sábado, 12 de dezembro de 2015

IPB: Evangelização Confessional x Pragmatismo das Comunidades – Parte 1

É com profunda dor e decepção escrever essa breve introdução dessa série de postagens, especialmente com alguns que caíram pelos caminhos da dura pressão de resultados. Que acabaram cedendo ao que é a pior ameaça contra a herança litúrgica e reformada histórica, que a Igreja Presbiteriana do Brasil tem sofrido na última década. Creio que isso é pior que a pressão pentecostal sofrida na década de 90. Sem dúvida alguma, a IPB deixa de ser IPB onde uma Comunidade Presbiteriana é plantada. Esse é um câncer, um sistema corrosivo, destruidor para as igrejas presbiterianas.

Para acalmar alguns, a determinação de não usar o nome Comunidade foi desferido pelo Supremo Concílio da IPB. Devo, porém, dizer três coisas: 1. Foi apenas isso, o que de fato não mudou nada na prática. As comunidades continuam com suas mesmas características litúrgicas e eclesiológicas, quando não, humanistas. 2. Algumas demonstram que não estão nem um pouco submissas a essa decisão, continuam com o nome “comunidade”. 3. Muitos pastores de renome no Brasil não querem ‘mexer’ nisso, pois já estão envolvidos com os congressos promovidos pelas Comunidades.

Daqui a mais dez anos, talvez, não existirá mais IPBs em muitos lugares - sociedades internas, cultos solenes, hinos, símbolos de fé, farão parte da história de uma igreja morta, morta por um parasita que se tornou um monstro. A única coisa que se respeita da CI da IPB são as garantias de salários para os pastores. Se até lá o Senhor não voltar, estaremos cheirando o vômito do Senhor Jesus.

Apesar de dizer assim, Ele pode causar uma mudança (Mt 16.16-18).

I. QUAL É O GRANDE PROBLEMA?

As comunidades perderam na prática a compreensão da doutrina bíblica da depravação total (Rm 3.9-18). E passaram a buscar um estilo de igreja que agrade as pessoas. Isso causa um prejuízo incalculável na proclamação do evangelho. A advertência de Paul Washer é sábia:

 “[..] àqueles que estão constantemente buscando formas inovadoras de comunicar o evangelho para um nova plateia [seeker-sencitive], faria bem começar e terminar uma pesquisas nas Escrituras. Os que enviam milhares de questionários perguntando aos não convertidos o que mais desejam em um culto devem perceber que dez mil opiniões de homens carnais não carregam a autoridade de um “i” ou “til” da palavra de Deus. Devemos entender que há um grande abismo de diferenças irreconciliáveis entre o que Deus ordenou nas Escrituras e o que a atual cultura carnal deseja.” (O Poder do Evangelho e Sua Mensagem, p. 20).

Van Til, apesar de focar a questão da lógica, comenta algo bem interessante:

“O Deus do cristianismo é para ele [para o homem caído] logicamente irrelevante para a experiência humana.” (Apologética Cristã, p.138).

Em um resumo bem simples, mas real e verdadeiro, as Comunidades não estão erradas em querer plantar igrejas, mas o tipo de igreja que querem plantar, não é uma que agrada a Deus em primeiro lugar, mas que agrada a cultura e os gostos dos filhos da ira (Ef 2.1,2).

Em certo sentido, enquanto as igreja neopentecostais procuram agradar o misticismo brasileiro, usando elementos abolidos do Antigo Testamento, eles pelo menos estão buscando na Bíblia, com péssima exegese, a formatação de seus métodos, enquanto as Comunidades Presbiterianas estão indo direto à cultura popular caída (Veja AQUI). Ambos os seguimentos são iguais.

II. QUAL É O SEGUNDO GRANDE PROBLEMA?

Não posso deixar de dizer algo de máxima importância. Muitos dos presbiterianos conservadores estão apáticos e não estão envolvidos na evangelização árdua em suas igrejas. Não evangelizar é o mesmo de evangelizar errado. Ser inativo é ser tão reprovável quanto ser pragmático.  Criticar eles por fazerem errados, e não FAZER o certo é também cair em erro. Recentemente, um conhecido reformado em uma palestra sobre evangelização disse:

‘Vou falar de evangelização urbana, mas eu mesmo não evangelizo.’

O nosso doutor, foi ‘sinceramente hipócrita’. Ele não deveria dar a tal palestra nessa igreja. Aqui é onde estamos perdendo espaço para as Comunidades, que apesar de estarem erradas, não estão erradas na disposição.

Bom lembrarmos que não existe uma forma de evangelização, ela deve ser feita sempre e de diversas maneiras. Na pregação no culto solene, na visitação, no discipulado, nas reuniões, nas ruas, isso deve estar impregnado na vida do ministro, dos obreiros, dos líderes locais e de todos os crentes. Joel Beeke mostra que os puritanos eram evangelizadores por excelência, ao estilo da época (Espiritualidade Reformada, cap. 7º). A visitação de Richard Baxter demonstra um pastor evangelista (Manual Pastoral do Discipulado, Editora Cultura Cristã).  O conteúdo, sabemos, nunca foi formatado aos ditames do mundo caído.

