quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Por que o Adventista Ivan Saraiva não é Calvinista?


COMENTÁRIOS SOBRE O SERMÃO “POR QUE NÃO SOU CALVINISTA?” DE IVAN SARAIVA
por Bruno dos Santos Queiroz.

         O objetivo deste artigo é fazer algumas breves pontuações sobre o sermão “Por que não sou calvinista?” pregado pelo pastor adventista Ivan Saraiva no programa “Está Escrito Adoração” (AQUI). É comum ouvir da seita Adventista (veja provas que essa igreja é uma seita AQUI) da qual o autor faz parte, que os apologistas cristãos não leem as fontes primárias do Adventismo e que por isso se limitam a atacar espantalhos. Mas os adventistas parecem nos acusar do erro que na verdade são eles mesmos que cometem. Sobre o vídeo se pode observar que Ivan Saraiva:

1.           Confunde calvinismo com fatalismo.

         A doutrina calvinista ensina que Deus determinou todas as coisas. Isso significa que Deus estabeleceu não somente o fim, mas também os meios pelo qual esse fim seria alcançando. Desse modo, por seu decreto, Deus estabeleceu uma rede concatenada de conexões causais de modo que para determinados fins são necessários determinados meios. É nesse sentido que a Bíblia fala de condicionais, como quando diz “se alguém invocar o nome do Senhor, esse será salvo”, ou “sem santificação ninguém verá o Senhor”.
“IV. A onipotência, a sabedoria inescrutável e a infinita bondade de Deus, de tal maneira se manifestam na sua providência, que esta se estende até a primeira queda e a todos os outros pecados dos anjos e dos homens, e isto não por uma mera permissão, mas por uma permissão tal que, para os seus próprios e santos desígnios, sábia e poderosamente os limita, e regula e governa em uma múltipla dispensação [...]” (CFW, cap 5).
A Confissão de Fé ainda explica, como um alerta, a concepção de previsão: “II. Ainda que Deus sabe tudo quanto pode ou há de acontecer em todas as circunstâncias imagináveis, ele não decreta coisa alguma por havê-la previsto como futura, ou como coisa que havia de acontecer em tais e tais condições. At. 15:18; Prov.16:33; I Sam. 23:11-12; Mat. 11:21-23; Rom. 9:11-18.”
         Visto que Deus determinou também os meios, não haverá salvação para aqueles que não se conformarem aos padrões morais de Deus. Além disso, Deus determinou fazer uso das nossas orações para executar alguns dos seus propósitos. Assim, os calvinistas oram sabendo que Deus determinou cumprir algumas coisas em respostas as suas orações, e se esforçam para viver em santidade.
Diferente da doutrina calvinista, o fatalismo ensina que o Destino estabeleceu os fins independentes dos meios. Assim, não importa o que aconteça, o que está destinado a acontecer, acontecerá. Quando o pastor argumenta que: “Não importa nada se o indivíduo foi predestinado ele pode fazer o que quiser da vida dele que ele será salvo.” Ou quando questiona sobre “Por que orar se tudo está determinado?”, fica claro que a doutrina que Ivan Saraiva está refutando não é o calvinismo, mas sim o fatalismo.

