhinhos, sois de Deus, e já os tendes vencido; porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo. 1 João 4:4
10. Do mundo são, por isso falam do mundo, e o mundo os ouve. 1 João 4:5
11. Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos. 1 João 4:9
12. E vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo. 1 João 4:14
13. Nisto é perfeito o amor para conosco, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, qual ele é, somos nós também neste mundo. 1 João 4:17
14. Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé. 1 João 5:4
15. Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? 1 João 5:5
16. Sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno. 1 João 5:19

Existe uma variedade de sentidos no vocábulo bíblico “cosmos” ou “mundo”. Como percebemos não apenas em dicionários bíblicos, bem como nesse uso que o Apóstolo João fez nessa sua pequena carta. Desde um sentido geográfico, simbólico, moral e demográfico. Vamos tentar fazer essa classificação apontando os textos:

1. Mundo - incredulidade, filosofias, imoralidade, materialismo, paganismo e maldade: 2.15,15,17; 4.5 [A,B]5.4,5

2. Mundo – material, físico, geográfico, nossa existência, demográfico: 3.17; 4.1 [?], 3 [?]; 4.9,17

3. Mundo – pessoas ímpias: 3.1,13;4.4,5 [C]; 5.19

4. Mundo – pessoas que serão perdoadas: 4.14

Peço a compreensão dos leitores, se a classificação não foi mais exaustiva, mas creio que em linhas gerais podemos assim classificar o uso que João fez de “mundo” em sua carta. Pois bem, em qual dessas classificações poderíamos colocar 2.2? Certamente, na classificação de número 4. Pessoas que serão perdoadas, ou que serão salvas, objetos do amor salvador de Deus. Uma comparação pode entre os dois textos pode clarear um pouco a semelhança:

I João 2.2
I João 4.14
Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo. E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo. 1 João 2:1,2
Nisto conhecemos que estamos nele, e ele em nós, pois que nos deu do seu Espírito. E vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo. Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele, e ele em Deus.
1 João 4:13-15

O fluxo do contexto da citação de João 2.2 é ainda mais esclarecedor. Vejamos:

“Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós. Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo. E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.” 1 João 1:8-2.2

Ø  O que temos claramente nesse fluxo contextual? O autor inspirado está dizendo aos seus leitores que devem confessar a Deus seus pecados, pois eles têm um Advogado em pleno exercício e legítimo diante do Pai, e que eles serão perdoados, visto que esse Advogado está pronto a interceder por todos aqueles que assim o buscarem, mesmo não estando visivelmente no momento entre os crentes que estão lendo essa carta, mas todos em todos lugares, isto é, no mundo inteiro, poderão assim serem beneficiados por Esse Advogado, caso o confessem e creiam Nele.

Assim, João 2.2 não está dizendo mais do que diz – Jesus perdoa os crentes e perdoará os ímpios que se achegarem a Ele. 
Onde a Expiação Limitada da TULIP, é aqui contestada?

*A conclusão calvinista é lógica e necessária dentro de sua construção teológica. E vários elementos bíblicos são apresentados.
1.         Quando o Senhor disse que morreu pelas suas ovelhas (Jo 10.15). Sendo dessa forma a garantia de que, os que o Pai lhes deu não se perderiam (Jo 6.37-40).
2.         A eficácia da tipologia da expiação realizada no Dia da Expiação, conforme descrita em Levítico 16. Sendo satisfeito todos os requisitos, uma vez aplicada e realizada, tal expiação era eficaz e objetiva.
3.         A questão atemporal, ou dos planos eternos, pois desde toda eternidade Deus elegeu “Nele”, isto é, em Cristo, os que se renderiam ao Seu Senhorio (Ef 1.4-7). Apocalipse fala-nos do “livro do Cordeiro”, obviamente lembrando a morte sacrificial, que foi escrito antes da fundação do mundo - Ap 13.8; 17.8.
4.         A linguagem bíblica de que em vários casos a Palavra de Deus diz que Jesus morreu por muitos. Isaias chega a associar da seguinte maneira: “justificará a muitos, porque a iniquidade deles levará sobre si.”(Is 53.11). Percebemos que a justificação decorre da morte do Senhor. O próprio Jesus parece repetir a ênfase quando na Ceia diz que seu sangue seria derramado em favor de muitos, para remissão dos pecados” (Mt 26.28).
5.         A identificação sobrepujante dos autores cristãos em se apropriarem da morte de Cristo como sendo algo deles. Um autor confessa Cristo “se entregou por mim” (Gl 2.20). Quando a Escritura diz que ‘Cristo morreu por nós’, é dito por Cristãos, e está incluso o objetivo traçado: “O qual a si mesmo se entregou por nós, a fim de purificar um povo exclusivamente seu, zeloso e de boas obras.” (Tt 2.14). O “fim”, ou objetivo, não foi proporcionar uma chance – mas garantir um povo.



sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Carta do SC da IPB aos que falam em Línguas nas suas fileiras

RECOMENDAÇÕES AOS CONCÍLIOS E IGREJAS

[...] a Igreja Presbiteriana do Brasil, partindo de uma hermenêutica baseada não na experiência individual, mas nos princípios da sua tradição reformada, e sobretudo no entendimento que as Escrituras dão de si mesmas e na busca da iluminação do Espírito, faz as seguintes recomendações aos seus concílios, pastores, oficiais e membros da Igreja:

1. A doutrina do batismo com o Espírito Santo, como uma "segunda bênção" distinta da conversão, não deve ser ensinada e nem propagada pelos pastores ou membros nas comunidades, por ser biblicamente equivocada.

2. Os concílios e igrejas locais devem tratar com amor e paciência os pastores e membros das igrejas presbiterianas que professam ter sido batizados com o Espírito Santo, numa experiência distinta da conversão, e devem pastoreá-los e instruí-los na Escritura e na doutrina reformada, para que sejam corrigidos quanto a este modo de crer, e para que demonstrem o fruto do Espírito, que é o sinal inequívoco de toda atuação verdadeira do Espírito.

3. Todo ensino sobre as línguas e profecias que entende a prática moderna como uma experiência revelatória, isto é, uma experiência na qual nova revelação é recebida, é contrário ao caráter final da revelação bíblica e à autoridade das Escrituras como única regra de fé e prática.

4. Todo ensino sobre as línguas e profecias que entende estes fenômenos como um sinal do batismo com o Espírito é contrário à Escritura, bem como todo ensino que vê as línguas e profecias como sinal de espiritualidade.

5. Toda prática do fenômeno das línguas e de profecias que cause divisão e dissensão dentro do Corpo de Cristo, e que não resulte em instrução e ensino em língua conhecida, é contrária ao propósito dos dons do Espírito, que é a edificação da Igreja.

6. Toda prática do fenômeno das línguas e de profecias que não siga as orientações de 1 Co 14.27-28, é contrária ao ensino bíblico e deve ser rejeitada, constituindo-se em desobediência à vontade revelada de Deus. Ou seja, que falem somente dois, ou no máximo três, cada um por sua vez, e que haja intérprete (depreendesse que Paulo se refere a outra pessoa que não o que falou em línguas).

7. A base para as nossas formulações doutrinárias é a Escritura, e não as experiências individuais — por mais emocionantes e preciosas que elas sejam. Portanto, a Igreja recomenda o estudo sério de todos os fenômenos e experiências, à luz da Palavra da Deus.

8. A Igreja recomenda que os Concílios estudem esta Pastoral e que cultivem o

diálogo com a Comissão Permanente de Doutrina.