A Bíblia adverte que temos essa obrigação e promessa (Mt 28.18-20; I Pe 2.9,10). E temos dois documentos na IPB que deixam em relevo que nossa missão envolve a evangelização, juntamente com outras ações nobres da Igreja:

“Catecismo Maior de Westminster - 159. Como a Palavra de Deus deve ser pregada por aqueles que para isto são chamados? Aqueles que são chamados a trabalhar no ministério da Palavra devem pregar a sã doutrina, diligentemente, em tempo e fora de tempo, claramente, não em palavras persuasivas de humana sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder; fielmente, tornando conhecido todo o conselho de Deus; sabiamente, adaptando-se às necessidades e às capacidades dos ouvintes; zelosamente, com amor fervoroso para com Deus e para com as almas de seu povo; sinceramente, tendo por alvo a glória de Deus e procurando converter, edificar e salvar as almas. Jr 23:28; Lc 12:42; Jo 7:18; At 18:25;20:27;26:16-18; I Tm 4:16; II Tm 2:10,15;4:2,5; I Co 2:4,17;3:2;4:1,2;9:19-22;14:9;II Co 4:2;5:13,14;12:15,19; Cl 1:28; Ef 4:12; I Ts 2:4-7;3:12; Fp 1:15-17; Tt 2:1,7,8; Hb 5:12-14.”

“Constituição da IPB - “Art. 2º. A Igreja Presbiteriana do Brasil tem por fim prestar culto a Deus, em espírito e verdade, pregar o Evangelho, batizar os conversos, seus filhos e menores sob sua guarda e "ensinar os fiéis a guardar a doutrina e prática das Escrituras do Antigo e Novo Testamentos, na sua pureza e integridade, bem como promover a aplicação dos princípios de fraternidade cristã e o crescimento de seus membros na graça e no conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo".

“Art. 14. São deveres dos membros da igreja, conforme o ensino e o Espírito de nosso Senhor Jesus Cristo: a) viver de acordo com a doutrina e prática da Escritura Sagrada; b) honrar e propagar o Evangelho pela vida e pela palavra; c) sustentar a igreja e as suas instituições, moral e financeiramente; d) obedecer às autoridades da igreja, enquanto estas permanecerem fiéis às Sagradas Escrituras; e) participar dos trabalhos e reuniões da sua igreja, inclusive assembleias.”

Se é assim que se estabelece a Igreja Presbiteriana do Brasil, me parece que muitos estão se escondendo na crítica ao pragmatismo, o que de fato deve ser feito, mas estão parados. Outros nem na crítica a esse movimento cancerígeno, estão na Torre de Marfim, intocáveis, desde que sua fama e títulos sejam honrados.

O QUE FAZER NA PRÁTICA?


Na próxima postagem a respeito do tema, irei trazer mais informações a respeito da evangelização confessional, querendo Deus.

5 comentários:

  1. Realmente, irmão Luciano, o pragmatismo adotado pelas chamadas Comunidades é uma ameaça aos princípios bíblicos. Toda forma de pragmatismo enfraquece a pureza de uma igreja. Dito isso, Luciano, tenho uma dúvida. Li um artigo, no site Monergismo, escrito pelo rev. Moisés Bezerril, onde ele diz que igrejas presbiterianas que adotam o modelo de pequenos grupos estão pecando contra a identidade reformada e o pastorado bíblico. Ele associa qualquer modelo de pequenos grupos ao pragmatismo. Gostaria de saber sua opinião sobre os pequenos grupos, se você concorda com o rev. Moisés ou se a visão dele nessa questão é exagerada. Aguardo resposta. Paz e graça.

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  2. Os grupos caseiros, sempre foi uma alternativa na história da igreja, até mesmo as reformadas. Se não me engano...

    O problema é que estão adotando essa alternativa como modelo de igreja e não método de trabalho.

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  3. Obrigado pelo esclarecimento, irmão Luciano. Paz e graça a você e toda a sua família.

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  4. O meu comentário não tem relação com o texto, mas não encontrei no blog um endereço para mandar e-mails ou enviar perguntas, por isso vou deixar meu questionamento aqui. Sou capixaba, e atualmente no Espírito Santo temos convivido com o crescimento da Igreja Maranata. Não vejo seu fortalecimento em outras regiões, como tem sido aqui. Mas existem muitas dúvidas, por exemplo se esta igreja entra no padrão de uma seita religiosa. Por isso eu peço que o Luciano Sena, escritor deste blog, forneça um esclarecimento sobre este assunto. Obrigada.

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  5. Não somente o pragmatismo, mas há muito a IPB também deixou de ser Igreja para família. Um amigo que quase se desviou devido a uma conversa com um pastor da IPB Diadema, costuma dizer a seita mórmon é a 'Igreja' da família. Ele se tornou desigrejado e não duvido retornar ao catolicismo. Infelizmente, a Igreja tem se tornado a grande corruptora e aniquiladora da sociedade. As portas do inferno sempre prevalecem nas igrejas presbiterianas.

    Gustavo

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