2.           Confunde livre-arbítrio com liberdade.
         O pastor adventista, ao observar que Lutero e os calvinistas negam o livre-arbítrio do homem caído, conclui que isso significa a negação da liberdade humana.  E daí passa a entender que os calvinistas negam a responsabilidade humana e que ensinam que Deus coage e força as pessoas a fazerem Sua vontade. Mas não é verdade que calvinistas, ao negarem o livre-arbítrio do homem caído, negam com isso a liberdade de escolha do ser humano. 
         Ivan Saraiva define livre-arbítrio como um indivíduo que tem o árbitro de definir por si mesmo o que é certo ou errado e para definir o que fará da sua vida. Tal livre-arbítrio, para o referido pastor, é exercido independente do decreto de Deus. Ele observa que nem todos os detalhes podem estar predestinados e que precisa haver um espaço para que o homem exerça sua liberdade. Tal noção não é nem mesmo ortodoxa, e aproxima-se muito mais do teísmo aberto. O pastor chega a afirmar que Deus nos escolheu para ajudá-lo a governar!
         É evidente que os calvinistas rejeitam tal visão neoteísta herética de livre-arbítrio. Mas isso não significa que o calvinismo negue o livre-arbítrio e a liberdade de escolha segundo uma definição que não contrarie a soberania divina. De uma maneira didática e dentro de uma perspectiva agostiniana,poderíamos definir livre-arbítrio como o poder de escolher tanto o bem, quanto o mal. Nesse sentido, Adão tinha livre-arbítrio, pois ele tinha poder tanto de obedecer a Deus quanto de desobedecê-Lo. No entanto, seu querer foi o mal. Quando a Queda aconteceu, a humanidade perdeu o poder de fazer o bem espiritual (assim o homem não tem mais livre-arbítrio), mas permaneceu livremente e voluntariamente querendo o mal. Isso significa que quando alguém peca, ele está simplesmente fazendo o que quer, ainda que não possa, por si mesmo, fazer o contrário.
         Os calvinistas não negam, portanto, que os homens sejam moralmente responsáveis. Afirmam tanto que Deus decreta o pecado, mas de uma forma tal que Ele não é o Autor do pecado, quanto que o homem escolhe livremente pecar, e por isso é moralmente responsável pelos seus atos. Afirmam também que Deus não coage, nem viola a vontade humana. Os calvinistas simplesmente ensinam que para que o homem se volte para Deus, Ele precisa ter seu coração mudado, pois no estado natural ninguém jamais escolheria a Deus. Mas o homem regenerado não é coagido a se voltar para Cristo, ele faz isso livre e voluntariamente segundo sua nova natureza.
Considerando que os Símbolos de Westminster, representa o pensamento teológico da fé Reformada, pode dizer categoricamente que qualquer que diz ser presbiteriano e faz uma afirmação, no sentido de Deus ser autor do pecado, automaticamente, virtualmente, ele não pode ser presbiteriano – confessional. Perceba o que é confessado pela crença presbiteriana:

“I. Desde toda a eternidade, Deus, pelo muito sábio e santo conselho da sua própria vontade, ordenou livre e inalteravelmente tudo quanto acontece, porém de modo que nem Deus é o autor do pecado, nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou contingência das causas secundárias, antes estabelecidas. Isa. 45:6-7; Rom. 11:33; Heb. 6:17; Sal.5:4; Tiago 1:13-17; I João 1:5; Mat. 17:2; João 19:11; At.2:23; At. 4:27-28 e 27:23, 24, 34.”

“IV. A onipotência, a sabedoria inescrutável e a infinita bondade de Deus, de tal maneira se manifestam na sua providência, que esta se estende até a primeira queda e a todos os outros pecados dos anjos e dos homens, e isto não por uma mera permissão, mas por uma permissão tal que, para os seus próprios e santos desígnios, sábia e poderosamente os limita, e regula e governa em uma múltipla dispensação mas essa permissão é tal, que a pecaminosidade dessas transgressões procede tão somente da criatura e não de Deus, que, sendo santíssimo e justíssimo, não pode ser o autor do pecado nem pode aprová-lo. Isa. 45:7; Rom. 11:32-34; At. 4:27-28; Sal. 76:10; II Reis 19:28; At.14:16; Gen. 50:20; Isa. 10:12; I João 2:16; Sal. 50:21; Tiago 1:17.”

Sobre isso Louis Berkhof diz:

“outras coisas que Deus inclui no Seu decreto e pelo qual tonou certas, mas que não decidiu efetuar pessoalmente, como os atos pecaminosos das Suas criaturas racionais. O decreto, no que se refere a estes atos, é geralmente denominado decreto permissivo. Este nome não implica que o futuro destes atos não é certo para Deus, mas simplesmente que Ele permite que aconteçam pela livre ação das Suas criaturas racionais. Deus não assume a responsabilidade por estes atos, sejam quais forem.” (Teologia Sistemática, p. 97).

O mesmo autor explica que nesse caso Deus determina ‘não impedir a autodeterminação pecaminosa finita e regula o resultado dessa autodeterminação pecaminosa’ (p. 99).

A. A. Hodge afirma: “Deve lembrar-se, contudo, que o propósito de Deus com respeito aos atos pecaminosos dos homens e anjos répobros, em nenhum aspecto causa o mal nem o aprova, mas apenas permite que o agente mau o realize, e então o administra para seus próprios sapientíssimos e santíssimos fins.” (A Confissão de Fé comentada, p. 98).

O pecado nasceu do livre-arbítrio do diabo, de Adão e Eva. Embora Deus o tenha definido, foram os tais agentes livres, sem influencias naturais internas, em seu exercício racional, decidiram desobedecer a Deus, e Este, impultou neles a maldição e corrupção, prometida em Sua sentença.

Sobre isso, a CFW diz:

 “I. Nossos primeiros pais, seduzidos pela astúcia e tentação de Satanás, pecaram, comendo do fruto proibido. Segundo o seu sábio e santo conselho, foi Deus servido permitir este pecado deles, havendo determinado ordená-lo para a sua própria glória. Gen. 3:13; II Cor. 11:3; Rom. 11:32 e 5:20-21.” (Cap. 6).

“CAPÍTULO IX - DO LIVRE ARBITRIO:  I. Deus dotou a vontade do homem de tal liberdade, que ele nem é forçado para o bem ou para o mal, nem a isso é determinado por qualquer necessidade absoluta da sua natureza. Tiago 1:14; Deut. 30:19; João 5:40; Mat. 17:12; At.7:51; Tiago 4:7. II. O homem, em seu estado de inocência, tinha a liberdade e o poder de querer e fazer aquilo que é bom e agradável a Deus, mas mudavelmente, de sorte que pudesse decair dessa liberdade e poder. Ec. 7:29; Col. 3: 10; Gen. 1:26 e 2:16-17 e 3:6. III. O homem, caindo em um estado de pecado, perdeu totalmente todo o poder de vontade quanto a qualquer bem espiritual que acompanhe a salvação, de sorte que um homem natural, inteiramente adverso a esse bem e morto no pecado, é incapaz de, pelo seu pr6prio poder, converter-se ou mesmo preparar-se para isso. Rom. 5:6 e 8:7-8; João 15:5; Rom. 3:9-10, 12, 23; Ef.2:1, 5; Col. 2:13; João 6:44, 65; I Cor. 2:14; Tito 3:3-5.”

Como ficou o mundo desde então?

“28. Quais são as punições do pecado neste mundo? As punições do pecado neste mundo são: ou interiores, como cegueira do entendimento, sentimentos depravados, fortes ilusões, dureza de coração, remorso na consciência e afetos baixos; ou exteriores como a maldição de Deus sobre as criaturas por nossa causa e todos os outros males que caem sobre nós em nossos corpos, nossos bens, relações e empregos - juntamente com a morte. Ef. 4:18; Rom, 1:28; 11 Tess. 2:11; Rom. 2:5; Isa. 33:14; Rom. 1:26; Gen. 3:17; Deut. 28:15; Rom. 6:21, 23.” (Catecismo Maior de Westminster).

Não é possível saber o por quê, o ilustre Ivan Saraiva, omitiu o pensamento calvinista confessional em sua palestra.

3.           Ensina a salvação por uma decisão humana
         
O vídeo termina com o chamado a uma “decisão” que definirá o destino eterno da pessoa. No final, o ponto decisivo não é a obra de Deus, pois esse predestinou a todos, nem a obra de Cristo, pois esse morreu por todos, mas a obra humana de determinar seu destino e de confirmar esse destino dia a dia permanecendo nele. Ivan Saraiva faz o destino final das pessoas depender totalmente de uma “decisão” humana. Se uma pessoa pode decidir não resistir à graça e se é essa obra de não resistir à graça que ultimamente definirá seu destino final, a salvação não é pela graça Soberana dada e assegurada, mas por uma decisão.
         
A Escritura, por outro lado, fala de “eleitos”. Se Deus escolhesse a todos, na verdade ele não teria feito escolha alguma, pois “escolher” implica selecionar alguns dentre o todo (Ef 1; Rm 9). A Bíblia fala não só de vasos de misericórdia predestinados para a salvação, como também de vasos de ira preparados para a perdição. Há na Bíblia, eleitos e réprobos, ovelhas e cabritos, piedosos e ímpios. Nem todos são eleitos de Deus.
         Além disso, a Palavra de Deus diz que a morte de Cristo perdoa efetivamente os pecados, o que significa que ela traz eficaz redenção (Is 53). Se isso é assim, nosso Senhor garante a salvação de todos aqueles por quem Ele morreu, e, portanto, temos que concluir que Jesus não morreu pelos que vão se perder (Jo 10).
         No fim, não se pode pensar em um coração regenerado que possa resistir à graça. Seria como esperar que um sedento em meio ao deserto recusasse a oferta de um copo de água. Desse modo, se admitimos o ensino da Escritura sobre a salvação, temos de assumir que a graça salvífica é, em última instância, irresistível.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
         Como pudemos ver, Ivan Saraiva não sabe muita coisa sobre o que Calvinismo realmente ensina.  Ele confunde a doutrina agostiniana com fatalismo, propõe um conceito herético de livre-arbítrio e faz toda a salvação depender de uma obra humana. A doutrina reformada, por outro lado, afirma a soberania de Deus na salvação, sem precisar negar com isso a liberdade humana conforme definida biblicamente.

21 comentários:

  1. Significa que o homem tem liberdade para seguir aquilo que Deus predeterminou?

    Qual a diferença disto para um governo político que dá liberdade para a população, mas tem controle total sobre todas as empresas e os demais meios, tornando inevitável à cada um fazer exatamente aquilo que o ditador quer?

    Segundo a crença adventista, era exatamente isto que Satanás estava acusando Deus de fazer!

    Deus governa sobre suas criaturas realmente desta maneira, irmão Luciano?

    Um abraço.

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  2. Resposta para a PRIMEIRA PERGUNTA: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem.João 19:11 A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos; Atos 2:23 Mas Deus assim cumpriu o que já dantes pela boca de todos os seus profetas havia anunciado; que o Cristo havia de padecer. Atos 3:18 Porque verdadeiramente contra o teu santo Filho Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel; Para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer. Atos 4:27-28 O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, ao qual vós matastes, suspendendo-o no madeiro. Atos 5:30

    SEGUNDA PERGUNTA:"Porque Senhor é o nosso Juiz; o Senhor é o nosso legislador; o Senhor é o nosso rei, ele nos salvará.Isaías 33:22 Pois Deus é o Rei de toda a terra, cantai louvores com inteligência. Deus reina sobre os gentios; Deus se assenta sobre o trono da sua santidade. Salmos 47:7,8 Porque nação contra nação e cidade contra cidade se despedaçavam; porque Deus os perturbara com toda a angústia. 2 Crônicas 15:6 Tocar-se-á a trombeta na cidade, e o povo não estremecerá? Sucederá algum mal na cidade, sem que o Senhor o tenha feito?Amós 3:6 Vinde, contemplai as obras do Senhor; que desolações tem feito na terra! Ele faz cessar as guerras até ao fim da terra; quebra o arco e corta a lança; queima os carros no fogo. Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre os gentios; serei exaltado sobre a terra. Salmos 46:8-10 Esta sentença é por decreto dos vigias, e esta ordem por mandado dos santos, a fim de que conheçam os viventes que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer, e até ao mais humilde dos homens constitui sobre ele. Daniel 4:17 Esta é a interpretação daquilo: MENE: Contou Deus o teu reino, e o acabou.Daniel 5:26 Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus.Romanos 13:1

    TERCEIRA PERGUNTA: "Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira. João 8:44

    QUARTA PERGUNTA: "Mas ao fim daqueles dias eu, Nabucodonosor, levantei os meus olhos ao céu, e tornou-me a vir o entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é um domínio sempiterno, e cujo reino é de geração em geração.E todos os moradores da terra são reputados em nada, e segundo a sua vontade ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem possa estorvar a sua mão, e lhe diga: Que fazes? Daniel 4:34,35

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  3. É normal ouvir isso de um adventista, alguém que não pode suportar o ensino biblico de um Deus de amor castigando o ímpio eternamente vai crer que Deus controla todas as coisas? Claro que não.
    Realmente o homem não suporta qualquer ensino que o coloque em seu lugar, o de criatura miserável que é, carente da graça de Deus.
    Se.Adventista, o seu deus pequeno, que cabe na sua razão e você pode guardar em uma caixinha, Não é o Deus que se revela por meio de sua palavra!

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  4. Obrigado irmão Luciano Sena, pela revisão, correções e melhoramentos no artigo e pela divulgação.Em "por Bruno dos Santos Queiroz" poderia ter acrescido "por Bruno dos Santos Queiroz & Luciano Sena", considerando suas contribuições no artigo.

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    1. Que nada irmão, só acrescentei informações que vc mencionou. E uma terminologia menos polêmica para a realidade adventista ...
      Crédito seu.

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  5. Como os calvinista veem a onisciência de Deus? Por exemplo, Deus pode ver o futuro?

    Pergunto isto porque a lógica supõe que, se Deus predestina tudo, não há como Deus prever o futuro porque no futuro sempre acontecerá somente aquilo que Ele predeterminou. Assim, Deus não preveria o futuro, ao invés disto Ele predestinaria todas as coisas e assim saberia o futuro.

    Como os irmãos resolvem isto?

    Um abraço.

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    1. CFW: Cap III, 2: Ainda que Deus sabe tudo quanto pode ou há de acontecer em todas as circunstâncias imagináveis, ele não decreta coisa alguma por havê-la previsto como futura, ou como coisa que havia de acontecer em tais e tais condições. At. 15:18; Prov.16:33; I Sam. 23:11-12; Mat. 11:21-23; Rom. 9:11-18.

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    2. Sim, irmão Luciano, a onisciência de Deus não é predeterminista. Minha dúvida é que se Deus predestina tudo, circunstancialmente não há como Deus prever o futuro. O futuro é algo que ele prescreve e não algo que ele lê, entende? Então Deus não prevê o futuro e Ele só sabe o futuro porque foi Ele quem prescreveu!

      Logo, Deus não teria onisciência, mas tão somente a capacidade de predeterminar todas as coisas, incluindo o futuro.

      Em suma, se Deus trabalha com a predestinação, ele não precisa da onisciência, Ele já sabe de tudo que vai acontecer porque foi Ele quem predestinou todas as coisas.

      Um abraço.

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    3. Nesta linha de pensamento Deus não sabe o futuro, ao contrário, Ele prescreve o futuro e tudo que irá ocorrer.

      Isto contradiz o conceito de que a onisciência de Deus não seja causa ativa, porque, ao final das contas, Deus sabe o futuro porque é algo que Ele predeterminou, o próprio futuro é algo que Ele predeterminou. Então Deus sim "CAUSOU O FUTURO", ainda que não pela onisciência, mas por sua predestinação.

      Assim a predestinação torna inútil a onisciência de Deus entendida aos moldes arminianos. Deus sabe de todas as coisa porque Ele predestinou, assim, foi Deus quem causou as coisas que acontecem no futuro!

      Então, o saber do futuro da parte de Deus não é fruto de uma onisciência mas sim de sua predestinação. Deus sabe de tudo porque foi Ele mesmo quem predestinou todas as coisas e as coisas acontecem justamente porque Ele predestinou.

      Agora, em uma predestinação parcial, haveria espaço para a onisciência de Deus. Onde Deus não predestinou os detalhes, mas sabe que vão acontecer por meio de Sua onisciência e assim controla os eventos para que todas as coisas saiam conforme os seus planos.

      E temos uma outra predestinação, esta eu considero Bíblica, em que Deus determina as coisas essenciais ao plano de salvação, que hão de ocorrer na história humana. Como o envio do Messias, Sua crucifixão e demais coisas que Deus faz que se cumpra segundo a Sua vontade, mas garante a liberdade de escolha de suas criaturas.

      E temos uma predestinação que anda lado-a-lado com está última, também bíblica, que nos diz que por meio do sacrifício de Cristo fomos todos predestinados à salvação, desde que cada um aceite este sacrifício, mudando o status anterior onde todos estávamos "predestinados", condenados à perdição.

      Considero a primeira forma de predestinação, onde Deus predestina tudo, até os mínimos detalhes como totalmente ilógica. A predestinação menos dura, digamos assim, que creio ser a que o irmão acredita, aparentemente tem sua lógica, ainda que tenha também suas contradições.

      Creio na predestinação das coisas essenciais e também na predestinação à salvação, enquanto rejeito aquelas outras duas formas de predestinação.

      Um abraço.

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  6. A postagem não é sobre calvinismo em si, mas para demonstrar a pífia, medíocre, visão do apresentador da Novo Tempo sobre o assunto...

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    1. Shabat Shalom!!

      Irmão Luciano, tive a leve impressão de que você estivesse fugindo do tema (perguntas e afirmações do Sr Adventista). Será?

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    2. Irmão Luciano, sentiu saudades do Sr Adventista?

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    3. Ele não admite mas acho que sentiu sim, saudades da minha petulância.

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    4. É que o Paulo Cadi te respondeu... aí por respeito a ele...estou deixando. Mas estarei atento quando não responder... seus comentários serão sempre excluídos.

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    5. Não faz mal, irmão Luciano, também tentaram eliminar as palavras de Jesus usando toda sorte de artifícios.

      Um abraço.

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  7. O livre-arbítrio é um dos atributos de Deus. É o poder que Deus tem de escolher somente o que é justo e bom porque a natureza de Deus é santa. Então, qualquer ser humano que
    reclama possuir o livre-arbítrio deve necessariamente escolher todo o tempo somente aquilo
    que é bom e justo. Qualquer desfiguração na manifestação das escolhas, ou seja, escolher
    aquilo que é contra a vontade de Deus não é mais a manifestação do livre-arbítrio mas da arbitrariedade que são decisões resultantes da vontade pecaminosa do homem.

    O êrro dessas pessoas quando criticam a doutrina da predestinação é que não sabem que qualquer desvio na expressão perfeita do livre-arbítrio que é um atributo existente em Deus antes da criação do homem não é mais o livre-arbítrio mas a vontade pecaminosa do homem em rebeldia contra a vontade perfeita de Deus para o homem.

    O caminho que Deus proveu para o homem seguir é o resultado do livre-arbítrio de Deus.
    Então qualquer pensamento que surja que não esteja alinhado perfeitamente com a vontade de Deus não procede do livre-arbítrio mas da mente carnal e arbitrária em rebeldia contra a lei de Deus.

    Como o ‘deus’ desses críticos ora está no centro, ora na periferia dos acontecimentos eles desconhecem que o livre-arbítrio como expressão das escolhas de Deus sempre permanece estável e de acordo com a natureza imaculada de Deus.

    Qualquer escolha que esteja em desacordo com a palavra de Deus não procede do livre-arbítrio mas das profundezas de Satanás.


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